A três meses do corte da EN110, parlamentares socialistas prometem pressionar Governo por cronograma de obras e soluções alternativas.

Os deputados do Partido Socialista eleitos pelo círculo de Coimbra, Pedro Delgado Alves, Rosa Isabel Cruz e Pedro Coimbra, deslocaram-se no início da semana ao concelho de Penacova para avaliar, no terreno, os trabalhos de recuperação dos danos provocados pelas tempestades de janeiro e fevereiro. A visita focou-se nos cortes profundos que ainda afetam a Estrada Nacional 110 (EN110) e a Estrada Nacional 2 (EN2), vias essenciais para a coesão territorial e economia local.
A comitiva, acompanhada pelos Presidentes das Juntas de Freguesia de Penacova e Lorvão, por vereadores do PS na Câmara Municipal e por vários eleitos locais, percorreu os troços mais críticos. O objetivo foi inteirar-se do impacto das condições meteorológicas do primeiro trimestre numa altura em que a falta de prazos para a reposição da normalidade começa a gerar forte descontentamento entre a população e os autarcas.
EN110 e EN2 com cortes totais e impactos na mobilidade
A EN110, vital para a ligação entre Penacova e Coimbra e muito utilizada por residentes, visitantes e serviços de emergência, permanece totalmente cortada num troço específico devido a um deslizamento de terras que ocorreu ainda antes da tempestade Kristin. De acordo com os dados recolhidos durante a visita, o encerramento tem causado grandes perturbações nas deslocações de residentes, no comércio, na atividade turística e no transporte de alunos para os centros escolares.

A situação é particularmente grave na EN110, onde o corte se mantém sem data para reabertura. Recentemente, o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, revelou que a Infraestruturas de Portugal (IP) informou estar a elaborar o projeto de reparação do talude e da plataforma rodoviária, admitindo que a estrada “permanecerá fechada durante algum tempo” . A autarquia tem alertado para o aumento dos custos para os cidadãos, que são forçados a fazer percursos alternativos mais longos e dispendiosos, agravando a fatura dos combustíveis .
Deputados prometem reforçar pressão sobre o Governo
Já tendo questionado o Governo anteriormente sobre a reparação da EN110, sem obter dados concretos sobre a execução das obras, os deputados socialistas deram nota de que vão reforçar a pressão junto do Ministério das Infraestruturas.
“Esta situação expõe fragilidades conhecidas há muito tempo, como a instabilidade de taludes e a degradação progressiva das condições de circulação. A prudência técnica não pode significar ausência de informação pública nem uma indefinição prolongada”, alertou o deputado Pedro Coimbra, ecoando preocupações já manifestadas em fevereiro passado .
Os parlamentares prometem agora insistir para que o ministro Miguel Pinto Luz apresente um cronograma claro para as reparações e estude a viabilidade de soluções alternativas de circulação provisória, minimizando o isolamento a que as populações estão sujeitas.
Reivindicações históricas e soluções de emergência
A visita dos deputados ocorre num contexto de crescente revolta popular. No passado dia 11 de abril, os moradores realizaram um protesto junto ao local da derrocada na EN110, exigindo esclarecimentos públicos e um calendário concreto. O presidente da Câmara de Penacova recordou que a autarquia já elaborou relatórios técnicos detalhados sobre as patologias da via, entregues ao Governo ao longo dos anos, sem que tenham resultado em intervenções estruturais.
Enquanto a IP não avança com a obra de requalificação, o município de Penacova implementou um serviço de transporte de apoio à população nas zonas mais afetadas, considerado uma solução temporária e insuficiente face à dimensão do problema .
Os deputados socialistas garantiram que continuarão a monitorizar o processo e a exigir respostas, sublinhando que a recuperação da rede viária é “prioritária para a segurança e desenvolvimento da região”.











