Protesto reuniu dezenas de pessoas que denunciam falta de intervenção e alertam para impactos graves na mobilidade, emergência médica e acesso a serviços essenciais

A Estrada Nacional 110 (EN110), que liga Penacova a Coimbra, permanece encerrada ao trânsito desde janeiro, na sequência de um deslizamento de terras, sem que exista até ao momento qualquer previsão oficial para a reabertura ou início das obras. A situação motivou um protesto de cidadãos junto ao local da derrocada, numa informação inicialmente avançada pelo jornal digital Notícias de Coimbra.
População reclama calendário para reabertura
A ausência de informação por parte das entidades responsáveis levou dezenas de pessoas a concentrarem-se na zona afetada, exigindo esclarecimentos concretos e um calendário para a reposição da circulação.
Entre os participantes esteve Jorge Neves, um dos organizadores da iniciativa, que sublinhou o impacto direto do encerramento na vida quotidiana da população, em particular no concelho de Penacova e na freguesia de Lorvão.
“Esta estrada faz-nos bastante falta. A população tem de fazer muitos mais quilómetros para ir para Coimbra, o que implica mais custos em combustível e perda de tempo”, afirmou.
Aumento do tempo de resposta em emergências preocupa moradores
Além dos constrangimentos na mobilidade diária, os manifestantes alertam para consequências potencialmente graves ao nível da resposta a situações de emergência.
Segundo Jorge Neves, o tempo de deslocação de meios de socorro duplicou desde o corte da via.
“Uma ambulância que demorava 15 minutos agora demora 30. Num caso de emergência, um minuto pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, referiu.
Acesso a serviços essenciais cada vez mais difícil no Caneiro
Moradoras da zona do Caneiro relatam que o encerramento da EN110 está a condicionar seriamente o acesso a serviços essenciais, como cuidados de saúde, consultas médicas e comércio.
“As pessoas que trabalham em Coimbra, quem tem médicos, exames… temos de andar às voltas porque aqui não há nada”, referiu uma habitante.
A situação é agravada pela escassez de transportes públicos e pela inexistência de alternativas viáveis para quem não dispõe de viatura própria.
“Vivemos aqui numa aldeia onde não há nada. Quem não tem carro fica ainda mais limitado”, acrescentou outra residente.
As críticas estendem-se também aos horários dos transportes de apoio, considerados desajustados às necessidades da população.
“Temos uma camionete que nos vem buscar às 7:10 da manhã e só nos traz de volta às 14:00 ou 15:00. Isto não é justo”, lamentaram.
As moradoras descrevem o território como cada vez mais isolado, apontando que deslocações simples se tornaram demoradas e complexas.
“Estamos aqui num buraco, não temos saída… para ir ao médico temos de sair muito mais cedo e andar sempre às voltas.”
Perante este cenário, defendem a adoção de soluções intermédias, como a reabertura parcial da via.
“Pelo menos uma via devia ser aberta. Isto já está a ser um abuso”, sublinharam.
A população do Caneiro apela a uma intervenção urgente das entidades responsáveis, de forma a restabelecer a mobilidade e reduzir o impacto do isolamento provocado pelo corte prolongado da EN110.
Autarquia confirma obras em projeto, mas sem prazo para reabertura
As declarações do presidente da Câmara Municipal de Penacova foram prestadas esta tarde, durante a manifestação realizada junto à EN110, onde a população exigia esclarecimentos e uma solução para o encerramento prolongado da via.
Segundo o autarca, a informação mais recente fornecida pela Infraestruturas de Portugal indica que está em curso o projeto de reparação do talude e da plataforma rodoviária, um processo que deverá prolongar-se por vários meses.
“A perspetiva é que a estrada esteja fechada durante algum tempo”, afirmou Álvaro Coimbra.
Apesar dos pedidos da autarquia para uma intervenção de emergência e a reabertura parcial da via, a resposta tem sido negativa devido a questões de segurança.
“Pedimos pelo menos a reabertura de uma das faixas, mas parece que não há condições de segurança para que isso aconteça.”
Impacto económico e social agrava-se
O impacto do encerramento é significativo, afetando diretamente a economia local, os transportes e o quotidiano da população.
“Tem um impacto muito grande na economia local, nos transportes públicos, nas empresas e na vida das pessoas”, sublinhou o presidente da Câmara.
A situação agrava-se tendo em conta os movimentos pendulares diários entre Penacova e Coimbra, com muitos residentes obrigados a percursos mais longos e dispendiosos.
“O aumento do gasóleo e a volta maior que têm de dar veio agravar essa questão”, explicou.
Autarquia aponta falta de manutenção e implementa soluções temporárias
A autarquia tem vindo a alertar, ao longo dos anos, para a falta de manutenção da EN110, apontando responsabilidades à entidade gestora. De acordo com o presidente da Câmara, chegou mesmo a ser elaborado um relatório técnico detalhado sobre as patologias da via, entregue ao Governo, sem que tenha havido intervenção.
“Os anos passaram e essas obras de requalificação nunca aconteceram.”
Para mitigar os efeitos do corte, o município implementou um serviço de transporte de apoio à população, sobretudo nas zonas mais afetadas.
“Há um autocarro nosso disponível de manhã que faz o transfer das pessoas para a paragem mais próxima e para o circuito alternativo.”
Ainda assim, a solução é vista como temporária e insuficiente face à importância da via.
“O que nós queremos é que esta estrada, que é muito importante para a economia da região, seja reparada o mais breve possível.”
Contexto: uma ligação estratégica entre Penacova e Coimbra
A EN110 assume particular relevância na ligação entre Penacova e Coimbra, sendo uma alternativa importante ao IP3 para deslocações locais e regionais. O seu encerramento prolongado está a obrigar os automobilistas a percursos mais longos e, em muitos casos, mais congestionados, com impacto económico e social significativo.











