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Bienal de Arte Contemporânea decorre até 5 de julho com cerca de 60 artistas, múltiplos espaços expositivos e foco em temas de liberdade, memória e conflito

Os curadores da Anozero’26 – Bienal de Coimbra (11 de abril a 5 de julho de 2026) são Hans Ibelings (historiador de arte/arquitetura) e John Zeppetelli (diretor de arte). A edição, intitulada “Segurar, Dar, Receber” (To hold, To give, To receive), explora o conceito de habitat e partilha. O curador assistente é Daniel Madeira

A Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra arranca hoje com uma performance inaugural concebida pelo artista Vasco Araújo. Intitulada “Libertas – Da condição de pessoa livre”, a ação propõe uma “procissão” artística entre a Igreja de Santa Cruz e o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, que volta a ser o ponto central da programação deste ano. A iniciativa reúne centenas de participantes a interpretar o “Coro dos Escravos” da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, numa caminhada coletiva desde a Baixa da cidade até à margem esquerda do Mondego.

Performance inaugural atravessa a cidade

A proposta de Vasco Araújo combina performance, música e participação comunitária, transformando o percurso entre dois marcos históricos de Coimbra num gesto simbólico sobre liberdade e memória coletiva. O momento inaugural reforça a ligação entre património histórico e criação contemporânea, sublinhando o carácter público e participativo da Bienal.

Cerca de 60 artistas em múltiplos espaços da cidade

A edição deste ano da Anozero estende-se até 5 de julho, distribuindo-se por vários espaços emblemáticos de Coimbra, incluindo o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, o Edifício Chiado, a Sala da Cidade, o Jardim Botânico e os espaços do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC).

A programação reúne obras de cerca de 60 artistas e coletivos internacionais, entre os quais Frédéric Bruly Bouabré (Costa do Marfim), Taysir Batniji (Palestina), Julian Charrière (França/Suíça), Thomas Demand (Alemanha), Shilpa Gupta (Índia) e os norte-americanos Nan Goldin e Mungo Thomson.

Instalações, vídeo, som e projetos sobre memória e conflito

Entre os destaques, o longo corredor de 200 metros do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova acolhe uma instalação sonora de Taryn Simon, onde se escutam lamentos de 15 culturas diferentes, da China ao Azerbaijão. A obra teve origem numa performance ao vivo com carpideiros profissionais e investiga o luto enquanto prática social e ritual.

O programa inclui ainda um conjunto diversificado de obras que vão desde um meteoro rodopiante que evoca histórias de desapropriação, até a um vídeo gravado na Amazónia mostrando um homem a abraçar um peixe prestes a morrer. Há também uma “máquina de escuta” que formula perguntas sobre liberdade e alegria, e um projeto coletivo dedicado ao conflito na Palestina, com trabalhos baseados em chaves de casas destruídas, no arrancar de árvores e em registos visuais produzidos por um coletivo de arquitetura forense.

Curadoria internacional e orçamento de 750 mil euros

A edição é comissariada por Hans Ibelings, docente de arquitetura em Toronto e editor de publicações especializadas, e por John Zeppetelli, antigo diretor do Museu de Arte Contemporânea de Montreal, com o apoio de Daniel Madeira como curador assistente.

O orçamento da edição deste ano ronda os 750 mil euros, sustentando uma programação que articula exposições, performances, debates e mediação cultural, reforçando a posição da Anozero no circuito nacional e internacional da arte contemporânea.


 

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