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Nome proposto pelo Governo foi aprovado por unanimidade e inicia novo ciclo numa fase decisiva do projeto de mobilidade da região de Coimbra

O engenheiro Leonel Serra Nunes Pedro, natural da freguesia de São Pedro de Alva, no concelho de Penacova, foi aprovado por unanimidade como novo presidente do conselho de administração da Metro Mondego, numa assembleia geral realizada ontem, terça-feira, em Coimbra.

Natural de Penacova lidera empresa estratégica

A escolha, proposta pelo Governo, foi validada sem votos contra pelos acionistas da empresa e marca o início de um mandato de três anos num momento considerado decisivo para a conclusão do Sistema de Mobilidade do Mondego.

Engenheiro de formação e quadro da CP – Comboios de Portugal, Leonel Serra já desempenhou funções como vogal do conselho de administração da empresa, o que reforça o conhecimento interno da estrutura que agora lidera. A informação pública disponível não especifica, para já, a instituição onde concluiu a sua formação académica. Politicamente, está associado ao Partido Social Democrata (PSD).

A nomeação assume especial relevância para o concelho de Penacova, ao colocar um natural da freguesia de São Pedro de Alva na liderança de uma das principais infraestruturas de mobilidade da região Centro.

Nomeação aprovada por unanimidade com “confiança” na nova liderança

O nome proposto pelo Governo para a presidência da Metro Mondego foi aprovado esta terça-feira por unanimidade em assembleia geral da empresa, que era liderada desde 2019 por João Marrana, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara da Lousã, Victor Carvalho, que preside agora à nova mesa da assembleia geral.

Leonel Serra, que irá cumprir um mandato de três anos, é engenheiro de formação e quadro da CP, tendo já sido vogal do conselho de administração da Metro Mondego quando esta foi liderada por João Rebelo, que saiu das funções em 2019.

“É alguém que nos transmite confiança e é alguém que conhece a casa. Estamos satisfeitos com a escolha do Governo”, afirmou Victor Carvalho no final da reunião do órgão, que decorreu na sede da Metro Mondego, em Coimbra.

Os dois vogais nomeados em setembro pelo Governo — Cristina Agreira e Ricardo Cândido — mantêm-se nas funções, adiantou ainda o autarca. A mesa da assembleia geral passa a ser presidida por Victor Carvalho e terá como vice-presidente José Miguel Ramos Ferreira (autarca de Miranda do Corvo), mantendo-se Sónia Serrano Pujalrás como secretária do órgão.

Três décadas de incertezas e um investimento público que ultrapassa os 327 milhões de euros

O projeto do Metro Mondego começou a ganhar forma em março de 1994, num diploma do último executivo de Cavaco Silva, com o objetivo de assegurar uma ligação em metro ligeiro de superfície entre Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo. Trinta anos depois, o investimento já ultrapassa os 327 milhões de euros — um valor que inclui estudos, gastos administrativos e empreitadas.

Deste montante, 200 milhões de euros referem-se à atual empreitada, que abandonou a ideia original do metro ligeiro e avançou com uma solução de autocarros elétricos articulados em via dedicada (metrobus). A estes valores acrescem 104 milhões de euros gastos até novembro de 2010, altura em que as obras do projeto inicial foram suspensas devido à crise financeira, e quase dez milhões de euros em despesas operacionais e salariais entre 2011 e 2023.

A estes números junta-se ainda um custo de 12,9 milhões de euros em serviços rodoviários alternativos ao Ramal da Lousã, que deixou de circular em janeiro de 2010, há mais de 15 anos, à espera da conclusão de um projeto que continua por entregar.

Historial de conflitos políticos marca trajetória do Metro Mondego

O historial de conflitos políticos em torno do Metro Mondego é longo e bem documentado. Em julho de 2019, a concelhia do Partido Social Democrata (PSD) de Coimbra classificou como “péssima notícia” a nomeação de uma nova administração para a empresa, liderada por João Marrana, em substituição da equipa de João Rebelo.

Na altura, os sociais-democratas acusaram o Governo socialista de um “negócio político de colonização das entidades públicas”, afirmando que a administração afastada “foi responsável por redefinir a estratégia global com a solução ‘metro bus’, resolvendo todos os problemas técnicos, burocráticos e financeiros que permitiram relançar o projeto de forma sustentável e credível”.

O PSD/Coimbra expressou então “público agradecimento” a João Rebelo, Leonel Serra e Carlos Ferreira pelo “trabalho realizado, que permite ainda acalentar alguma esperança no ‘metro bus’ e num novo modelo de mobilidade urbana e regional em Coimbra”.

Obras em curso e perspetivas de conclusão no novo mandato

Tudo indica que no mandato que agora se inicia o conselho de administração da Metro Mondego verá concluídas as obras de construção do Sistema de Mobilidade do Mondego, que se iniciaram com a assinatura do auto de consignação do troço entre Serpins (Lousã) e o Alto de São João (Coimbra), em setembro de 2020.

Segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), está previsto que o troço entre a Portagem (Coimbra) e a estação ferroviária de Coimbra-B possa estar concluído até agosto, assim como o troço da linha do hospital até à Praça da República. No início de 2027, deverá ficar operacional toda a linha do hospital, com a conclusão do troço entre a Praça da República e os Hospitais da Universidade de Coimbra.

A Metro Mondego já está a operar desde dezembro na linha suburbana, que serve Miranda do Corvo e Lousã, e no troço urbano entre o Alto de São João e a Portagem, desde setembro. Entre 1 de janeiro e meados de março, o sistema registou meio milhão de validações de títulos de viagem, um número que reflete a crescente procura por parte dos utilizadores.

Expansão do sistema já está “em cima da mesa”

Para além da conclusão das obras, deverão começar a ser discutidas expansões do sistema, já defendidas pelo município de Coimbra e pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra.

“Primeiro, há que fechar as obras na malha urbana, mas queremos dar início a estudos de alargamento a outros concelhos. É algo que está em cima da mesa e começaremos a avaliar essas possibilidades”, afirmou Victor Carvalho, sublinhando a ambição de alargar o raio de ação do sistema de mobilidade para além dos concelhos atualmente servidos.

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