Medida permite acesso antecipado a receitas municipais já em abril ou maio para acelerar reparações

O Governo está disponível para adiantar um duodécimo das receitas municipais às câmaras municipais, permitindo-lhes avançar com obras urgentes em infraestruturas afetadas pelas tempestades que atingiram o país entre o final de janeiro e fevereiro, anunciou o ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, no Parlamento.

Adiantamento poderá chegar já em abril ou maio

Numa audição na Comissão da Reforma do Estado e Poder Local, Manuel Castro Almeida explicou que os municípios que o solicitarem durante o mês de abril poderão receber o adiantamento ainda em abril ou, no limite, em maio.

Em causa está a antecipação de um duodécimo das verbas provenientes do Fundo de Equilíbrio Financeiro e do Fundo Social Municipal, garantindo liquidez imediata para despesas urgentes. O governante sublinhou que este adiantamento corresponde a receitas municipais já previstas e que, nesta fase, “ainda não há faturas à espera para pagar”.

Danos elevados exigem obras estruturais

Segundo o ministro, além dos prejuízos registados pelos cidadãos, também os municípios sofreram danos significativos em equipamentos e infraestruturas, exigindo intervenções mais complexas.

Embora as autarquias consigam assegurar pequenas reparações, muitas obras implicam empreitadas de maior dimensão, como a recuperação de estradas colapsadas, redes de água e saneamento ou edifícios públicos destruídos.

Os municípios encontram-se atualmente a fazer levantamentos e a preparar projetos para avançar com essas intervenções, que exigem maior capacidade financeira.

Municípios abrangidos pelo estado de calamidade

A resposta do Governo surge no contexto da situação de calamidade decretada após a passagem das tempestades, que abrangeu dezenas de concelhos do país, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

Entre os municípios incluídos estão, por exemplo, Coimbra, Figueira da Foz, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Mira, Lousã, Pampilhosa da Serra, Sertã, Leiria, Torres Vedras, Santarém, entre muitos outros.

Destaque para o concelho de Penacova, também abrangido pelo estado de calamidade, situação já noticiada pelo Penacova Actual, na sequência dos danos registados no território, nomeadamente em infraestruturas municipais, rede viária e espaços públicos.

No total, o estado de calamidade chegou a abranger cerca de 60 municípios numa primeira fase, tendo sido posteriormente alargado a 68 concelhos e, mais tarde, a outros territórios afetados por cheias e intempéries.

Seguros e novos apoios em análise

O ministro referiu ainda que, com exceção das estradas, a maioria dos equipamentos e edifícios municipais está coberta por seguros, que deverão assumir um papel relevante na cobertura dos prejuízos.

Ainda assim, o Governo admite avançar com novos apoios, através de adiantamentos adicionais por conta das verbas das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, sendo posteriormente apurado o montante definitivo a atribuir às autarquias, após contabilização das indemnizações das seguradoras.

Tempestades causaram vítimas e prejuízos milionários

Desde 28 de janeiro, pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram ainda centenas de feridos, desalojados e deslocados.

Os temporais causaram a destruição de milhares de habitações, empresas e equipamentos, além de cortes de energia, água e comunicações, cheias e inundações, com prejuízos estimados em milhares de milhões de euros.

Publicidade
Artigo anteriorUniversidade de Coimbra lança guia para apoiar saúde mental após fenómenos meteorológicos extremos
Próximo artigoEscuteiros de Coimbra iniciam comemorações do centenário com ação dedicada à sustentabilidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui