Deslizamento de terras interrompeu estrada municipal desde 5 de fevereiro; empresa espera retomar produção parcial na próxima semana com solução provisória

Deslizamento de terras cortou único acesso à unidade

Desde o início de fevereiro que a produção da empresa se encontra totalmente parada, devido ao corte da estrada que constitui o único acesso à unidade industrial.

Em declarações à agência Lusa, o administrador Urbano Marques explicou que a paragem forçada durante “um mês e uma semana” provocou uma quebra significativa na faturação da empresa, estimada entre cinco e seis milhões de euros.

A empresa conta atualmente com 96 trabalhadores e aguarda que seja possível retomar parte da atividade na próxima semana, assim que esteja concluída uma reparação provisória da via, intervenção que está a ser realizada pelo Município de Penacova.

Produção limitada com veículos de menor tonelagem

A solução temporária permitirá apenas a circulação de veículos com metade da tonelagem habitual, o que irá limitar significativamente a capacidade logística da empresa.

Segundo Urbano Marques, os camiões utilizados normalmente transportam 24 toneladas, enquanto as viaturas que poderão passar na estrada reparada transportarão apenas 10 a 12 toneladas.

Mesmo recorrendo a várias carrinhas em permanência, a empresa admite que não será possível escoar a produção normal. Durante os meses de verão, por exemplo, chegam a sair da unidade até 80 camiões por dia.

Para contornar a limitação, a estratégia passará por transportar as paletes de garrafas de água em viaturas mais pequenas até ao armazém da empresa em Mortágua, onde serão posteriormente carregadas em camiões de grande dimensão.

Empresa opta por não recorrer ao lay-off

Apesar da interrupção da produção e da ausência de uma solução definitiva para o acesso, a administração decidiu não avançar com lay-off.

“Lay-off não, obrigado. Procurámos outras alternativas e ajudas, como a redução de impostos, mas decidimos não ir para o lay-off porque íamos penalizar a empresa e os trabalhadores, que não têm culpa nenhuma”, afirmou o administrador.

Durante cerca de duas semanas após o corte da estrada, a empresa conseguiu continuar a abastecer clientes com stock existente no armazém de Mortágua, mas essas reservas acabaram por se esgotar.

Câmara de Penacova avança com reparação provisória

O presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, explicou que apenas a partir de meados da semana passada existiram condições de segurança para iniciar trabalhos na encosta que deslizou.

A intervenção começou com a retirada de terra da parte superior da estrada, com o objetivo de reduzir o peso da encosta e estabilizar o terreno.

A autarquia prevê repor apenas uma faixa de circulação, por razões de segurança, numa obra cujo custo deverá situar-se entre 30 e 40 mil euros para o município.

Solução definitiva poderá passar por viaduto de 4 milhões

Paralelamente, a Câmara Municipal solicitou um estudo ao Itecons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade.

De acordo com o estudo preliminar, a solução estrutural mais segura para o acesso à fábrica poderá passar pela construção de um viaduto, obra estimada em cerca de quatro milhões de euros.

Álvaro Coimbra reconhece, contudo, que este valor ultrapassa a capacidade financeira do município, pelo que a autarquia espera que possam surgir apoios públicos no âmbito das medidas de recuperação após as recentes tempestades.

“É uma verba que a Câmara não tem. A nossa expectativa é que possam surgir apoios para a reparação de infraestruturas que possam ser aplicados nesta estrada municipal, que tem uma função muito importante”, afirmou o autarca.

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