“Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade” alerta para doença crónica que afeta quase um terço dos adultos em Portugal e pede políticas públicas integradas, baseadas em evidência científica

No âmbito do Dia Mundial da Obesidade, assinalado a 4 de março, várias sociedades médicas nacionais e a Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO) lançaram o “Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade”, em resposta ao desafio internacional promovido pela World Obesity Federation.
O documento constitui um apelo claro à definição de uma estratégia nacional mais robusta e integrada para enfrentar aquela que é considerada uma das principais ameaças de Saúde Pública da atualidade.
Segundo dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), quase um terço da população adulta portuguesa vive com obesidade, uma doença crónica que está associada a múltiplas complicações clínicas e a um aumento significativo do risco de outras patologias.
Subscrição alargada das principais sociedades científicas
O manifesto foi igualmente subscrito por várias sociedades científicas nacionais:
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Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM)
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Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO)
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Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF)
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Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI)
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Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas (SPCO)
Os signatários defendem a implementação de uma abordagem multidisciplinar e integrada, sustentada na evidência científica, que assegure prevenção eficaz, diagnóstico precoce e acesso equitativo ao tratamento.
Doença crónica, complexa e multifatorial
A presidente da SPEDM, Paula Freitas, sublinha que “a obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial, com elevado impacto na saúde metabólica, mecânica e mental”.
A responsável acrescenta que, enquanto sociedade científica, existe a responsabilidade de impulsionar uma resposta clínica baseada em evidência, frisando tratar-se de “um apelo à coordenação entre instituições científicas, políticas e a sociedade civil — todas indispensáveis para transformar compromissos em ação concreta”.
Também o presidente da SPEO, José Silva Nunes, destaca que “a ciência tem demonstrado que a obesidade exige uma resposta alicerçada em dados e factos”. Na sua perspetiva, o manifesto representa “um passo necessário e urgente para aplicar essa evidência em política e em ação, garantindo que o conhecimento serve para melhorar efetivamente a vida das pessoas”.
Cuidados de Saúde Primários no centro da resposta
A integração dos cuidados é outro dos eixos centrais do documento. Para os subscritores, a resposta à obesidade deve começar na comunidade, com reforço dos Cuidados de Saúde Primários.
O presidente da APMGF, Nuno Jacinto, defende que “a abordagem à obesidade começa junto da comunidade, nos Cuidados de Saúde Primários”. O médico de família, sublinha, “está na linha da frente, mas o sistema precisa de nos dar as ferramentas e o tempo necessários para criar relações de confiança, pilares de qualquer tratamento bem-sucedido”.
Mobilização nacional perante um desafio de Saúde Pública
Com este manifesto, as sociedades médicas e a ADEXO procuram mobilizar decisores políticos, profissionais de saúde e a sociedade civil para uma ação coordenada e sustentada no tempo.
A obesidade, reconhecida como doença crónica pela Organização Mundial da Saúde, tem impacto significativo não apenas na saúde individual, mas também na sustentabilidade do sistema de saúde, devido à sua associação com patologias como diabetes tipo 2, doença cardiovascular, alguns tipos de cancro e problemas osteoarticulares.
O “Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade” surge, assim, como um contributo estruturado para colocar o tema no centro da agenda pública, defendendo políticas transversais que promovam ambientes mais saudáveis, combatam o estigma associado à doença e assegurem tratamento atempado e acessível a quem dele necessita.






