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Inquérito do Turismo Centro de Portugal revela que mais de 80% das empresas registaram danos e interrupções de atividade após as depressões Kristin e Leonardo.

Roda Figueira da Foz – Tempestade Kristin 2026 – Foto João Porfírio

Empresas turísticas fortemente afetadas

Os primeiros resultados do inquérito promovido pela Turismo Centro de Portugal (TCP) revelam impactos muito significativos nas empresas turísticas da Região Centro na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo. Apesar de o levantamento ainda estar em curso, 81% das empresas inquiridas (223 respostas) referem danos nas instalações físicas, enquanto 80% indicam ter registado uma paragem de atividade, total em 47% dos casos e parcial em 33%. Apenas 20% afirmam não ter sofrido qualquer interrupção.

Penacova integra a área geográfica abrangida por este levantamento, inserida no distrito de Coimbra, um dos territórios com empresas a reportarem prejuízos diretos na sequência do temporal.

Perdas materiais e quebra de faturação

Segundo a Turismo Centro de Portugal, as perdas materiais estimadas ascendem já a cerca de 6,48 milhões de euros, enquanto as perdas de faturação ultrapassam os 2,59 milhões de euros. A entidade ressalva, contudo, que estes são valores ainda preliminares, uma vez que muitas empresas admitem não conseguir, nesta fase, quantificar totalmente os prejuízos sofridos.

Estruturas e equipamentos entre os principais danos

Os danos reportados incidem sobretudo na estrutura dos edifícios, com 125 respostas a identificarem este tipo de prejuízo, seguindo-se as áreas exteriores e os equipamentos e infraestruturas. Os setores mais afetados são a hotelaria, a restauração, a animação turística e os serviços associados, com impactos diretos na capacidade operacional das empresas e na manutenção dos postos de trabalho, realidade que se estende a vários concelhos do distrito de Coimbra, incluindo Penacova.

Apoios à reconstrução e ao emprego considerados prioritários

Do inquérito resulta ainda que as medidas consideradas prioritárias pelas empresas passam pelo acesso a financiamento para a reconstrução e reparação das instalações, bem como pelo apoio à manutenção do emprego, face às dificuldades provocadas pela interrupção ou redução da atividade turística.

Coimbra entre os concelhos com prejuízos reportados

Os prejuízos reportados estão dispersos por vários concelhos da Região Centro, destacando-se Leiria (22 respostas), Alcobaça (18) e Coimbra (14), seguindo-se Tomar (12), Figueiró dos Vinhos (10) e Lourinhã (10). A Turismo Centro de Portugal assinala ainda um número elevado de respostas provenientes da Figueira da Foz, Lousã, Nazaré, Pombal, Marinha Grande e Ourém, o que demonstra, segundo a entidade, a grande extensão territorial da área afetada, incluindo a sub-região do Mondego.

Recolha de dados condicionada por falhas de comunicações

Para a elaboração do estudo foram contactadas cerca de 7.500 empresas turísticas, tendo sido obtidas 277 respostas, maioritariamente dos setores do alojamento turístico (101) e da restauração (72). A Turismo Centro de Portugal refere que as falhas de comunicações em algumas localidades continuam a dificultar a recolha de dados, mantendo-se em articulação permanente com o Turismo de Portugal e com o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, com vista à definição de medidas de apoio ajustadas à situação no terreno.

Situação de calamidade e resposta do Governo

Desde a semana passada, onze pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram ainda centenas de feridos e desalojados. Entre as principais consequências materiais contam-se a destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, bem como cortes de energia, água e comunicações.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. Perante a gravidade da situação, o Governo decretou o estado de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que pode ascender a 2,5 mil milhões de euros.

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