A Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD) defendeu, esta terça-feira, o envolvimento ativo das coletividades no processo de reorganização da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, sublinhando a necessidade de diálogo institucional e de uma governação que reflita a realidade do país e dos territórios do interior.
A posição da CPCCRD foi tornada pública através de um comunicado divulgado esta terça-feira, no âmbito do debate nacional sobre a reorganização da CASES, relançado após a apresentação do parecer institucional da Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local.
No documento, a Confederação reconhece o papel histórico e relevante desempenhado pela CASES no desenvolvimento da economia social em Portugal, destacando a articulação com o Estado, o apoio ao cooperativismo, a gestão do voluntariado e a produção de conhecimento estratégico para o setor.
Associativismo como base da participação cívica
Perante a possibilidade de alterações ao modelo de governação da CASES, a CPCCRD considera essencial que qualquer decisão com impacto estrutural seja antecedida de um processo de diálogo institucional que envolva todas as entidades representativas da economia social, incluindo o movimento associativo de base cultural, recreativa e desportiva.
A Confederação sublinha que as coletividades representam o maior espaço de participação cívica organizada em Portugal, desenvolvendo trabalho diário junto das comunidades, nas áreas da cultura popular, do desporto informal, da juventude e do envelhecimento ativo.
Importância nos territórios do interior
Segundo a CPCCRD, as associações e coletividades desempenham um papel central na coesão social, no combate ao isolamento e na criação de redes de apoio comunitário, sobretudo nas regiões do interior do país, onde, em muitos casos, são a única estrutura organizada com presença regular.
Esta realidade é particularmente visível em concelhos como Penacova, onde o associativismo continua a assumir um papel fundamental na dinamização cultural, recreativa e desportiva das comunidades locais.
Princípios defendidos para a reorganização da CASES
No comunicado, a Confederação identifica vários princípios que considera essenciais para o processo de reorganização da CASES: a manutenção da presença do Estado na governação da cooperativa, conforme previsto na Lei de Bases da Economia Social; a criação de mecanismos formais de participação das coletividades; a preservação do conhecimento técnico e da capacidade instalada; e a promoção de uma visão integrada da economia social, evitando a fragmentação do setor.
Disponibilidade para colaborar
A CPCCRD manifesta ainda total disponibilidade para colaborar com o Governo, com a CASES e com as restantes entidades da economia social, defendendo que o futuro do setor deve ser construído com diálogo, participação e reconhecimento do papel das coletividades no território.
O comunicado foi emitido esta terça-feira, 30 de dezembro de 2025, a partir de Lisboa, pela Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto

