Governo apresenta traçado para a duplicação entre Coimbra e Viseu com investimento estimado em 500 milhões de euros

Miguel Pinto Luz anuncia a duplicação do IP3 entre Coimbra e Viseu com um troço duplo entre Souselas e Penacova e uma ligação à autoestrada A13 – Foto Paulo Cunha / Lusa

A duplicação do Itinerário Principal 3 (IP3) entre Coimbra e Viseu vai avançar com a construção de um troço duplo entre Souselas e Penacova e uma ligação direta à autoestrada A13. O traçado da futura infraestrutura rodoviária foi apresentado esta sexta-feira, no Entroncamento, pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, prevendo ainda a reabilitação e beneficiação dos troços existentes e a duplicação do segmento entre Lagoa Azul e Santa Comba Dão.

Variante de Penacova com traçado ainda por definir

O projeto contempla igualmente a construção de uma variante à vila de Penacova. O traçado definitivo deste troço, nomeadamente entre Penacova e Lagoa Azul ou Rojão Grande, será ainda objeto de avaliação técnica no âmbito dos estudos a desenvolver pela Infraestruturas de Portugal.

A solução agora apresentada resulta de um processo de concertação com as comunidades intermunicipais da Região de Coimbra e de Viseu Dão Lafões. O cronograma divulgado aponta para a execução da obra por fases, tendo em conta a dimensão, a complexidade técnica e a necessidade de assegurar financiamento.

Ligações a concelhos do interior em fase de estudo

Durante a apresentação do projeto, Miguel Pinto Luz sinalizou a intenção de integrar no futuro IP3 ligações rodoviárias aos concelhos de Góis, Arganil e Vila Nova de Poiares, cujos estudos prévios irão ser realizados.

“Estamos a falar de concelhos do interior isolados há décadas. É uma questão de justiça e solidariedade garantir que estas populações têm acesso à rede nacional de transportes e podem desenvolver a sua economia local”, afirmou o ministro das Infraestruturas.

Investimento sem financiamento definido e debate sobre portagens

O investimento global previsto para a duplicação do IP3 ronda os 500 milhões de euros, não estando ainda definida a solução de financiamento. Questionado sobre a eventual introdução de portagens em alguns troços do futuro itinerário com perfil de autoestrada, Miguel Pinto Luz remeteu essa decisão para os modelos de concessão a apresentar pela Infraestruturas de Portugal, cabendo posteriormente ao Governo a decisão final.

Durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026 foram aprovadas propostas parlamentares no sentido de isentar de portagens o futuro IP3 com perfil de autoestrada. O Governo, no entanto, mantém a sua posição favorável ao princípio do utilizador-pagador.

“Somos contra a eliminação de portagens. O custo das infraestruturas deve ser repartido entre todos, sem almoços grátis. A Infraestruturas de Portugal apresentará modelos de concessão, com ou sem portagens, e o Governo decidirá posteriormente”, declarou o ministro.

Críticas às isenções de portagens aprovadas no Parlamento

Miguel Pinto Luz destacou ainda que as isenções de portagens aprovadas para 2025 e 2026, no valor aproximado de 300 milhões de euros, com os votos do PS e do Chega contra a posição do Governo, retiram capacidade financeira para novos investimentos em infraestruturas rodoviárias. O governante manifestou também estranheza pelo facto de o Partido Socialista, atualmente na oposição, defender o fim das portagens, uma posição que, segundo referiu, não foi assumida enquanto esteve no Governo.

IP3 há décadas no centro da reivindicação regional

A duplicação do IP3 é uma reivindicação antiga das autarquias, agentes económicos e populações da Região de Coimbra e de Viseu Dão Lafões. A via tem sido, ao longo de décadas, marcada por limitações ao nível da segurança rodoviária, capacidade de escoamento de tráfego e fluidez da circulação, em particular nos troços entre Coimbra, Penacova e Santa Comba Dão.

Apesar de várias intervenções pontuais de requalificação, o IP3 manteve um perfil considerado desadequado às necessidades atuais de mobilidade, sendo frequentemente apontado como um fator de isolamento relativo do interior da região Centro.

Segurança rodoviária e impacto no desenvolvimento local

A concretização da duplicação do IP3, associada à construção da variante de Penacova e à melhoria das ligações à rede nacional de autoestradas, é apontada como determinante para a redução da sinistralidade rodoviária, a diminuição dos tempos de viagem e o reforço da atratividade económica dos territórios abrangidos.

No caso concreto de Penacova, a futura variante permitirá retirar o tráfego de atravessamento do núcleo urbano, com benefícios diretos para a segurança rodoviária, a qualidade de vida da população e a valorização do espaço público, reforçando simultaneamente a acessibilidade ao concelho e à região.

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