Estado retoma apoio à substituição de aparelhos a gás por eletrodomésticos elétricos eficientes — e quem não conseguiu na primeira fase volta a ter oportunidade.

O que é o Programa E‑lar

O Programa E-lar é uma iniciativa do Estado — inserida no âmbito do Fundo Ambiental e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) — que tem como objetivo incentivar a transição energética em habitações residenciais, através da substituição de eletrodomésticos a gás por equipamentos elétricos mais eficientes. 

Na sua primeira fase, o programa tinha uma dotação de 30 milhões de euros. A nova fase, cujas candidaturas se reabrem já em dezembro, conta com um reforço de 51,5 milhões de euros. 

Quem pode beneficiar e o que pode ser substituído

Podem candidatar-se maioritariamente famílias — nomeadamente aquelas com tarifa social de energia ou inseridas no programa “Bairros + Sustentáveis” — bem como outros consumidores particulares. 

O apoio permite a troca de aparelhos a gás — como fornos, fogões e esquentadores/termoacumuladores — por versões elétricas: placas de indução ou convencionais, fornos elétricos, conjuntos de placa + forno elétrico ou termoacumuladores elétricos. 

Valores do apoio e regras de utilização

  • Para famílias com tarifa social de energia: voucher até 1.683 €. 
  • Para outros consumidores: até 1.100 €. 

A compra deve ser feita numa loja aderente (da rede válida do Fundo Ambiental), e o voucher só pode ser usado uma vez — numa única compra. 

Se o valor do voucher não cobrir o custo total do aparelho, o beneficiário paga a diferença. 

As candidaturas exigem a apresentação de documentação como NIF, NISS, morada, código CPE da eletricidade, e fotografia do equipamento a substituir. 

Alertas e críticas — o que deve ter em conta

Embora o apoio represente uma boa oportunidade para renovar eletrodomésticos e reduzir o consumo de gás, a DECO PROteste aponta várias falhas e riscos identificados na primeira fase do Programa. 

Muitos consumidores foram surpreendidos com custos adicionais não previstos — por exemplo, desinstalação dos aparelhos a gás antigos, transporte ou selagem da rede de gás — custos esses que não estão abrangidos. 

A exclusão da compra de bombas de calor — uma solução energeticamente mais eficiente — e a limitação apenas a termoacumuladores elétricos para aquecimento de água são apontadas como decisões criticáveis. 

O facto de obrigar à compra de todos os novos equipamentos na mesma loja e de uma só vez limita a liberdade de escolha e pode reduzir a concorrência. 

A DECO defende que, nesta nova fase, as regras devem estar mais claras e os custos extra ou obrigações de instalação devem ser transparentes desde o início. 

Oportunidade para quem não conseguiu na primeira fase

Para habitantes de municípios como o de Penacova, a nova abertura de candidaturas ao Programa E-lar, com verba reforçada e os mesmos critérios, representa uma nova oportunidade: quem não conseguiu um voucher na 1.ª fase — devido ao esgotamento da dotação — poderá tentar desta vez garantir apoio para modernizar a sua casa e reduzir despesas energéticas no longo prazo.

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