Novembro excecionalmente chuvoso impulsionou subida generalizada nas albufeiras portuguesas.

Bacias hidrográficas registaram aumentos expressivos no armazenamento
Todas as bacias hidrográficas portuguesas registaram, em novembro, uma subida clara da quantidade de água armazenada, num mês marcado por precipitação intensa e persistente associada à passagem da depressão Cláudia.
Segundo o Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH), 19 das 60 albufeiras monitorizadas ultrapassaram os 80% da sua capacidade, um sinal de recuperação robusta após um período prolongado de variabilidade e défice hídrico em várias regiões.
A tendência positiva verificou-se em todo o território, com as bacias do Oeste (90,8%), Douro (81,7%), Tejo (80,4%) e Guadiana (80%) a liderarem em disponibilidade de água. Ainda assim, o Algarve continua a ser a zona mais vulnerável, com o Barlavento a apresentar apenas 45,8%, apesar da ligeira melhoria face a outubro.
Mondego sobe para 76,5% e reforça segurança hídrica no Centro
A bacia hidrográfica do Mondego — que integra as albufeiras da Aguieira e das Fronhas — alcançou em novembro 76,5% de armazenamento.
Este valor representa uma recuperação significativa e assume especial importância para o território abrangido pelo Penacova Actual, dada a dependência regional da albufeira da Aguieira para o abastecimento público, produção hidroelétrica, regadio agrícola e regularização de caudais.
Com cerca de 400 hm³ de capacidade útil, a Aguieira desempenha um papel estruturante na gestão do Mondego e no controlo das cheias que historicamente afetaram o Baixo Mondego e a cidade de Coimbra. A subida registada em novembro consolida as reservas e aumenta a margem de segurança face a eventuais episódios de seca nos meses seguintes.
Retrospetiva histórica: Aguieira marcada por décadas de extremos climáticos
Inaugurada em 1981, a albufeira da Aguieira tem enfrentado nas últimas décadas oscilações pronunciadas nos níveis de armazenamento, diretamente influenciadas pela irregularidade climática da região Centro.
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Anos de seca severa, como 2005, 2012, 2017 e 2022, colocaram a albufeira em níveis historicamente baixos, nalguns períodos abaixo dos 35%.
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Anos chuvosos, como 2001, 2010, 2014 e 2023, impulsionaram recuperações rápidas, aproximando a albufeira da capacidade máxima.
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Entre 2023 e 2024, a conjugação de depressões atlânticas intensas permitiu recuperar reservas cruciais, culminando nos atuais 76,5% registados em novembro.
Para Penacova, Aguieira e Fronhas asseguram não só estabilidade no abastecimento e no regadio, mas também proteção contra episódios extremos — sejam eles secas prolongadas ou cheias rápidas.
Novembro foi o terceiro mais chuvoso desde 2000
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), novembro de 2024 foi o terceiro novembro mais chuvoso desde 2000 e o 13.º mais chuvoso desde 1931, com precipitação cerca de 180% acima da média do período de referência (1991–2020).
Foram registados 15 novos máximos de precipitação para o mês, incluindo estações meteorológicas da região Centro — Coimbra/Bencanta, Figueira da Foz e Leiria — diretamente influenciadas pela dinâmica do Mondego.
A depressão Cláudia esteve na origem de chuva persistente, vento forte, trovoadas intensas e granizo, provocando ainda três vítimas mortais, vários feridos, desalojamentos e danos significativos, incluindo o tornado que atingiu Albufeira com rajadas estimadas em 220 km/h.
Impacto regional: Penacova beneficia de maior estabilidade hídrica
A recuperação verificada na albufeira da Aguieira representa um reforço importante da resiliência hídrica da região. Com níveis mais elevados, aumenta:
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a segurança no abastecimento às populações,
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a capacidade de regadio para 2025,
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a estabilidade para a produção de energia elétrica,
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a proteção contra cheias no Baixo Mondego,
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e a qualidade ecológica dos ecossistemas ribeirinhos.
Num contexto de alterações climáticas, especialistas sublinham que a monitorização permanente das albufeiras será essencial para garantir uma gestão equilibrada dos recursos hídricos.


