Autarcas defendem manutenção do projeto de duplicação sem portagens e apontam riscos de estagnação económica para os Parques Industriais da Alagoa e da Arroteia se a obra continuar atrasada.

A bancada do Partido Socialista (PS) na Câmara Municipal de Penacova apresentou uma moção a exigir ao Governo e à Infraestruturas de Portugal (IP) a execução prioritária da requalificação do Itinerário Principal 3 (IP3) no troço entre o nó da A1, em Coimbra Norte, e a zona da Lagoa Azul. O documento, aprovado a 22 de novembro, sublinha que esta intervenção é estratégica para a competitividade do concelho e para o combate à desertificação industrial que afeta o interior do país.

Uma via estrutural para o Centro

O IP3 permanece a principal ligação rodoviária entre Coimbra e Viseu, desempenhando funções de corredor logístico para indústria, serviços e mobilidade laboral. Ao longo de décadas, o traçado tem sido associado a elevados índices de sinistralidade, congestionamento e deficiências estruturais, devido ao perfil estreito, curvas fechadas e zonas de visibilidade limitada.

No troço entre o nó da A1 e a Lagoa Azul – porta de entrada no concelho de Penacova – os problemas são particularmente críticos. A orografia complexa, os volumes crescentes de tráfego pesado e a ausência de uma plataforma viária moderna representam riscos permanentes para condutores e mercadorias.

A moção relembra que existiu um compromisso assumido na anterior legislatura para requalificar e duplicar o IP3, intervindo em cerca de 85% do traçado e evitando a introdução de portagens que penalizassem os utilizadores regulares da região. O adiamento deste plano, referem os autores, constitui uma quebra de confiança com as populações e os agentes económicos.

Acessibilidades e a economia local

O Parque Industrial da Alagoa é atualmente servido por acessos insuficientes, com constrangimentos frequentes ao transporte de mercadorias e abastecimento de matérias-primas. Sem uma via de alta capacidade, o escoamento da produção torna-se mais lento e oneroso, pressionando os custos operacionais das empresas.

No caso do futuro Parque Industrial da Arroteia, o impacto é antecipatório: a ausência de uma ligação moderna ao IP3 poderá comprometer a atração de investimento e limitar a criação de emprego antes mesmo de o polo industrial se consolidar. Ambos os espaços são apontados como vetores estratégicos de crescimento, com potencial para fixar indústria e valor acrescentado no concelho.

A moção enquadra este cenário num princípio de “justiça territorial”: garantir infraestruturas rodoviárias adequadas é essencial para competir com regiões litoralizadas e evitar o ciclo de declínio económico que atinge muitas áreas do interior. A qualidade das acessibilidades influencia diretamente a produtividade, a logística e a capacidade das empresas se expandirem.

Histórico, riscos e alternativa rejeitada

A proposta original de requalificação, definida em anos anteriores, inclui a duplicação de faixa, melhoria de curvas, correções de perfil e reforço de segurança ao longo do IP3. Embora se admita, num horizonte distante, a possibilidade de avaliar uma nova autoestrada paralela com modelo de concessão, os proponentes afirmam que tal hipótese não deve ser utilizada como argumento para suspender ou desvirtuar o plano já aprovado.

A não concretização da obra nos moldes previstos, alertam, travará a competitividade de Coimbra, Penacova e Viseu, aprofundando os custos de transporte e afastando investimento industrial. A via, lembram, não serve apenas trânsito regional: é eixo estruturante na mobilidade entre litoral e interior, com impacto transversal em cadeias de abastecimento e prestação de serviços.

Envio a entidades e pressão política

A moção prevê o envio do documento ao Primeiro-Ministro, ao Ministro das Infraestruturas e Habitação, aos deputados eleitos pelo círculo de Coimbra, aos grupos parlamentares, à Infraestruturas de Portugal (IP) e à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC).

Os vereadores socialistas afirmam estar disponíveis para apoiar iniciativas do executivo municipal, independentemente da sua cor partidária, desde que defendam os interesses do concelho e da população penacovense.

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1 COMENTÁRIO

  1. O PS-Penacova precisa de não perder a memória relativamente ao IP3 e aos anúncios de tudo e mais alguma coisa feitos por António Costa e os seus ministros – em várias, repito, várias ocasiões – nos quase nove anos em que foi 1º Ministro.
    Nem toda a gente come gelados com a testa.

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