Mosteiro de Lorvão acolhe, a 28 de dezembro, um encontro que celebra as tradições musicais do ciclo natalício e destaca o papel histórico do Grupo Etnográfico de Lorvão na preservação e projeção da cultura popular do concelho, da região e do país.

Foto de José Carlos Silva Pereira

No próximo dia 28 de dezembro, pelas 15h30, o historico Mosteiro de Santa Maria de Lorvão será o cenário da 24.ª edição do Encontro de Cantares do Ciclo Natalício — uma iniciativa assente numa tradição ancestral de fé, música e comunidade.

Património vivo e memória coletiva

O Encontro, organizado pelo Grupo Etnográfico de Lorvão, retoma uma tradição venerável: os “cantares ao Menino”, entoados nas novenas ao Menino Jesus, na véspera do Natal, com a comunidade a reunir-se junto do altar no Mosteiro. 

Segundo registo antigo publicado neste Jornal, “logo que começava Dezembro, ouviam-se nas ruas as pessoas … a cantar os cânticos ao Menino, fazendo lembrar que o natal vinha perto”.

Com o passar dos anos, essas práticas comunitárias transformaram-se em encontros organizados, onde múltiplos grupos interpretam repertórios tradicionais, preservando não apenas as melodias e letras, mas todo um conjunto de rituais, costumes e cariz social.

O papel do Grupo Etnográfico de Lorvão

Fundado em 1979, o Grupo Etnográfico de Lorvão tem-se dedicado à recolha, preservação e divulgação dos usos, costumes, cantares, danças e trajes tradicionais da freguesia de Lorvão e arredores.

Ao longo de mais de quatro décadas, tem assegurado a continuidade dessas práticas — não como museologia estática, mas como vivência comunitária, devolvendo-as à praça pública, a igrejas e espaços históricos, e garantindo que se mantenham relevantes.

Em edições anteriores do encontro, o grupo envolveu-se em recolhas de memória: pessoas de “muita história” aceitaram cantar “com credibilidade as tradições desta época natalícia”.

Tradição, cultura e diversidade: o encontro como ponto de convergência

O XXIV Encontro reunirá vários grupos folclóricos convidados — tradição herdada de anteriores edições — promovendo o intercâmbio cultural entre comunidades e a valorização da diversidade local. Esta partilha reforça a identidade regional e permite a difusão de repertórios que, embora distintos, convergem na celebração do Natal através da música e da devoção popular.

Encontros anteriores e importância histórica

O historial do encontro demonstra a sua longevidade e adaptabilidade. Por exemplo, em 2010, o grupo organizador participou num encontro fora da sua terra, no âmbito de um evento montado por outro rancho, facto que atesta a mobilidade e reconhecimento nacional destas tradições. 

Além disso, ao longo dos anos, o Grupo Etnográfico de Lorvão gravou repertórios que passaram a integrar a discografia portuguesa, contribuindo para a difusão além dos contextos locais. 

Uma tradição que vive — e se renova

Mais do que evocar o passado, o Encontro renova-o: jovens e idosos, moradores da vila e visitantes, participam de um rito de continuidade cultural, onde música, memória e fé se entrelaçam. A edição deste ano representa mais do que uma atuação: significa a persistência de uma identidade que se recusa a desaparecer.

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