Reservas do grupo O+ em níveis críticos e envelhecimento dos dadores preocupam a Federação, que pede o envolvimento das gerações mais jovens.
Reservas em níveis preocupantes
A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) lançou um apelo urgente à população para reforçar as dádivas de sangue, alertando para a diminuição das reservas nacionais, em especial do grupo O+. “É muito importante contribuir com a dádiva para o bem-estar e a saúde dos milhares de doentes que dela necessitam”, refere o presidente da Federação, Alberto Mota, sublinhando que a necessidade de sangue “é uma constante nos hospitais”.
Os doentes oncológicos, os que são submetidos a cirurgias complexas e as vítimas de acidentes são alguns dos que mais dependem das transfusões, tornando o equilíbrio das reservas uma prioridade permanente.
Dadores envelhecem e novos voluntários são cada vez menos
A FEPODABES reconhece que a principal dificuldade está na renovação da base de dadores. “As pessoas, infelizmente, cada vez doam menos, e os dadores regulares pertencem a gerações que estão a envelhecer. Já não podem dar sangue a partir dos 65 anos e, portanto, isto é uma luta diária para que os mais jovens venham a doar sangue”, explica Alberto Mota.
De acordo com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), Portugal registou em 2024 uma nova redução no número de dadores, com menos cerca de 10 mil do que em 2017. Os valores aproximam-se novamente dos registados antes da pandemia, revelando uma tendência que preocupa as entidades responsáveis.
Um gesto rápido que pode salvar vidas
A Federação recorda que o processo de dádiva é simples e demora cerca de 30 minutos, sendo possível ajudar até três pessoas com uma única unidade de sangue. “Todos os cidadãos com mais de 18 anos, que tenham mais de 50 quilos e sejam saudáveis, podem dar sangue. Esse gesto simples contribui para salvar muitas vidas”, reforça o presidente da FEPODABES.
Além de apelar à mobilização dos dadores regulares, a Federação procura sensibilizar as gerações mais jovens, lembrando que o compromisso coletivo é essencial para garantir que nenhum doente fique sem tratamento por falta de sangue disponível.
Um desafio de solidariedade nacional
A quebra nas dádivas e o envelhecimento da população dadora representam um desafio crescente para o sistema de saúde. A FEPODABES e o IPST estão a reforçar campanhas de sensibilização e ações de recolha por todo o país, com o objetivo de estabilizar as reservas e assegurar a autossuficiência nacional.
Numa altura em que as necessidades hospitalares não diminuem, o apelo é claro: doar sangue é um ato de cidadania e solidariedade que pode fazer a diferença entre a vida e a morte de alguém.










