Evento “Em Volta de Nemésio” celebra o legado do autor açoriano nos moinhos da Portela de Oliveira.

A 8 de novembro, às 15h00, os moinhos da Portela de Oliveira voltam a girar ao som da palavra e da música. A associação cultural Grande Coisa! apresenta o percurso sonoro e performativo “Em Volta de Nemésio”, seguido do concerto “Sons em Nemésio”, por Luís Antero.
O evento presta homenagem a Vitorino Nemésio, escritor açoriano que foi proprietário de três moinhos naquele lugar emblemático de Penacova, onde o vento e a literatura se encontram.
Um escritor entre o Atlântico e o Buçaco
Nascido em 1901 na ilha Terceira, Vitorino Nemésio formou-se em Coimbra e tornou-se uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa do século XX. Poeta, romancista, ensaísta e professor universitário, deixou uma vasta obra onde se destacam Mau Tempo no Canal e Paço do Milhafre.
Durante as décadas de 1940 e 1950, encontrou na Portela de Oliveira, em Penacova, um refúgio de inspiração. Ali adquiriu três moinhos de vento, hoje integrados no Museu do Moinho Vitorino Nemésio, onde natureza e memória se cruzam com a sua escrita.
A paisagem como matéria literária
Nemésio via na paisagem um prolongamento da alma. O rumor das velas e o sopro da serra alimentaram o seu imaginário poético e a sua observação do mundo rural. Em várias crónicas, o escritor evocou o vento, o trabalho dos moleiros e o silêncio das serras beirãs.
Numa das suas passagens mais evocativas, escreveu:
“Sou eu ao vento e à chuva, sentado numa pedra de memória.”
A frase resume o diálogo entre o homem e o território — uma poética de escuta e pertença que Penacova conserva como parte da sua identidade cultural.
Do refúgio literário ao museu
Após a morte do autor, em 1978, os moinhos de Nemésio foram integrados num projeto de valorização patrimonial. O espaço foi reabilitado e transformado em Museu do Moinho Vitorino Nemésio, inaugurado em 2016 pela Câmara Municipal de Penacova.
O museu preserva os mecanismos de moagem tradicionais e homenageia o ofício dos moleiros, mas também a dimensão simbólica dos moinhos na obra de Nemésio. Situado a cerca de 10 quilómetros da vila, o local integra o percurso pedestre “PR2 PCV – Na Rota dos Moinhos do Buçaco”, que liga património natural, técnico e literário.
Um legado que sopra com o vento
Mais de um século após o seu nascimento, o nome de Vitorino Nemésio continua a inspirar artistas e leitores. O evento “Em Volta de Nemésio”, promovido pela Grande Coisa!, renova esse elo entre literatura, som e paisagem, propondo uma experiência sensorial nos mesmos moinhos onde o escritor observou o tempo passar.
Com produção da Grande Coisa! e apoio da Câmara Municipal de Penacova, Câmara Municipal de Coimbra, Fundação INATEL e República Portuguesa – Cultura, o programa tem duração prevista de duas horas, bilhete a 7 € e lotação limitada a 40 pessoas.
Linha do tempo — Nemésio e Penacova
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1901 — Nasce em Praia da Vitória, ilha Terceira (Açores).
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1920s — Estuda Direito e Letras em Coimbra.
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Década de 1940 — Adquire três moinhos na Portela de Oliveira, Penacova.
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1944 — Publica Mau Tempo no Canal.
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1950s — Escreve crónicas inspiradas na serra e nos moinhos.
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1978 — Morre em Lisboa.
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2016 — Inauguração do Museu do Moinho Vitorino Nemésio.
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2025 — Realiza-se “Em Volta de Nemésio”, evocando o escritor nos mesmos moinhos que o inspiraram.

📍 Local: Moinhos da Portela de Oliveira, Penacova
🕒 Data e hora: 8 de novembro, 15h00
🎟️ Bilhetes: 7 € (reserva obrigatória via acagrandecoisa@gmail.com)
👥 Lotação: 40 pessoas





