Apesar do intenso debate europeu, impulsionado pela vizinha Espanha, a mudança da hora para o regime de inverno irá acontecer este fim de semana. Mas o futuro da alteração sazonal dos relógios pode estar a ser decidido neste momento, com Madrid a propor o seu fim definitivo já em 2026.

Mudança Iminente e o Futuro
Apesar da discussão em curso na Europa, a mudança da hora para o regime de inverno irá concretizar-se. Na madrugada do próximo domingo, dia 26 de outubro, os relógios em Portugal devem ser atrasados uma hora (quando forem 02h00, passará a ser 01h00).
Contudo, a proposta de Espanha, que será agora alvo de análise e discussão nas instâncias europeias, poderá ditar o fim desta prática nos próximos anos. Para que a medida entre em vigor, é necessário que tanto o Conselho como o Parlamento Europeu cheguem a um acordo. Se for aprovada, a União Europeia terá de coordenar a transição de forma a evitar um mosaico de fusos horários não alinhados entre os Estados-membros.
Espanha propõe fim da Mudança da Hora em 2026
O Governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez, avançou com a proposta junto do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu para abolir a mudança de hora bianual. A iniciativa visa pôr termo à prática de atrasar e adiantar os ponteiros duas vezes por ano, com o objetivo de que a medida, se aprovada, entre em vigor já em 2026.
A proposta de Madrid baseia-se em três argumentos centrais:
* Falta de Poupança Energética: A ausência de evidência científica robusta que comprove uma poupança significativa de energia.
* Impacto na Saúde: Os efeitos negativos documentados na saúde e bem-estar dos cidadãos, devido à perturbação dos ritmos biológicos.
* Vontade Popular: O apoio maioritário dos cidadãos espanhóis e europeus para que a prática termine.
Efeito em Portugal: Entendimento, mas sem decisão final
A decisão de Espanha levanta a questão da posição de Portugal e da coordenação horária na fronteira ibérica. Portugal mantém o Fuso Horário de Greenwich (GMT), enquanto a maior parte de Espanha está em GMT+1, o que implica uma hora de diferença.
O Governo português, através do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou compreender as razões apresentadas pela Espanha, mas sublinhou que Portugal ainda não tomou uma posição oficial sobre qual seria o fuso horário a fixar, caso a proposta avance.
Historicamente, Portugal tem defendido a manutenção do regime bi-horário, com a hora de verão e a hora de inverno, baseado em critérios científicos. Contudo, a proximidade com Espanha e a discussão europeia colocam o tema novamente na ordem do dia para debate e ponderação nacional.



