Apesar da redução generalizada em setembro, a albufeira da Barragem da Aguieira continua entre as que asseguram níveis hídricos acima da média, segundo dados do Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH).

Descida generalizada nas bacias hidrográficas
O volume de água armazenada nas albufeiras portuguesas desceu em setembro em todas as bacias hidrográficas, segundo o mais recente boletim do Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH).
Apesar desta diminuição, a maioria das bacias apresenta valores de armazenamento superiores às médias registadas entre 1990/91 e 2023/24, o que revela uma situação globalmente estável no país.
As exceções verificaram-se nas bacias do Ave, Mondego, Mira e Ribeiras do Algarve, que ficaram abaixo das médias de referência.
Aguieira: indicador essencial na bacia do Mondego
Na bacia hidrográfica do Mondego, onde se insere a albufeira da Barragem da Aguieira, registou-se uma das descidas mais significativas, com um armazenamento médio de 57% do volume total no final de setembro.
Ainda assim, a Aguieira mantém-se como a principal reserva de água da região Centro, garantindo o abastecimento humano, a rega agrícola e a produção hidroelétrica em momentos de menor precipitação.
Especialistas sublinham que, apesar da ligeira quebra face a agosto, os níveis atuais continuam acima da média histórica, o que reflete a importância estratégica desta albufeira para a estabilidade hídrica do Mondego e dos concelhos de Penacova, Mortágua e Santa Comba Dão.
Situação nacional: sul e litoral com maiores quebras
Das 60 albufeiras monitorizadas em todo o território continental, dez apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total, enquanto cinco registam valores inferiores a 40%.
As bacias do Guadiana e Cávado são atualmente as mais bem abastecidas, com 82% e 75,5% de armazenamento, respetivamente.
No extremo oposto, as bacias do Barlavento (45,3%) e do Sado (46,8%) enfrentam as situações mais críticas, refletindo a persistência da seca no sul do país.
Menos chuva em setembro
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirma que o total de precipitação em setembro foi cerca de 60% do valor médio registado no período de referência de 1991-2020.
Esta redução contribuiu para a diminuição generalizada das reservas hídricas, sobretudo nas regiões do litoral e sul.
Importância de gestão sustentável
As autoridades reforçam a necessidade de gestão eficiente dos recursos hídricos, especialmente em bacias como a do Mondego, onde a Barragem da Aguieira desempenha um papel central na regulação do caudal e no abastecimento regional.
Com a chegada do outono e a expectativa de aumento da precipitação, espera-se uma recuperação gradual dos níveis, embora dependente da evolução climática nas próximas semanas.


