População envelhecida, economia pouco diversificada e fragilidades nos serviços marcam o presente, mas os recursos naturais e culturais oferecem oportunidades para o futuro. A um mês das eleições autárquicas, qualquer programa eleitoral que não inclua intervenções concretas nestes domínios deixará lacunas importantes para este concelho.

População em declínio e envelhecimento acentuado

Segundo o estudo da Pordata sobre os municípios portugueses, publicado no âmbito das Autárquicas 2025, Penacova, concelho do distrito de Coimbra, conta atualmente com cerca de 12.900 habitantes distribuídos por 217 km², o que corresponde a uma densidade populacional de 59,5 habitantes por km². A população tem vindo a diminuir e apresenta um forte envelhecimento: mais de um terço tem 65 ou mais anos, enquanto a taxa de natalidade bruta não ultrapassa os 5,7‰. O resultado é um elevado índice de dependência, que coloca pressão acrescida sobre os serviços sociais, de saúde e de apoio à população.

Educação e qualificações

O relatório da Pordata indica que a taxa de escolarização no ensino secundário em Penacova se situa em torno dos 59,5%, valor que, embora relevante, fica aquém das médias nacionais. Persistem ainda níveis baixos de qualificação no ensino superior e uma distribuição desigual da população escolar pelas freguesias, com algumas escolas a perderem alunos devido ao despovoamento. Estes indicadores reforçam a necessidade de apostar em políticas locais de qualificação e retenção de jovens.

Habitação e acessibilidade

No campo da habitação, os dados da Pordata revelam valores de renda mais baixos face aos grandes centros urbanos, reflexo da menor pressão imobiliária. Porém, o número de novos edifícios licenciados permanece reduzido e o acesso a habitação social ou arrendamento acessível é limitado. A dispersão geográfica do concelho e a necessidade de reabilitar edifícios antigos são aspetos centrais para a definição de políticas locais de habitação.

Economia, emprego e empresas

De acordo com a Pordata, a estrutura económica de Penacova assenta sobretudo no setor terciário, com predominância do comércio, serviços públicos e pequenas empresas, mantendo ainda ligação à silvicultura e agricultura de pequena escala. O ganho médio mensal por trabalhador foi de cerca de 1.023 euros em 2021, próximo da média regional. A baixa presença industrial limita a diversificação económica e leva muitos residentes a deslocarem-se para concelhos vizinhos, sobretudo Coimbra.

Serviços, transportes e cultura

O estudo da Pordata salienta que o acesso a serviços de saúde e transportes públicos permanece uma das fragilidades do concelho, sobretudo nas freguesias mais remotas. Já no plano cultural, Penacova beneficia de uma forte rede de associações e coletividades locais, que dinamizam a vida comunitária e ajudam a manter tradições, reforçando a identidade do território.

Turismo como oportunidade

A Pordata identifica ainda o turismo como um dos setores com maior margem de crescimento. Os recursos naturais e paisagísticos, como os rios Mondego e Alva, as serras e os miradouros, posicionam Penacova como destino de turismo de natureza e cultural. Apesar da ainda modesta capacidade de alojamento, o setor tem registado crescimento, abrindo perspetivas de valorização económica e fixação de população.

Território e ambiente

Com uma área de 217 km², Penacova apresenta uma forte cobertura florestal, simultaneamente fonte de riqueza e de risco, dada a suscetibilidade a incêndios. O estudo da Pordata sublinha a importância da gestão do território, do ordenamento florestal e da preservação da rede hidrográfica para garantir sustentabilidade ambiental e turística.

Um concelho entre desafios e potencialidades

O retrato de Penacova construído a partir dos 41 indicadores organizados pela Pordata em sete temas — população, educação, habitação, emprego e empresas, acesso a serviços e cultura, turismo, território e ambiente — mostra um concelho marcado pelo envelhecimento populacional e pela perda de jovens, mas também rico em recursos naturais, património e coesão comunitária.

A um mês das eleições autárquicas, este diagnóstico constitui um ponto de partida fundamental para avaliar as opções políticas em disputa: enfrentar as fragilidades demográficas e económicas, enquanto se potenciam as oportunidades de desenvolvimento sustentável que o território oferece.

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