Em concelhos como Penacova, atravessados pelo IP3, uma das vias mais movimentadas do país, a eletrificação deste setor é vista como urgente para melhorar a qualidade do ar e reduzir a poluição. Associação ambientalista sustenta que os ligeiros de mercadorias são responsáveis por cerca de 14 % das emissões de NOₓ nas cidades europeias e um quinto das emissões rodoviárias de GEE em Portugal.

A associação Zero lançou um apelo ao Governo para reformular e reforçar os incentivos à aquisição de veículos ligeiros de mercadorias 100 % elétricos no Orçamento do Estado de 2026, por considerar tratar-se de uma questão de “necessidade de urgência climática”, conforme anunciado no Dia Internacional do Ar Limpo para um Céu Azul, celebrado pela ONU para sublinhar a importância da qualidade do ar para a saúde e o ambiente.

Impacte ambiental dos ligeiros de mercadorias

Segundo a Zero, estes veículos são responsáveis por aproximadamente 14 % das emissões de óxidos de azoto (NOₓ) nas cidades europeias — um poluente que compromete a qualidade do ar urbano — e por cerca de 20 % das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) do transporte rodoviário em Portugal, reforçando a urgência de sua eletrificação.

Crescimento das vendas de veículos elétricos em Portugal

A transição para veículos elétricos em Portugal tem demonstrado avanços visíveis. Dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que, nos primeiros sete meses de 2025, 10 % dos veículos ligeiros de mercadorias vendidos eram 100 % elétricos, valor superior aos “pouco mais de 7 %” verificados ao longo de todo o ano de 2024, conforme realçado pela Zero.

Ainda assim, os incentivos públicos continuam modestos. O Orçamento do Estado de 2025 previu apenas 3 milhões de euros para apoiar a aquisição de veículos de mercadorias elétricos, em contraste com 10 milhões de euros destinados aos ligeiros de passageiros.

Argumentos de eficiência

A Zero lembra que cada euro investido na eletrificação de carrinhas de mercadorias representa uma aplicação mais eficaz dos recursos públicos, já que estes veículos percorrem mais de 50 000 km por ano em média, muito acima da quilometragem típica dos ligeiros de passageiros.

IP3 coloca Penacova na linha da frente dos desafios ambientais

Em concelhos como Penacova, atravessados diariamente pelo IP3, uma das vias mais movimentadas do país, a eletrificação das frotas de mercadorias teria impacto direto na redução de poluentes atmosféricos, como os óxidos de azoto e as partículas finas. A topografia do vale do Mondego, que potencia episódios de acumulação de poluição em períodos de ar estagnado, torna a urgência climática ainda mais relevante a nível local, com efeitos na qualidade do ar respirado pela população.

Zonas de Zero Emissões (ZZE)

A Zero defende ainda a criação urgente de Zonas de Zero Emissões em Portugal, à semelhança do que já acontece em várias cidades europeias. Estão planeadas 35 ZZE na União Europeia e em Londres para a década de 2030, sendo 19 já em 2025, muitas delas dedicadas ao transporte de mercadorias com emissões zero.

Segundo a associação, a adoção destas zonas em território nacional traria benefícios ambientais e de saúde pública, reduziria o ruído urbano e incentivaria a substituição acelerada das frotas de combustão por veículos elétricos.

Perspetivas para o futuro

A Zero confronta o Governo com a urgência climática e sanitária, propondo um apoio financeiro robusto e estrutural à eletrificação dos veículos ligeiros de mercadorias já no Orçamento de 2026 e defendendo a criação de Zonas de Zero Emissões. Para concelhos como Penacova, localizados em zonas sensíveis de circulação rodoviária intensa, estas medidas poderão representar um avanço crucial na melhoria da qualidade do ar e no combate às alterações climáticas.

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