Mais de 200 órgãos de comunicação de 50 países unem esforços num protesto editorial inédito para exigir o fim dos assassinatos de jornalistas e o acesso da imprensa internacional ao enclave.
O protesto global sem precedentes
Esta segunda-feira, mais de 200 meios de comunicação em cerca de 50 países – incluindo a Lusa e o Público em Portugal – participam no primeiro protesto editorial em escala global coordenado simultaneamente, organizado por Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Avaaz e Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). A ação consiste em capas impressas totalmente negras com mensagens de alerta; apagão ou banners em portais online; e interrupção da programação em rádio e televisão com declarações de solidariedade.
Um número trágico: jornalistas mortos em Gaza
Desde 7 de outubro de 2023, o número de jornalistas mortos em Gaza ultrapassa os 210, tornando este conflito o mais mortífero da história para os profissionais da comunicação. As estimativas variam: o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) conta 189, enquanto as Nações Unidas referem 247. Em qualquer cenário, trata-se de uma perda sem precedentes para a comunidade mediática internacional.
Incidentes recentes: ataques mortíferos a jornalistas
Na última semana de agosto, dois ataques israelitas agravam o cenário. No dia 25 de agosto, cinco jornalistas foram mortos num ataque duplo ao hospital Nasser, incluindo profissionais da Reuters, AP, Al Jazeera e outros. Duas semanas antes, seis jornalistas — entre eles Anas al-Sharif da Al Jazeera — foram atingidos mortalmente numa tenda em frente ao hospital Al-Shifa, em Gaza.
Denúncias e interpretações
O CPJ considera que se trata do “esforço mais letal e deliberado para matar e silenciar jornalistas” documentado pela organização. A RSF realça que Israel tem impedido jornalistas estrangeiros de entrar em Gaza há quase dois anos, deixando apenas os palestinianos a cobrir o conflito sob fogo direto. O diretor-geral da RSF, Thibaut Bruttin, alertou: “Ao ritmo em que jornalistas estão a ser mortos em Gaza, em breve não haverá mais ninguém para manter o mundo informado.”
Exigências dos media mobilizados
Os meios de comunicação envolvidos nesta mobilização lançam três exigências concretas: fim da impunidade para os crimes contra jornalistas; autorização para evacuação urgente de jornalistas palestinianos que desejem sair; e acesso independente de imprensa internacional à Faixa de Gaza.
Apoio português à mobilização
Em Portugal, a Lusa e o Público aderiram ao protesto. Luísa Meireles, diretora de informação da Lusa, declara que “não podia ficar indiferente”, enfatizando o direito do público a ser informado e a denúncia de uma guerra também contra o jornalismo. David Pontes, diretor do Público, assinala que dar visibilidade à situação é crucial para “reunir forças para parar o terror” e homenagear os jornalistas que dão tudo para informar o mundo.
Impacto e urgência
Com médias mensais que chegam a dezenas de vítimas entre jornalistas e uma comunidade mediática praticamente dizimada em Gaza, este protesto editorial internacional representa um clamor global de urgência e solidariedade. O direito à informação está sob ameaça, e a mobilização visa proteger as testemunhas essenciais do conflito: os jornalistas.

