Primeiros cinco quilómetros entre Portagem e Vale das Flores em Coimbra arrancam gratuitamente, marcando o início do BRT após mais de três décadas de adiamentos.

O Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), designado também como Metro do Mondego, entra oficialmente em operação preliminar nesta sexta-feira, 29 de agosto de 2025, com um troço de cerca de 5 km entre Portagem e Vale das Flores, em Coimbra, que contará com 10 estações e será gratuito até à abertura do percurso até Serpins (Lousã).

Histórico e contexto

O SMM surge como sucessor de um plano originalmente concebido nos anos 1990 para converter o antigo Ramal da Lousã num metro ligeiro de superfície – o projeto “Metro Mondego” – que chegou a ser iniciado, mas foi suspenso em 2010 após terem sido consumidos cerca de 107 milhões de euros. Em 2017, o Governo reformulou o projeto, substituindo o sistema ferroviário por um modelo Bus Rapid Transit (BRT), rápido, elétrico e em canal dedicado.

Características técnicas e operacionais

O novo sistema cobre 42 km e contempla 42 estações, servindo os concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã. Estima-se que a frota inclua cerca de 35 autocarros elétricos, cada um com capacidade para 136 passageiros, operando com intervalos de 5 minutos em hora de ponta na zona urbana. A procura estimada é de 13 milhões de passageiros/ano.

O investimento total ascende a 220 milhões de euros, conforme comunicado do Ministério das Infraestruturas e Habitação.

Operacionalização e fases seguintes

Nesta primeira fase, a operação começa entre as 10:00 e as 18:00 na sexta-feira. A partir de sábado, o serviço gratuito no troço urbano de Coimbra passa a funcionar diariamente entre 08:00 e 20:00, incluindo fins de semana. Este período serve para realizar testes em larga escala relativamente aos veículos, infraestrutura, sistemas técnicos, gestão operacional e a experiência do passageiro, com o objetivo de corrigir eventuais falhas antes da exploração comercial completa.

A extensão até Serpins está prevista para estes até ao final de 2025, embora ainda sem data precisa. Já para 2026 está a ser equacionada a abertura do ramal até Coimbra-B e da linha do hospital no centro da cidade, embora partes desse traçado ainda necessitem de conclusão.

Impacto e comentários oficiais

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, sublinhou que:

“Durante décadas, os habitantes da região de Coimbra esperaram, e desesperaram, pelo dia em que finalmente o Metro do Mondego entrasse em funcionamento.” E acrescentou que este lançamento é fundamental para proporcionar transportes coletivos de qualidade e ambientalmente sustentáveis às populações.

Segundo o ministério, o sistema promove coesão urbana, desenvolvimento local e combate à “pobreza de mobilidade“, além de fomentar a interoperabilidade com outros modos de transporte

Este arranque representa um marco histórico para a mobilidade na região de Coimbra, sinalizando uma viragem decisiva após décadas de adiamentos, e marca um compromisso com um transporte sustentável, inovador e centrado nas necessidades cidadãs.

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