IPMA mantém Penacova entre os 10 concelhos do distrito de Coimbra sob alerta máximo nesta quarta-feira; Governo prolonga estado de alerta até sexta-feira devido às temperaturas extremas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mantém Penacova entre os 10 concelhos do distrito de Coimbra sob risco máximo de incêndio nesta quarta-feira. No total, mais de 110 municípios do interior Norte, Centro e da região do Algarve estão hoje sob este nível de alerta, o mais elevado na escala nacional. O Governo decidiu prolongar a situação de alerta em todo o território continental até sexta-feira, dia 15 de agosto, face à persistência de temperaturas elevadas e ao agravamento das condições meteorológicas que potenciam a ignição e propagação de fogos rurais.

No distrito de Coimbra, além de Penacova, estão igualmente em risco máximo os concelhos de Arganil, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penela, Tábua e Vila Nova de Poiares. Outros municípios, como Coimbra, Condeixa-a-Nova e Soure, encontram-se em risco muito elevado, enquanto Cantanhede, Figueira da Foz e Mira estão em risco elevado. Apenas Montemor-o-Velho regista risco moderado.

O índice de risco de incêndio rural, elaborado diariamente pelo IPMA, resulta da análise de quatro variáveis meteorológicas — temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e precipitação nas últimas 24 horas. A classificação varia entre reduzido e máximo, sendo este último atribuído em situações de calor extremo, baixa humidade e vento que favoreça a rápida propagação das chamas.

Em Penacova, as condições meteorológicas previstas para esta semana reforçam o alerta. Estão previstas temperaturas máximas próximas de 36 °C, humidade relativa abaixo dos 25% e ventos moderados de leste. A estes fatores soma-se um território com relevo acidentado e grande densidade florestal, predominantemente de eucalipto e pinheiro-bravo, o que aumenta a vulnerabilidade do concelho.

Durante o período de alerta, estão em vigor restrições apertadas para prevenir ignições. É proibido o uso de maquinaria agrícola e florestal entre as 11h00 e o pôr-do-sol, com exceção de equipamentos específicos como motorroçadoras de fio de nylon. Também se recomenda evitar o uso de corta-matos e destroçadores, bem como grades de discos, em dias de risco máximo. O município de Penacova reforçou estas orientações junto da população, apelando à colaboração de todos para reduzir o risco.

Os dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) mostram que, até 8 de julho, Portugal registou quase 3 000 ignições e mais de 8 200 hectares ardidos, sendo que cerca de 70% dessa área foi consumida apenas nas três semanas anteriores. Este histórico recente confirma a elevada vulnerabilidade do território, especialmente nos concelhos do interior centro, onde as condições climatéricas e a estrutura florestal potenciam a ocorrência de incêndios de grande dimensão.

Apesar de a previsão do IPMA indicar uma ligeira descida de temperatura no litoral Norte e Centro, o calor deverá manter-se intenso no interior, justificando a manutenção do estado de alerta. Para o Governo, esta decisão permite manter restrições e reforçar a vigilância no terreno, procurando minimizar o risco e proteger vidas, habitações e património natural.

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