Escassez de quartos e rendas elevadas levam estudantes a iniciar a busca meses antes de conhecerem a colocação. Problema afeta universitários e politécnicos, com reflexos em todo o país, segundo dados e análises recolhidos pela Lusa.

Procura antecipada e preços em alta

A cada novo ano letivo, milhares de jovens deslocam-se para Coimbra para estudar na Universidade, nos institutos politécnicos e noutros pólos de ensino superior da cidade. A falta de oferta habitacional, aliada a preços elevados, leva muitos a iniciar a procura de alojamento meses antes de conhecerem os resultados do concurso nacional de acesso. Segundo dados do Observatório do Alojamento Estudantil, citados pela agência Lusa, esta tendência replica-se em todo o país e é particularmente sentida em cidades com forte peso universitário.

Coimbra com défice de mais de 10 mil camas

Coimbra acolhe atualmente cerca de 40 mil estudantes do ensino superior, dos quais 13 mil são deslocados. Apesar de contar com 2.500 camas em residências públicas, o défice estimado ronda as 10.500 vagas. A renda média de um quarto na cidade é de 425 euros, valor que representa uma barreira para muitas famílias. A situação é agravada pela elevada procura por parte de alunos nacionais e estrangeiros, bem como pela utilização de imóveis no mercado turístico de curta duração.

Comparação com outras cidades e panorama nacional

Em Lisboa, onde estudam cerca de 120 mil universitários, 60 mil dos quais deslocados, existem apenas 7.000 camas públicas, deixando um défice de 53 mil. A renda média de um quarto na capital é de 550 euros. No Porto, com 70 mil estudantes (25 mil deslocados), há 4.000 camas públicas e um défice de 21 mil, sendo o custo médio de 500 euros. A nível nacional, o sistema público oferece 25 mil camas para cerca de 133 mil deslocados, deixando um défice de 108 mil vagas e uma renda média de 450 euros.

Medidas em curso e metas do Governo

O Governo prevê concluir até setembro obras em 19 residências universitárias, acrescentando mais de 2 mil camas — a maioria novas — e podendo chegar a 4.270 com protocolos de alojamento. De acordo com balanço feito à Lusa, a meta estabelecida pelo anterior executivo era atingir 18 mil camas públicas. Atualmente, entre projetos concluídos e aprovados, já se encontram contratualizadas 19 mil camas, embora parte significativa ainda esteja por iniciar.

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