O arranque do SIT trouxe recursos e modernização, mas as falhas nos terminais, no planejamento de rede e na comunicação com os utentes criaram dificuldades reais.

Modernização com problemas na integração
Desde o arranque, a 1 de agosto, o novo Sistema Intermunicipal de Transportes (SIT), operado pela Busway, substituiu o anterior (Transdev) e reforçou a oferta com mais autocarros modernos, climatizados e em mais horários. Contudo, segundo declarações de utentes recolhidas pela Agência Lusa, esta melhoria estrutural despertou queixas generalizadas: embora o conforto e número de viagens tenham aumentado, a usabilidade e integração no espaço urbano foram prejudicadas pelas decisões de terminal.
Fim de linha em São José aumenta transbordos e tempo de viagem
O ponto final de várias linhas passou a ser junto ao Estádio Cidade de Coimbra, em São José, em vez da Baixa. Esta alteração adensou as reclamações dos passageiros, sobretudo idosos, que agora precisam de realizar mais transbordos e suportar trajetos significativamente mais longos. “Foi a pior coisa que fizeram… Quem quer ir para a Baixa tem de apanhar dois autocarros”, afirmou Maria Luísa, de 78 anos, oriunda de Miranda do Corvo, à Agência Lusa. A viagem que antes durava uma hora e pouco estende-se agora para quase duas horas e meia.
Falta de sinalética e horários deixa utentes às escuras
As paragens do SIT apresentam falhas graves de sinalética e horários: painéis desligados, folhas A4 com indicações mínimas, enquanto os abrigos dos SMTUC não identificam o SIT. A única informação disponível existe no site — em PDFs por concelho — ainda longe do formato interativo e de fácil consulta esperado. Esta carência informativa intensifica o desconforto e confusão dos utentes, especialmente aqueles menos familiarizados com tecnologias digitais ou residentes em freguesias distantes.
CIMRC promete ajustes e reforço da comunicação
A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) reconhece estas lacunas e assegura que está em curso um alinhamento técnico das linhas, com vista a transferir o ponto final dos percursos da Estrada da Beira de São José para a Portagem, na Baixa. No plano comunicacional, serão implementadas várias ações: instalação de sinalética e exibição de horários em todas as paragens; campanha de informação dirigida às freguesias; integração dos horários do SIT na aplicação Google Maps — depois de envio dos dados necessários; e investimento municipal adicional para construção de abrigos onde ainda não existem.
Uma rede moderna que ainda não serve todos por igual
A iniciativa SIT representa uma tentativa de modernizar o transporte intermunicipal e uniformizar serviços numa região marcada por deslocações pendulares intensas. O aumento da frota, condições de conforto e frequência de serviço são passos na direção correta do ponto de vista técnico e geracional. No entanto, a experiência de mobilidade carece de ser avaliada de forma mais holística: é preciso conjugar infraestrutura, comunicação e impacto real no deslocamento urbano dos utilizadores. Na prática, uma rede de transportes eficiente exige não apenas veículos novos, mas terminalidade bem posicionada, itinerários convenientes e informação clara e acessível.
Balanço provisório: avanços visíveis, desafios persistentes
O arranque do SIT trouxe recursos e modernização, mas as falhas nos terminais, no planeamento de rede e na comunicação com os utentes criaram dificuldades reais. A implementação do sistema ainda se encontra numa fase de ajustes. Cabe agora à CIMRC e à Busway consolidar os ganhos prometidos, equipando o sistema com as condições essenciais de eficiência, clareza e utilidade no quotidiano dos passageiros.












