Iniciativa financiada pela União Europeia visa reverter a fragmentação ecológica em Portugal, Espanha e França, com ações piloto em Coimbra e outras regiões do sudoeste europeu

Restauração ecológica para proteger a biodiversidade

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) é parceira científica do novo projeto europeu BeeConnected SUDOE – Restauração de Infraestruturas Verdes para os Polinizadores em Paisagens Fragmentadas, que visa combater a perda de biodiversidade e a degradação dos habitats dos polinizadores silvestres.

Coordenado pela Universidade Autónoma de Madrid e financiado pelo programa Interreg SUDOE da União Europeia, o projeto envolve investigadores e entidades de Portugal, Espanha e França, com foco em ambientes agrícolas, urbanos e periurbanos.


Coimbra como zona-piloto em contexto urbano

O estudo de caso português será realizado na área urbana e periurbana de Coimbra, com a colaboração da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). A iniciativa é conduzida pelos biólogos João Loureiro e Sílvia Castro, do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da UC e do Centro de Ecologia Funcional (CFE), em estreita parceria com o Departamento de Ambiente e Sustentabilidade da CMC.

Segundo António Martins, diretor deste departamento, “nos próximos três anos serão criadas áreas verdes estratégicas que atuarão como corredores ecológicos, ligando habitats fragmentados e aumentando a sua resiliência ecológica”. Estas ações vêm dar continuidade a políticas locais que já promovem a biodiversidade em meio urbano.


Soluções ecológicas baseadas na ciência

A prioridade do projeto é restaurar a conectividade ecológica, ou seja, ligar zonas naturais e seminaturais hoje isoladas, contribuindo para a sobrevivência e dispersão dos polinizadores selvagens, como abelhas, borboletas e outros insetos fundamentais à reprodução de plantas e à segurança alimentar.

Conforme explicou Sílvia Castro, o projeto incluirá:

  • Sementeiras de plantas autóctones ricas em néctar e pólen;

  • Recuperação de habitats degradados com base nas necessidades locais;

  • Gestão adaptativa da vegetação para maximizar os recursos florais;

  • Criação de locais de nidificação e abrigo para insetos polinizadores.

Além disso, serão elaborados guias de boas práticas para autoridades locais e cidadãos, acompanhados de ações de sensibilização comunitária, fundamentais para garantir o sucesso e continuidade das medidas implementadas.


Fragmentação ecológica: uma ameaça silenciosa

A fragmentação de habitats, provocada pela urbanização, monocultura e infraestruturação intensiva, é hoje um dos principais fatores de declínio dos polinizadores selvagens, que representam cerca de 80% das espécies de plantas com flor na Europa, segundo a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES).

O relatório de 2020 da European Red List of Bees aponta que cerca de 9% das espécies de abelhas estão ameaçadas, sendo que mais de 37% apresentam tendências populacionais decrescentes. A zona SUDOE (sudoeste europeu), onde se insere o projeto BeeConnected, está entre as regiões mais afetadas pela intensificação agrícola e alterações no uso do solo.


União científica para salvar os polinizadores

O consórcio internacional do BeeConnected reúne:

  • Universidade Autónoma de Madrid (coordenação geral);

  • Universidade de Bordéus e CREAF – Centro de Investigação Ecológica e Aplicações Florestais (França);

  • Universidade de Coimbra (Portugal);

  • SEO/BirdLife (ações de sensibilização);

  • Entidades públicas como a Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, a Câmara Municipal de Coimbra e a Diputación de Girona (implementação de ações no terreno).


Um projeto em linha com o Pacto Ecológico Europeu

O BeeConnected SUDOE enquadra-se nas prioridades do Pacto Ecológico Europeu, particularmente na Estratégia da UE para a Biodiversidade 2030 e na Iniciativa para os Polinizadores, que estabelecem metas concretas para restaurar 25 mil quilómetros de rios, plantar 3 mil milhões de árvores e restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marítimas da UE até 2030.

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