Número de candidatos desce face a 2024, mas procura mantém-se robusta. Ensino superior público oferece quase 56 mil vagas em mais de mil cursos.

Concurso Nacional de Acesso arranca com mais de 10 mil candidaturas no primeiro dia – Foto: António Cotrim/Lusa

Primeiro dia do concurso nacional de acesso regista mais de 10 mil candidaturas

A primeira fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) ao ensino superior arrancou esta segunda-feira, 21 de julho, com 10.183 candidaturas submetidas no primeiro dia, segundo dados oficiais da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). Embora expressivo, este número representa um decréscimo de 1.859 candidaturas face ao primeiro dia de 2024, ano em que se registaram 12.042 inscrições iniciais.

Tradicionalmente, o primeiro dia do concurso é o mais concorrido, dado que muitos estudantes procuram garantir a submissão imediata da sua candidatura. No entanto, o prazo para esta primeira fase estende-se até 4 de agosto, permitindo aos candidatos uma análise mais cuidada das opções disponíveis.

Mais de 55 mil vagas disponíveis no ensino superior público

Para o ano letivo de 2025/2026, as instituições de ensino superior públicas – incluindo universidades e institutos politécnicos – disponibilizam um total de 55.956 vagas no regime geral de acesso. Este número traduz um aumento de 643 lugares face ao ano anterior, refletindo a contínua expansão da oferta educativa nacional.

O regime geral de acesso abrange não só o concurso nacional, mas também concursos locais, aplicáveis a cursos com características específicas, como os de artes visuais, teatro ou música. Estão envolvidas 34 instituições de ensino superior, com mais de 1.100 cursos distintos.

Emigrantes e lusodescendentes com prazo reduzido

Os candidatos abrangidos por regimes especiais – como emigrantes portugueses, lusodescendentes ou estudantes com equivalência de exames estrangeiros – deverão submeter a sua candidatura até 28 de julho. Estes regimes destinam-se a promover a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior, considerando as especificidades dos percursos académicos fora do território nacional.

Calendário do concurso: três fases até outubro

Os resultados da primeira fase serão divulgados a 24 de agosto. Os candidatos colocados terão até 28 de agosto para proceder à matrícula e inscrição nas respetivas instituições. Segue-se a segunda fase do concurso, entre 25 de agosto e 3 de setembro, cujos resultados serão conhecidos a 14 de setembro. A terceira e última fase decorrerá de 23 a 25 de setembro, com os resultados a serem anunciados a 1 de outubro.

Este calendário visa garantir o início coordenado do ano letivo em todas as instituições, promovendo a estabilidade do sistema educativo.

Procedimentos: senha DGES e ficha ENES são obrigatórios

A candidatura é feita exclusivamente online, através do portal da DGES (www.dges.gov.pt). Para concorrer, os estudantes precisam de obter uma senha de acesso personalizada e da ficha ENES (Exames Nacionais do Ensino Secundário), emitida pela escola secundária onde concluíram os estudos.

A ficha ENES reúne os elementos essenciais para a candidatura: a classificação final do ensino secundário e os resultados nas provas de ingresso, sendo indispensável para a validação da candidatura no sistema.

Tendência dos últimos anos: ligeiras flutuações, procura continua elevada

Em 2024, candidataram-se à primeira fase do concurso 58.641 estudantes, número ligeiramente inferior aos 59.364 registados em 2023. Esta variação mostra uma estabilidade relativa na procura do ensino superior, ainda que os números estejam sujeitos a oscilações decorrentes de fatores demográficos e socioeconómicos.

A expansão da oferta de cursos e o aumento do número de vagas procuram responder à crescente diversidade de interesses e perfis académicos dos candidatos.

Ensino superior: aposta estratégica do país

O acesso ao ensino superior constitui uma das principais vias de desenvolvimento pessoal e qualificação da população jovem em Portugal. Através de políticas públicas que reforçam a equidade no acesso e incentivam a regionalização da oferta formativa, o Governo e as instituições procuram consolidar um sistema mais inclusivo e competitivo.

O atual concurso nacional de acesso representa, assim, não apenas uma etapa fundamental na vida de milhares de jovens, mas também um termómetro da evolução educativa e científica do país.

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