Distinções visam reconhecer artesãos, entidades e projetos inovadores que preservam a identidade cultural portuguesa.

Barca Serrana de Penacova em construção na carpintaria de Paulo Rodrigues, da Ferradosa, Penacova, como exemplo vivo da preservação do património.

Estão oficialmente abertas as candidaturas ao Prémio Nacional do Artesanato 2025, promovido pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). A iniciativa visa distinguir artesãos, entidades e projetos que mantenham vivo o saber-fazer tradicional português, destacando não apenas a preservação de técnicas ancestrais, mas também a inovação e a criatividade aplicadas ao setor.

Uma oportunidade para o artesanato do Centro

Artesãos e entidades de Penacova, Coimbra e de toda a região Centro estão entre os potenciais candidatos a este prémio nacional. O distrito de Coimbra tem tradição rica em várias artes e ofícios, como a arte do palito e da doçaria conventual ou o trabalho em madeira com a construção da emblemática Barca Serrana, áreas que têm vindo a ganhar visibilidade tanto no turismo como no mercado de produtos locais.

Segundo dados do IEFP, a região Centro concentra cerca de 16% dos artesãos nacionais, muitos integrados em pequenas oficinas familiares ou projetos individuais, com importância vital na economia local e na dinamização cultural.

Seis categorias em competição

O Prémio Nacional do Artesanato 2025 divide-se em seis categorias distintas:

  • Grande Prémio Carreira, destinado a reconhecer artesãos cujo percurso de vida seja marcado pela excelência e pela transmissão de saberes;

  • Prémio Inovação, que valoriza projetos que integrem novas abordagens tecnológicas, criativas ou de design no artesanato;

  • Prémio Empreendedorismo, para artesãos ou empresas que revelem dinamismo económico e capacidade de criação de emprego;

  • Prémio Entidade Formadora, atribuído a instituições que desenvolvam formação especializada na área do artesanato;

  • Prémio Promoção para Entidades Públicas e Prémio Promoção para Entidades Privadas, que reconhecem ações relevantes de divulgação e valorização do setor artesanal, tanto a nível nacional como internacional.

Setor com peso económico e cultural

O artesanato português representa não só uma expressão cultural única, mas também uma componente relevante da economia nacional. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o setor envolveu, em 2023, cerca de 120 mil trabalhadores, gerando um volume de negócios superior a 360 milhões de euros, incluindo exportações.

Desde a criação do Prémio Nacional do Artesanato, em 2009, foram distinguidos mais de 60 premiados, entre artesãos de diversas áreas e entidades públicas e privadas que têm contribuído para a valorização do artesanato português. Em 2023, o prémio registou 91 candidaturas, demonstrando o crescente interesse e dinamismo do setor.

Além do valor económico, o artesanato desempenha um papel fundamental na preservação do património cultural imaterial, integrado em várias tradições reconhecidas, incluindo patrimónios inscritos na lista da UNESCO, como o figurado de Barcelos ou a arte chocalheira de Alcáçovas.

Candidaturas até 31 de outubro

As candidaturas ao Prémio Nacional do Artesanato 2025 podem ser submetidas através do portal do IEFP, onde se encontram disponíveis o regulamento e os formulários necessários (https://www.iefp.pt/promocao-das-artes-e-oficios).

Os vencedores serão conhecidos até ao final do ano, numa cerimónia que procura, mais do que premiar talentos individuais, valorizar o artesanato como pilar da identidade cultural e da economia nacional.

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