Terceira edição da descida ecológica entre Penacova e Coimbra integra desporto, convívio e proteção ambiental.
Kayaks ao Serviço da Sustentabilidade
No passado sábado, 28 de junho, o Politécnico de Coimbra (IPC) voltou a juntar forças para limpar o Rio Mondego, numa iniciativa que, pelo terceiro ano consecutivo, alia desporto e preservação ambiental. Sob o mote “Juntos vamos ajudar a limpar as margens do Rio Mondego!”, a ação envolveu 46 participantes, entre estudantes e colaboradores do IPC, e decorreu entre Carvoeira, em Penacova, e a Praia Fluvial de Palheiros e Zorro, em Coimbra.
O trajeto foi percorrido em kayak, transformando a descida do rio num momento simultaneamente desportivo, ambiental e de convívio, como sublinha Ana Ferreira, vice-presidente do IPC:
“É uma ação com enorme sentido de responsabilidade social, através da qual pretendemos contribuir para um rio e envolvente mais limpos e, ao mesmo tempo, incentivar estilos de vida ativos e saudáveis entre os nossos estudantes e trabalhadores.”
Menos Lixo, Mas Problema das Beatas Persiste
Ao longo do percurso, os voluntários recolheram diversos tipos de resíduos, sobretudo vidro, latas e lixo indiferenciado. Dados recolhidos pelo IPC indicam que, apesar de ainda persistir poluição, se verificou uma diminuição da quantidade de resíduos face à edição anterior, sinal possível de uma crescente consciência ambiental entre a população local e os visitantes do Mondego.
Contudo, há um problema que permanece visível: as beatas de cigarros continuam a figurar como um dos resíduos mais abundantes. Este fenómeno está em linha com dados nacionais. Segundo a Quercus, cada beata pode demorar entre 10 a 15 anos a degradar-se e liberta toxinas prejudiciais aos ecossistemas aquáticos, como nicotina, metais pesados e microplásticos. Um único cigarro pode contaminar até 500 litros de água, afetando diretamente a fauna e flora do Mondego, rio que sustenta a biodiversidade e a agricultura da região Centro.
Politécnico de Coimbra + Sustentável
A iniciativa insere-se no projeto “Politécnico de Coimbra +Sustentável”, integrado na estratégia institucional do IPC para promover comportamentos ambientalmente responsáveis e preparar cidadãos mais conscientes para os desafios do século XXI, incluindo as metas europeias do Pacto Ecológico Europeu, que prevê a redução para quase zero de resíduos abandonados na natureza até 2030.
Além do impacto ambiental direto, a ação procurou reforçar os laços entre membros da comunidade académica, proporcionando um dia de natureza, socialização e partilha de valores sustentáveis.
Apoio Local e Compromisso com a Segurança
Tal como em anos anteriores, a atividade contou com o apoio da empresa Ansell Portugal – Industrial Gloves, Sociedade Unipessoal, Lda., que forneceu luvas de proteção para todos os voluntários, assegurando condições de segurança durante a recolha dos resíduos.
Este apoio evidencia como parcerias entre instituições públicas, empresas e comunidade civil são cruciais para alcançar metas de sustentabilidade locais e globais.
Impacto Regional: O Mondego e a Região Centro
A relevância desta iniciativa extravasa o âmbito académico. O Rio Mondego, com cerca de 234 km de extensão, é o maior rio inteiramente português, atravessando zonas de alto valor ambiental e económico, como a região de Penacova, onde a descida começou. As margens do rio são um recurso turístico vital, contribuindo para atividades de lazer, turismo desportivo e a economia local.
Além disso, a poluição fluvial tem impactos diretos nas zonas agrícolas do Baixo Mondego, onde se cultiva arroz, milho e outras culturas que dependem da qualidade da água, essencial também para a fauna local, incluindo espécies como a lontra-europeia e várias aves aquáticas protegidas.
Futuro Sustentável
“Não basta limpar, é preciso educar e prevenir. Estamos a formar futuros profissionais que terão de tomar decisões sustentáveis, seja em áreas técnicas, científicas ou sociais,” frisou Ana Ferreira.
Com este gesto simbólico, mas ecologicamente relevante, o Politécnico de Coimbra reafirma o seu papel na formação de cidadãos conscientes, preparados para enfrentar os desafios ambientais globais e proteger o património natural, tão vital para a região Centro e para Portugal.











