Iniciativa da CIM Região de Coimbra promove um itinerário de 260 km por nove municípios, destacando o medronheiro como símbolo de sustentabilidade, tradição e desenvolvimento local.

Rota do Medronho reforça identidade regional e valoriza cultura enraizada em Penacova
Iniciativa da CIM Região de Coimbra promove um itinerário de 260 km por nove municípios, destacando o medronheiro como símbolo de sustentabilidade, tradição e desenvolvimento local.
Medronho como embaixador da região
A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra apresentou recentemente a Rota do Medronho, um projeto estruturante que percorre nove municípios — Penacova, Mortágua, Mealhada, Lousã, Góis, Arganil, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Tábua — promovendo o medronheiro e os seus produtos como elementos identitários e estratégicos para o desenvolvimento sustentável do território.
A rota, com 260 quilómetros, é mais do que um percurso turístico. É uma plataforma para a promoção da biodiversidade, do saber-fazer local e da inovação, ligando comunidades, produtores, empreendedores e visitantes em torno de um dos recursos mais resilientes da flora mediterrânica: o medronheiro (Arbutus unedo).
Penacova e a cultura do medronho: a força da Medroalva
Penacova, um dos municípios integrados na Rota, tem sido pioneira na valorização do medronho, em grande parte graças ao trabalho da Medroalva, projeto impulsionado pelo biólogo Carlos Fonseca, investigador da Universidade de Aveiro. Através da gestão sustentável de medronhais e da produção de aguardente e outros derivados, Penacova tem consolidado a sua posição como referência nacional na fileira do medronho.
A Medroalva tem sido também exemplo de integração entre ciência, conservação da natureza e dinamização económica, mostrando como é possível preservar os ecossistemas naturais enquanto se cria valor acrescentado para as populações locais. A adesão de Penacova à Rota do Medronho surge, assim, como continuidade natural de um trabalho já enraizado no território.
Certificação regional a caminho
Um dos grandes objetivos da iniciativa é a criação de um selo de certificação de origem — Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP) — para a Aguardente de Medronho da Região Centro. Esta certificação pretende assegurar a qualidade, autenticidade e rastreabilidade dos produtos, promovendo a confiança dos consumidores e valorizando a produção regional.
A certificação representará também uma ferramenta competitiva essencial para os produtores locais, permitindo-lhes aceder a novos mercados e contribuir para a fixação de população em territórios de baixa densidade.
Território resiliente e sustentável
Segundo Jorge Brito, Secretário Executivo da CIM Região de Coimbra, esta rota constitui um “exercício de dinamização do território e de potenciar o que já existe, unindo pontos”. O responsável destacou o valor estratégico do medronheiro como recurso autóctone adaptado às alterações climáticas, capaz de resistir à seca e regenerar solos degradados.
Por sua vez, Jorge Custódio, Presidente da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, classificou a iniciativa como “o casamento perfeito entre aquilo que é nosso e a inovação”.
O medronheiro tem raízes profundas na região Centro de Portugal.
Tradicionalmente associado à produção de aguardente, tem vindo a ganhar destaque na cosmética, farmacêutica e gastronomia, com um potencial de valorização económica ainda longe de estar esgotado.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os concelhos incluídos na rota registam uma elevada proporção de território florestal e uma densidade populacional inferior à média nacional, o que torna este tipo de iniciativa crucial para a revitalização económica e demográfica do interior.
Penacova, por exemplo, combina uma forte tradição rural com um movimento crescente de valorização dos seus recursos endógenos, como os medronhais, sendo já palco de eventos e ações de sensibilização ambiental e científica ligados à valorização do património natural.
Uma rota, múltiplas experiências
A Rota do Medronho é também uma experiência turística e sensorial, conjugando gastronomia, enoturismo, turismo de natureza e rural, e atividades culturais. Através dela, os visitantes podem conhecer medronhais, provar aguardentes artesanais, participar em colheitas, visitar destilarias e integrar-se nas
A Rota do Medronho representa assim uma visão integrada de território, cultura e economia, onde Penacova surge como exemplo de boas práticas na valorização dos recursos naturais com base em conhecimento científico e identidade local. Trata-se de uma aposta estratégica com potencial para transformar o medronho num símbolo de futuro para uma região historicamente resiliente.











