Festival reúne cinco grupos de norte a sul, celebrando a herança rural e o património imaterial de São Pedro de Alva.

No próximo sábado, 12 de julho de 2025, a pacata vila de São Pedro de Alva, no concelho de Penacova (distrito de Coimbra), acolherá o XXXVIII Encontro de Folclore, promovido pelo Rancho Folclórico Cultural e Etnográfico da Casa do Povo de São Pedro de Alva, com desfile nas ruas da vila, com coreografias, trajes e música tradicional e com atuações de cinco ranchos regionais.

Os grupos participantes são: Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, Rancho Regional de Guifões, Grupo de Folclore da Casa do Povo de Válega, Rancho da Freguesia de Serrazes e o anfitrião, Rancho Folclórico da Casa do Povo de São Pedro de Alva.

Esta iniciativa insere-se num esforço contínuo de salvaguarda patrimonial: desde a sua fundação em 1978, este Rancho tem-se dedicado à recolha e estudo de trajes e usos relacionados com variadas profissões tradicionais (ceifeira, resineiro, lavadeira, malhador, padeiro, boieiro, entre outros), recriando danças e cantares do final do século XIX e início do XX.

Contexto cultural e histórico

A freguesia de São Pedro de Alva e São Paio do Mondego contava com 1 618 habitantes em 2021, dos quais cerca de 38 % tinham 65 ou mais anos, enquanto apenas 9 % tinham menos de 15 anos. Num território marcado por despovoamento e envelhecimento, projetos culturais como este Encontro geram impacto essencial no fortalecimento da memória coletiva e no envolvimento das gerações mais jovens.

O grupo anfitrião é membro de pleno direito da Federação do Folclore Português desde 2019, distinção obtida após um processo académico de documentação dos costumes e vestuário tradicionais. Tal reconhecimento sublinha a qualidade etnográfica dos seus quadros, produzidos com rigor histórico e cientificamente fundamentados em investigação arquivística e oral.

Tradições com história: trajes e danças baseados em investigação local

O trabalho do Rancho baseia-se em metodologias etnográficas reconhecidas, que incluem: recolha oral de testemunhos de memórias rurais, estudo comparativo de peças museológicas e publicação de fichas de traje, danças e instrumentos. Esses quadros são apresentados em palco, mobilizando cerca de 30–40 elementos por grupo.

A escolha do mês de julho, coincidente com o auge da vindima e das festividades de verão (como é tradição nas “festas do campo”), reforça o vínculo entre esta tradição performativa e os ciclos agrícolas sazonais, em consonância com a história da vila, cujo desenvolvimento se deu em torno da agricultura e culto de santos padroeiros (São Pedro, Santo António, São Paio).

Impacto e projeção local

Eventos culturais como o Encontro de Folclore contribuem para ativar a economia local, dinamizar a atividade turística e reforçar o sentimento identitário comunitário, reforçando valores de pertença necessários em territórios com reduzida densidade populacional. Estão previstos milhares de visitantes, alinhando-se com o perfil de festividades como a ExpoAlva, evento bienal que atrai dezenas de expositores e centenas de visitantes à localidade.

O XXXVIII Encontro de Folclore de São Pedro de Alva não é apenas um festival folclórico — é um projeto cultural, científico e antropológico. Ao promover um percurso coreográfico pelas ruas da vila e um festival de alta fidelidade às tradições, reforça o legado imaterial da região e acende um renovado interesse pelas raízes etnográficas entre as novas gerações.

O Encontro convoca moradores e visitantes a testemunhar uma “viagem no tempo”, com trajes, cantares e danças que narram ancestralmente as vivências e identidades de uma comunidade rural portuguesa, hoje enfrentada pelos desafios do envelhecimento e despovoamento.


Fonte e contactos do evento:
Rancho Folclórico Cultural e Etnográfico da Casa do Povo de São Pedro de Alva. Organizam e promovem o encontro em articulação com a Junta de Freguesia e o Município de Penacova.

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