IPMA e DGS emitem avisos e recomendações à população para enfrentar a subida extrema das temperaturas, com especial atenção aos grupos vulneráveis.

O território continental será afetado, a partir de segunda-feira, por uma vaga de calor de grande intensidade, com temperaturas máximas a ultrapassarem os 40 °C em várias regiões. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou, para esse dia, 13 distritos sob aviso amarelo devido à persistência de valores muito elevados da temperatura máxima. Este alerta será alargado na terça-feira a todo o país, incluindo o distrito de Coimbra, onde se prevêem máximas acima dos 38 °C.
Distrito de Coimbra sob aviso amarelo a partir de terça-feira
Coimbra junta-se aos distritos em alerta na terça-feira, dia em que se prevê um agravamento generalizado das temperaturas. A cidade poderá atingir os 39 °C, com mínimas a rondar os 21 °C, colocando em risco a população mais vulnerável. Este cenário exige precauções redobradas, especialmente em zonas urbanas, onde o fenómeno das “ilhas de calor” tende a agravar os efeitos térmicos.
As previsões colocam Coimbra entre os distritos com risco elevado de incêndio rural e de impacto na saúde pública, sobretudo nas freguesias mais interiores e com menor arborização. A combinação de calor seco, fraca ventilação e baixa humidade relativa do ar aumenta os riscos de desidratação e de sobrecarga térmica.
Direção-Geral da Saúde emite recomendações de proteção
Face à persistência de temperaturas extremas, a Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta para a necessidade de cuidados acrescidos. Entre as principais recomendações, destaca-se a ingestão de água ao longo do dia, mesmo sem sede, a permanência em espaços frescos ou com climatização por, pelo menos, duas a três horas diárias, e o uso de roupas leves, largas e de cor clara.
A DGS aconselha ainda a evitar atividades físicas intensas durante o período de maior calor — entre as 11h e as 17h —, bem como a exposição solar direta. É fundamental aplicar protetor solar com fator igual ou superior a 30, renovar a aplicação a cada duas horas e após banhos, e utilizar chapéus e óculos com proteção UV.
Populações vulneráveis em maior risco
A vaga de calor representa um perigo particular para crianças, idosos, grávidas, doentes crónicos e trabalhadores que desempenham funções no exterior. A DGS recomenda que se assegure a hidratação frequente e o conforto térmico destes grupos, apelando à vigilância ativa sobre pessoas idosas ou isoladas, que podem não manifestar atempadamente sinais de alerta.
Crianças com menos de seis meses não devem ser expostas ao sol, nem mesmo indiretamente, e os trajetos de automóvel devem ser planeados para as horas de menor calor, evitando a permanência em veículos estacionados ao sol — uma das causas mais frequentes de incidentes graves durante ondas de calor.
Informação e prevenção: a chave para evitar situações de risco
A DGS reforça a importância de acompanhar os boletins meteorológicos atualizados e seguir rigorosamente as orientações das autoridades de saúde e proteção civil. Em caso de sintomas como suores intensos, febre, vómitos, náuseas ou alterações do ritmo cardíaco, deve ser contactado o SNS 24 (808 24 24 24) ou, em situação de emergência, o 112.
A frequência e intensidade crescentes de ondas de calor em Portugal têm sido objeto de estudo por parte do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, que aponta para uma relação direta com as alterações climáticas em curso. O distrito de Coimbra, pelo seu posicionamento geográfico e densidade populacional, está particularmente exposto a estes fenómenos, sendo essencial a articulação entre autarquias, serviços de saúde e população na mitigação dos seus efeitos.












