Com reservas em queda e falta de dadores jovens, evento reúne mais de 780 participantes para homenagear beneméritos e refletir sobre o futuro da dádiva voluntária em Portugal. Em Penacova, as campanhas de recolha de colheita de sangue, são promovidas regularmente pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Concelho de Penacova.

Assinala-se hoje, 14 de junho, o Dia Mundial do Dador de Sangue, uma iniciativa promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de sensibilizar para a importância da doação de sangue voluntária, regular e não remunerada, essencial para salvar vidas e sustentar os sistemas nacionais de saúde.

Em Portugal, a data é celebrada de forma especialmente marcante em Santa Maria da Feira, onde decorre este sábado um encontro nacional e internacional com mais de 780 participantes ligados à dádiva de sangue. O evento, que representa o 37.º convívio nacional e o 31.º convívio internacional de dadores, é promovido pela FAS Portugal – Federação das Associações de Dadores de Sangue, com o apoio logístico e institucional da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Santa Maria da Feira (ADBS-SMF), a mais ativa do país em número de colheitas.

O programa tem início com uma concentração no Monumento ao Dador de Sangue, junto ao Hospital São Sebastião, e inclui uma homenagem especial a cidadãos que realizaram 100 ou mais dádivas ao longo da vida, reconhecendo o seu contributo cívico e solidário.

Reservas em queda e alerta para a falta de renovação geracional

Apesar da celebração, o tom do evento é também de preocupação com o futuro das reservas de sangue em Portugal. De acordo com Albano Dias Santos, presidente da associação anfitriã, os dados revelam uma tendência decrescente nas dádivas desde 2010, agravada pela escassa adesão de novos dadores, sobretudo entre os mais jovens.

“As reservas nos hospitais estariam com melhores níveis se os jovens portugueses também começassem a fazer dádivas”, afirma o dirigente, alertando que a renovação geracional é essencial, já que muitos dadores ativos estão a aproximar-se do limite legal de idade.

As regras nacionais definem que os dadores devem ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 kg, manter hábitos de vida saudáveis e estarem em bom estado de saúde no dia da colheita. Homens podem doar de três em três meses e mulheres de quatro em quatro meses.

A ADBS-SMF realizou 6.112 colheitas efetivas em 2024, graças a um programa de recolha regular com sessões às quartas e sextas-feiras à tarde. No entanto, a associação sublinha que tem encontrado grandes dificuldades em levar ações de formação às escolas, apesar de múltiplas propostas enviadas a estabelecimentos de ensino da Feira e de municípios vizinhos.

“Somos nós a assegurar a formação e a tentar criar consciência nos jovens. Mas as escolas não nos querem receber e, na maioria dos casos, nem sequer nos respondem”, lamenta Albano Dias Santos.

Um apelo à solidariedade e ao compromisso social

O evento deste sábado está aberto ao público, mediante inscrição prévia, e representa não só um momento de convívio, mas também uma oportunidade de apelar à participação ativa dos cidadãos na dádiva de sangue — um gesto simples que pode salvar até três vidas por colheita.

A OMS relembra que, em todo o mundo, as transfusões de sangue são essenciais em contextos como cirurgias, partos, acidentes, tratamentos oncológicos e doenças crónicas. No entanto, o fornecimento depende inteiramente da solidariedade individual.

“É um gesto que leva apenas algumas horas por ano, mas tem um impacto vital”, conclui o presidente da ADBS-SMF. “O sangue não se fabrica; só pode ser dado por quem está consciente da sua importância.”

 

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