Evento educativo e criativo reúne universidades de Coimbra e Nova Iorque, com forte ligação ao território e à comunidade local.

Entre os dias 17 e 20 de julho de 2025, Penacova será o ponto de encontro de estudantes, professores, artistas e arquitetos portugueses e norte-americanos no À DERIVA: Festival de Arquitetura, Design e Artes, um evento internacional que coloca o concelho no centro de uma reflexão criativa sobre o território, a identidade e a ligação ao rio Mondego.

Inspirado no conceito de dérive, introduzido pelo filósofo francês Guy Debord nos anos 1950, o festival propõe um modo diferente de olhar e experienciar os lugares. A dérive é uma espécie de passeio sem rumo fixo, em que o participante se deixa guiar pelas sensações, pelos espaços e pelos encontros inesperados. No contexto do festival, esta ideia ganha forma através de projetos artísticos e de arquitetura desenvolvidos in loco pelos participantes.

O festival nasce de uma parceria entre o Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra (@darq.uc) e o Pratt Institute, uma prestigiada escola de arte e design de Nova Iorque (@prattinstitute). Envolve estudantes e professores de ambas as instituições e distingue-se por integrar o ensino com a prática, utilizando o método de “projeto como investigação” — ou seja, criando conhecimento através da ação criativa no terreno.

Com o rio Mondego como linha orientadora e simbólica, a primeira edição do À DERIVA escolheu Penacova como ponto de partida por ser uma região com grande riqueza paisagística, histórica e cultural. Ao longo dos quatro dias, os visitantes poderão assistir a intervenções artísticas, percursos temáticos, instalações e conversas abertas à comunidade, que serão divulgadas em breve no programa oficial.

O festival é financiado pelo Programa UP–Ensino Superior 2025 da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), e conta com o apoio das empresas Amorim Cork e Robbialac, além da colaboração fundamental de entidades locais e regionais como o Município de Penacova, a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC), o CEARQ_TD e a associação cultural Ano Zero.

Este festival é uma oportunidade única para a população local contactar diretamente com práticas contemporâneas de arte e arquitetura, e também para mostrar Penacova a uma audiência internacional que valoriza o território, a natureza e o património”, sublinha um dos organizadores.

Além de fortalecer a relação entre ensino, criação artística e comunidade, o evento pretende lançar as bases para novas formas de viver, pensar e intervir no espaço público e no património natural da região Centro.

História, Educação e Território de Mãos Dadas

A inspiração do festival no conceito de dérive vem de Guy Debord e do movimento da Internacional Situacionista, que defendia novas formas de experienciar a cidade e os espaços públicos como resposta à vida urbana moderna e padronizada. Essa filosofia tem sido integrada em práticas de ensino artístico e arquitetónico, como as seguidas no @darq.uc e no @prattinstitute, onde o projeto é também uma forma de investigação.

O À DERIVA pretende mostrar que, com criatividade, colaboração e respeito pelo território, é possível valorizar o interior de Portugal e abrir caminho a novas formas de desenvolvimento local e cultural.

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