Num tempo em que muitos viajantes procuram escapar à agitação das grandes cidades, os destinos mais pequenos e autênticos estão a ganhar destaque e Penacova é um excelente exemplo.

Segundo um estudo recente do portal de casas de férias Holidu, Penacova integra o ranking das vinte localidades portuguesas mais procuradas para viajar em 2025. A análise baseou-se no volume de pesquisas mensais no Google por parte dos utilizadores portugueses, incidindo apenas em localidades com menos de 30 mil habitantes.
O ranking é liderado por Porto Moniz, na Madeira, mas Penacova destaca-se entre os destinos do continente mais desejados. A crescente popularidade do concelho reflete a valorização de locais que oferecem tranquilidade, beleza natural e autenticidade — três qualidades que Penacova tem em abundância.
Natureza: rios, miradouros e trilhos
A paisagem de Penacova é dominada pelos rios Mondego e Alva, que moldam um território fértil em encantos naturais. Os miradouros do Penedo de Castro, da Portela de Oliveira e da Livraria do Mondego oferecem vistas de cortar a respiração. As margens dos rios são ideais para caminhadas, piqueniques ou passeios de barco, sendo também um convite a atividades como canoagem e cicloturismo.
Os trilhos pedestres e os antigos moinhos da Serra da Atalhada, da Serra de Gavinhos e da Portela de Oliveira, fazem de Penacova um destino privilegiado para quem procura contacto direto com a natureza e experiências autênticas.
Cultura e património com alma local
A riqueza cultural de Penacova está refletida em vários espaços interpretativos que celebram o património material e imaterial do concelho.
O Centro Interpretativo do Mosteiro de Lorvão, localizado na vila de Lorvão, oferece uma imersão na história de um dos mosteiros mais antigos de Portugal. Com exposições que incluem obras de arte sacra e manuscritos iluminados, o centro acompanha a evolução do espaço monástico desde o período visigótico até à atualidade. Destaca-se ainda pela exposição do “Livro do Apocalipse”, classificado pela UNESCO como “Memória do Mundo”. Uma aplicação móvel facilita a visita interativa ao monumento, enriquecendo a experiência dos visitantes.
Também em Lorvão, o Centro Interpretativo do Palito, instalado na Casa do Monte, destaca-se pela valorização da arte da escultura em palito, uma prática artesanal com forte enraizamento na região. O espaço revela a minúcia e criatividade dos artesãos locais e mantém viva uma expressão artística singular no panorama nacional.
Já o Museu do Moinho Vitorino Nemésio, na Portela de Oliveira, freguesia de Sazes do Lorvão, é dedicado à memória dos moinhos e da atividade moageira tradicional. Antigo refúgio do ministro Arantes de Oliveira e do escritor Vitorino Nemésio, o museu do moinho possui 6 salas onde está exposto um rico espólio ligado à moagem. O museu preserva e interpreta a história da moagem tradicional, tão marcante na vida económica e social do concelho.
Sabores de Penacova: tradição à mesa
Penacova é também conhecida como a Capital da Lampreia, um título que celebra este singular ciclóstomo, quase desaparecido das nossas águas, apreciado pelos gourmets e um dos pratos mais emblemáticos da região. A lampreia do rio Mondego é protagonista da gastronomia local, sendo confeccionada tradicionalmente em pratos que combinam história e sabor.
Além da lampreia, a gastronomia local oferece a chanfana — prato emblemático feito em caçoila de barro, cozinhada lentamente em vinho tinto —, arroz de míscaros, cabrito assado, queijos e enchidos artesanais, bem como o pão cozido em forno a lenha.
A doçaria conventual, com especial destaque para os pastéis de Lorvão e as Nevadas, herda a tradição do Mosteiro de Lorvão e continua a adoçar quem por aqui passa.
Destino em ascensão
Os dados recolhidos durante o mês de maio pela Holidu mostram que Penacova está no radar dos portugueses enquanto destino de eleição. Este reconhecimento reflete a autenticidade e o valor do território, além do esforço coletivo de promoção cultural e turística.
Com natureza, património, sabores e histórias para contar, Penacova é hoje um lugar onde o tempo abranda — e onde os viajantes voltam a descobrir Portugal.
