Mais de dois mil supermercados aderem à recolha de alimentos este fim de semana, numa altura em que a taxa de pobreza afeta centenas de milhares de portugueses.

Isabel Jonet – Foto de Miguel Silva

O Banco Alimentar Contra a Fome promove, neste fim de semana, mais uma grande campanha de solidariedade, com recolha de alimentos em mais de dois mil supermercados de todo o país. A iniciativa mobiliza mais de 40 mil voluntários e pretende dar resposta às necessidades crescentes de milhares de famílias portuguesas em situação de vulnerabilidade socioeconómica.

A ação decorre sob o lema “A sua ajuda tem um nome: o nome de quem a vai receber”, reforçando o caráter humanizado da campanha e a ligação direta entre quem dá e quem recebe. A iniciativa é promovida pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, cujo rosto mais visível é Isabel Jonet, que alerta: “A taxa de pobreza em Portugal continua muito elevada”.

Os voluntários distribuem sacos próprios do Banco Alimentar nas lojas aderentes, apelando à doação de bens alimentares não perecíveis, como leite, conservas, azeite, açúcar, farinha e massas. Posteriormente, os produtos recolhidos são encaminhados para os armazéns regionais da rede de Bancos Alimentares, onde são pesados, triados e acondicionados antes de serem entregues às entidades beneficiárias locais, num modelo de atuação já consolidado em campanhas anteriores.

Além da doação direta de bens, os cidadãos podem participar através da iniciativa “Ajuda Vale”, em que vales de produtos estão disponíveis nas caixas dos supermercados até ao dia 8 de junho. Esta modalidade permite uma contribuição prática e adaptada à realidade do consumo moderno.

Isabel Jonet sublinha a importância da campanha num contexto social particularmente desafiante: “Há muitos idosos que vivem sós e o peso da habitação representa uma fatia muito elevada dos orçamentos familiares. Muitas pessoas com trabalho não conseguem fazer face às despesas básicas”, afirma. A responsável destaca ainda o impacto direto das doações: “A partilha de alimentos básicos tem um impacto real em pessoas concretas.”

De acordo com dados oficiais da Federação, em 2024 os 21 Bancos Alimentares ativos no território nacional apoiaram mais de 360 mil pessoas, através de uma rede de 2.300 organizações sociais. No total, foram entregues 27.800 toneladas de alimentos, o equivalente a mais de 100 toneladas por dia útil.

Esta campanha representa, assim, um esforço coletivo de grande escala, que mobiliza cidadãos, empresas e instituições numa resposta solidária a um dos problemas sociais mais persistentes em Portugal — a insegurança alimentar. Num país onde cerca de 16% da população se encontra em risco de pobreza ou exclusão social, iniciativas como esta continuam a ser um pilar essencial de apoio à dignidade e à coesão social.

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