Luís Pais Amante

Pois é, a Banca já nada tem de social;… é mesmo só capital!

Hoje vou falar convosco sobre esse “monstro” a que chamamos “Banca”, que na minha Opinião ultrapassou todos os limites do bom senso durante o ano que findou, a pontos de eu próprio considerar ser, de momento, a maior “aberração” do nosso País, “…em propósito de incomensurável ganância sem limite ou rédea”, como recentemente foi equacionado no STJ!

Não me repugna o facto de os acionistas desse negócio retirarem o devido e bom lucro do seu investimento. Está de acordo com as chamadas “regras do mercado”…e é legítimo tê-lo.

Mas repugna-me mesmo muito que essas entidades funcionem numa lógica de agiotagem pura, sistemática, a pontos de um Estudo recente considerar que os lucros da Banca Portuguesa é quase o dobro da média dos da Banca Europeia…

Cobram taxas, taxinhas, cartões e cartõezinhos, cartas e cartinhas e toda uma panóplia de serviços sofisticadamente inventados (muitos gratuitos aquando do aliciamento para a abertura das contas) para usarem e manipularem o nosso dinheiro, muitas vezes utilizando o desconhecimento -e a necessidade- dos Clientes como arma de actuação vergonhosa.

!… Sim, os banqueiros não desenvolvem o seu negócio com o seu dinheiro; são servidos por uma série de indivíduos que se fazem de tecnocratas importantes e já suplantam, hoje, os bancários que são sérios; utilizam o nosso dinheiro, pura e simplesmente e cobram desmesuradamente por isso …!

Em duas dimensões:
– o nosso, nosso, que lá depositamos sem juros ou com juros residuais;
– o dos nossos impostos quando colapsam, por roubo ou má gestão e temos de os recuperar para não “conspurcar” a credibilidade externa.

O nosso País tem sido um exemplo triste de como se “deixa andar” este negócio, praticamente em via verde, sem controle, sem maturidade, sem qualquer exercício visível da Soberania do Estado.

Aqui há uns anos, poucos, foram abaixo -por exercícios muito duvidosos – o Grupo BES, o Grupo Banif, o Banco Privado Português, o BPN, etc, etc.

O parco dinheiro do Povo Pobre, foi intimado a pagar toda essa desgraça de milhões de milhões; mas os casos continuam em curso nos Tribunais, ainda sem vermos luz ao fundo do túnel…

Os depositantes -nós todos- ficámos bem prejudicados com tudo isso, inclusive, alguns com aplicações mal controladas, que saíram pela borda fora, sem Estado por trás, sem respaldo, sem nada. Tipo terceiro mundo…

O exemplo mais triste é o dos nossos Emigrantes (hoje designados por “lesados”) que foram, isso sim, roubados.

Chegou-se ao cúmulo de termos um Banco novo a “sugar” um determinado Fundo criado com….com mais do nosso dinheiro, o que é absolutamente caricato.

Pagámos os hipotéticos prejuízos e nunca beneficiaremos dos lucros que surgiram aos magotes logo, logo, após o fim do período da dádiva, como de milagre se tratasse. Principalmente neste ano de pornografia lucrativa.

Ficámos sempre com a ideia de que as Entidades de Controle nunca funcionaram…ou por não quererem ou por não serem capazes ou por terem algum interesse nisso mais adiante.

A teia -vamos sabendo- terá sido bem montada.

Entretanto surge a inflação, a Guerra e sei lá mais o quê e os juros da generalidade do nosso dinheiro continua a zeros, sem render nada ou quase nada, enquanto ele “nosso dinheiro” é utilizado na especulação imobiliária, que na maior parte dos casos, atinge -vejam bem a catástrofe e o caricato- as necessidades de habitação dos nossos próprios Filhos.

E eu pergunto:
– Que raio de País é este? Com quem é que andamos metidos?

Não são já mesmo, quase só, “espertos” a viver à nossa conta?

Exigia-se intervenção para:
– fazer caducar taxas e serviços indexados ao movimento e utilização do dinheiro em depósito;
– controle a montante do tipo de contratos celebrados (quiçá impostos) dos empréstimos para aquisição de habitação;
– aplicação carregada de impostos sobre os aberrantes “lucros excessivos”.

Mas o nosso Estado tem estado paralisado na fiscalização e no controle desta actividade quase impura, saiba-se lá porquê.

Aqui chegados,

Falemos das obrigações da tal Banca correlacionada com a sua apregoada função social:
– Era suposto ter cobertura no País, com agências nas localidades, para garantir proximidade; …mas têm vindo a fechar em catadupa!
– Era suposto darem emprego no local da captação do nosso dinheiro…mas têm vindo a despedir a nossa gente!
– Era suposto terem uma função social nos locais mais recônditos…mas já lá não estão para a suprir!

Até os desgraçados dos nossos reformados estão a atravessar dificuldades imensas para conseguir receber o seu próprio dinheiro, deslocando-se quilómetros, muitos sem condições!

E a pergunta que se deve fazer é:
– Então para que raio é que precisamos da Banca dos agiotas?

Não será de fechar as contas todas e de colocar o dinheiro só naqueles que, ainda, cumprem, minimamente, as funções acima?

Eu falo com propriedade porque já iniciei esse processo!

… e tenho encontrado mesmo muita resistência para decidir sobre o que é meu. Só me tem valido ser Advogado, mais ou menos informado.

Ficam aflitos de cada vez que lhes falamos em “encerrar contas”; criam dificuldades imensas; corre-se de balcão a serviço, deste a departamento, com regresso ao balcão;…estão todos atrás dos computadores, escondidos.

Só se põem em sentido quando pedimos o Livro de Reclamações ou ameaçamos com queixa ao Banco de Portugal.

E porque é que será, pergunto eu?

Luís Pais Amante

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. É certo Amigo Dr. Luís!
    O nosso dinheiro não rende nada e andamos a enviá-lo para Portugal.
    Quando se necessita de um empréstimo é uma loucura de encargos…

  2. Eu tenho ouvido falar destas dificuldades todas a que se refere o autor.
    Agora imaginem quanto é que elas se agravam para quem cá está emigrado?

  3. Magnífico artigo que se opõe a uma corrupção silenciosa, quase desapercebida pelos olhares desatentos das pessoas. O autor tem a coragem de rasgar o tecido da acomodação e despertar nos leitores o desejo de restaurar a dignidade e a justiça.

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