Lisa Gambini

Inicia-se um novo ano e eis que somos invadidos pela esperança de que 2024 nos possa trazer dias mais luminosos e iluminados e que as coisas menos boas fiquem para trás, no ano velho! 

E se, globalmente, os últimos anos foram marcados pela crise: geopolítica, social, inflacionária, de habitação, para muitos, o Ano Novo oferece uma oportunidade de renovação, de conquista, de equilíbrio. 

A finalização de um ano e o início de outro traz-nos a possibilidade de encerrar um ciclo e de viver uma nova etapa e novas histórias. Olhar para este início de ciclo como algo positivo, é já um bom ponto de partida. 

Se o ano de 2023, nos trouxe tantas más notícias, como guerras, instabilidade mundial, tensão social e económica, alterações climáticas preocupantes, entre tantas outras, também nos trouxe algumas notícias que nos fazem ter esperança: a pandemia de covid-19 oficialmente terminou, tivemos progressos no tratamento do cancro e do  Alzheimer, assistimos à desenvolução para a igualdade de género, demos passos para a neutralidade carbónica, voltamos ao cinema, recuperamos espécies dadas como extintas… 

De facto, vivemos, a nível mundial, um dos anos mais violentos desde a segunda guerra. E se toda esta conjuntura nos afeta a todos, enquanto indivíduos e sociedade, aproveitemos esta alteração de calendário, que nos incute esta vontade de mudança, e estejamos comprometidos com a possibilidade de renovação, de recomeço.  

A verdade é que sempre que iniciamos um novo ano, sentimos uma vontade de mudança, mas a frase “Ano Novo, vida nova”, mais do que um desejo, implica compromisso. O compromisso de fazer novas escolhas, ou, pelo menos de tentar.  

Ano novo, vida nova, sim, mas se nós não formos diferentes, não agirmos diferente e não pensarmos diferente, então, vai ser ficar tudo igual. Um ano diferente, um ano melhor, depende de sermos, nós próprios, diferentes.  

Diferentes na abordagem aos assuntos, na postura, na visão de vida, na gestão das emoções, na demonstração de afetos, na valorização do importante e desvalorização do supérfluo, e em tantas outras coisas.  

Precisamos, sobretudo, de esperança e desapego, para perceber que nada é permanente, mesmo as etapas mais sinuosas. E isto possibilita novos inícios, alterações positivas e fomenta a expectativa de nos tornarmos melhores. 

O início de um novo ciclo, mais do calendarizado com a passagem de ano, tem de ser despertado em nós. Pequenas mudanças, são um ótimo começo de ano e se as conseguirmos manter são uma grande vitória. Alterar pensamentos e comportamentos é um processo que exige esforço e motivação, mas temos sempre a livre expectativa de vir a ser melhores, pessoal e coletivamente, e isso já é bom.  

O planeta está cheio de pessoas ditas bem-sucedidas, influenciadores, etc., mas precisa (tanto!) de pessoas empáticas, empenhadas e comprometidas, de pacificadores, de contadores de histórias …  

Com guerras insanas, vírus pandémicos, desigualdades sociais alarmantes, crises económicas e climáticas, nunca como agora, precisámos tanto de empatia, que nos permita menor discriminação e mais capacidade de identificação com os outros, e otimismo, para valorizar os pontos positivos da vida, (sem, contudo, ignorar os negativos) e fomentar a confiança e a força para fazer acontecer.  

Portanto se houver lugar a desejos (comprometidos, porque os desejos não passam disso mesmo se não agirmos), que em 2024 sejamos mais empáticos e otimistas! 

Venha de lá esse Ano Novo, venha de lá a esperança e possibilidade de renovação. Cabe a cada um de nós, abraçar, se nos fizer sentido, esta oportunidade que o calendário nos proporciona.  

Ano Novo, vida nova? Quem sabe?! 

Lisa Gambini

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