Luís Pais Amante

Tenho andado por aqui, assim, cabisbaixo
Estou chateado, aborrecido como o diacho
Sem decidir se quero passar este Ano mau
Com receio de que me apareça um degrau
Já estou nos setenta anos das memórias
De momentos muito bons e de histórias
Tempos de tristeza e de dias na pobreza
Outros de alegria contida com sã riqueza
E agora, de repente, deixei de ter crença
Só vejo passar nuvens com muita poeira
Discussão estéril de como subir a “avença”
O Ano Novo está mesmo ali à maneira
É dar um salto e apanhá-lo na cegueira
Ou ficar neste, acorrentado na “doença”?
Luís Pais Amante
Casa das Hortenses
Aqui, na minha introspecção, preocupado com o Mundo que aí vem!





O nosso Poeta está a chamar a nossa atenção para as consequências deste Mundo em guerras e em disputas entre Estados, cujos Povos vão sofrer.
Luís Amante, não há como não mergulhar em suas fortes palavras realistas e dolorosas sem sentir o peso da desesperança e não nos sentirmos identificados com a sua lúcida percepção dos fatos.
O que nos alimenta cada dia é o amor de nossa família e com esse amor seguimos em frente e quem sabe o degrau seja mais um obstáculo da nossa caminha do viver e que mais em frente o inesperado nos traga uma nova esperança.