Ema Pinéu Karateca de 14 anos é 5º classificada do ranking mundial na categoria de cadetes -47 kg, conquistou várias medalhas em provas internacionais e almeja ainda mais conquistas no Campeonato da Europa e no Mundial. Atleta penacovense do Karate Coimbra também já é treinadora, apesar de jovem, e fala sobre os desafios com os “pequenos”

Diário de Coimbra: O ano de 2023 foi o melhor da sua carreira?
Ema Pinéu: Foi, sem qualquer dúvida. Foi também o ano em que estive mais aplicada e treinei mais, principalmente nas férias em que não parei. E penso que foi isso que fez a diferença para este ano bom.
Dos pódios internacionais e das provas que conquistou, qual aquela que mais destaca?
A que mais me encheu o coração foi no México em que foi o lugar mais alto que subi ao pódio. Mas sei que na minha última competição também me senti muto bem porque estava 100% focada. Já tinha ido lá mas sei que aquela é das provas mais difíceis do circuito mundial e fiquei feliz em ter conseguido chegar ao pódio.
Existiu algum combate em que se tenha surpreendido a si própria com a performance que teve?
Logo no primeiro combate no torneio de Veneza fiz uma técnica de projeção que tenho treinado e nunca pensei que me saísse assim tendo acontecido de forma instintiva. Fiquei surpreendida com a forma com o fiz aquilo.

Tem algum ritual ou momentos eu que faça antes de entrar nos combates?
Faço exercícios de respiração e, dependendo dos combates e da minha adversária, tento sempre ter uma mentalidade mais positiva e encorajadora para entrar confiante para o combate.
Como é que vê a modalidade no nosso país?
Acho que está a crescer cada vez mais em termos de conhecimento das pessoas, naquilo que é o mediatismo que tem, mas penso que mesmo assim ainda não é apoiado e reconhecido da forma que merece.
Qual é o seu sonho na modalidade?
Um dia, serei campeã do mundo. E, sendo convocada para o Campeonato da Europa, o meu objetivo é chegar ao pódio.

Também, ainda com esta tenra idade, tem a responsabilidade de ajudar e dar treinos aos mais pequenos. Sente que isto a faz ver a modalidade de outra forma?
Sim, eu sinto que agora reparo mais na importância que o karaté tem para o desenvolvimento cognitivo e físico das crianças e sei que não é só mais um desporto e que também influencia na vida pessoal e mesmo na escola.
Lembra-se do primeiro treino que orientou?
Não me lembro, porque costumava ajudar a minha mãe, só que eu só ajudava, não era tão sério como agora.
E agora de que forma setor se tornou mais séria essa parte?
Tenho uma turma que é mesmo minha. Dou treinos com um colega meu, só os dois mas agora responsabilidade é muito maior porque as crianças estão apenas à nosso cargo e não de um cinto preto adulto, por assim dizer.
Recorda-se de como era quando a Ema tinha a idade deles?
Não me recordo, mas quando vejo vídeos parece que volto àquele tempo e sempre que me lembro de algumas memórias fico nostálgica.
Na questão dos cintos. É cinto castanho. O que é que lhe falta para chegar ao preto?
É só a idade, porque eu se tivesse l5anos já estaria no preto há dois anos. Ou seja, já tenho à experiência e o nível para cinto.
A sua mãe é treinadora e selecionadora nacional e o seu irmão também é praticante, representa a seleção nacional e também conquista medalhas. Eles são a sua maior inspiração e os seus ídolos?
O meu irmão já foi mais, mas agora que eu estou a entrar mais neste mundo, inspiro-me também noutros competidores de alto nível como por exemplo, campeões do mundo, São esses atletas que são os meus ídolos e que me influenciam na forma como abordo os combates. Mas sem dúvida que a minha família me inspira muito.
Como é que lhe surgiu a oportunidade de praticar esta arte marcial?
Comecei com dois anos de idade, mas foi mais a minha mãe que me influenciou. Nunca pensei sequer em sair algo que nunca foi uma opção para mim.

O bichinho do karate já estava mesmo em casa..
Exato e o meu pai também, foram eles que me influenciaram.
Como é que foi o seu primeiro treino de karate?
Do primeiro não me lembro. Mas recordo-me que era uma diversão e que tinha disciplina ao mesmo tempo para diversão, mas com regras.
Hoje ainda é diversão?
E hoje ainda é diversão. Ainda é diversão, mas com mais seriedade. O meu pai costuma dizer-me para sorrir. Porque às vezes, por exemplo nos treinos, ou não está a correr bem, ou tenho uma competição perto e estou focada no treino e começo a ficar mais séria, pai diz-me sempre para sorrir porque a sorrir é tudo mais fácil.
Qual foi a primeira prova que venceu?
A primeira mesmo não me lembro, mas vou dizer a primeira que me marco mais foi na Croácia, em Umago, tinha 10 anos de idade, ou seja, foi em 2019, mexeu comigo porque me deu sensação que podia fazer mais e ser inda melhor. Senti que era possível vencer mais coisas na modalidade nesse momento,
Porque escolheu esta modalidade e não outra?
Primeiro foi porque foi algo que comecei a fazer desde pequenina e depois sinto que a modalidade é algo que me completa e que não conseguia viver sem fazer karate. É, sem dúvida, algo que é parte de mim,
Vê a sua vida sem aprática desta modalidade?
Não mesmo. É o meu espaço seguro e onde eu descarrego o que preciso.
Treina todos os dias e ainda dá treinos. Como é que concilia com os estudos?
Tento aproveitar todos os momentinhos que tenho para aplicar-me nos estudos e também é muito importante estar atenta nas aulas. Senão não consigo mesmo porque, como pouco tempo que tenho para conciliar, tenho de estar mesmo muito atenta para perceber o máximo da matéria e depois vou conciliando com explicações.
Quem é Ema para lá do dojo?
Estar com amigos, família, passear e é por aí










