Luís Pais Amante
Hoje é o dia instituído – pela ONU- como da Eliminação da Violência contra as Mulheres!
Já referi que a violência doméstica não afecta, exclusivamente, o sexo feminino e mantenho.
Mas é absolutamente verdadeiro que são as nossas Mulheres (em Portugal e no Mundo inteiro, também na nossa região) que sofrem em muito maior percentagem dessas agruras.
É pura e simplesmente triste…
…e induz a conclusão de que, quanto maior é a falta de Democracia (nos próprios lares) pior é o calvário das nossas Mulheres, das nossas Mães, das nossas Filhas, das nossas Irmãs, das nossas Tias!
Desde Janeiro já foram presos 808 agressores…
Assalta-me a visão tenebrosa do que se passa pelo Mundo, com as Mulheres e as Jovens a serem humilhadas, sistematicamente, por homens que mais parecem animais irracionais; grotescos.
Por isso resolvi, hoje, escrever sobre este tema, partindo de um caso concreto.
Vejamos,
A violência doméstica constitui crime tipificado autónomo na nossa Lei Penal (art. 152, do Código Penal Português). E é punido com pena de prisão.
Acarreta consigo uma série de “estados psicológicos e de saúde” nas vítimas, que quase nunca mais têm cura ou reparação justa, real e efectiva.
O violentador, por norma, também é o controlador, o provocador, o gabarola, o arrogante, o prepotente, o animal-tipo que se sente bem no papel de enxovalhar a sua semelhante, de lhe denegrir a imagem, de a tentar colocar na sua dependência absoluta. De a vergar, à força bruta, afinal!
… e de lhe infligir doses maciças de chantagem!
– o nosso País tem evoluído no combate a esta “praga”?
Claro que sim!
– e tem sido feito atempadamente, com adaptações legislativas que a combatam com eficácia, até preventivamente?
Claro que não!
– orçamenta verbas suficientes para dotar toda a panóplia das necessidades e dos “serviços afectos”?
Nem pensar, apesar de -de vez em quando- fazer um foguetório grande!
Se não, então é porque ainda vivemos num país de predominância de “machos” nos centros de decisão, de gente sem formação ou civilidade, de pessoas que são ensinadas para -e que gostam- de exibir os seus troféus.
Daí ser muito importante, hoje, falar dos C’s destes tempos.
… embora lá no fundo, ao que se nos é dado observar, haja muitas farinhas do mesmo saco espalhadas por aí, até na nossa realidade de “Jovens amorosos”, o que me deixa estupefacto.
C. está confrontado, neste momento, com uma decisão do STJ que lhe recusou a última reclamação e o coloca em condenação definitiva de 3 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de violência doméstica e difamação da Jornalista B. G.
!… É uma vergonha pura e simples -como tenho escrito- o tempo a que o País assiste, incrédulo, a este folhetim sucessivo de Justiça retardada, retardada, retardada, formatada para não produzir resultados céleres, o que dá jeito a muitas personalidades …!
M. M., Filósofo, Professor Universitário Catedrático, Político, Ex- Ministro da Cultura e ex- Deputado e ex- Candidato à Câmara de Lisboa, foi condenado, em 31 de Outubro de 2017, por ter, “…em diversas ocasiões, agredido, difamado, ameaçado, injuriado e exercido violência doméstica, contra a sua ex-mulher”.
Também foi condenado por outras situações que prefiguram estarmos, hipoteticamente, em presença de um homem enraivecido e vingativo, um ser próximo do desprezível.
Só que,
Entretanto, a B., como milhares de outras Mulheres, passou por momentos muito complexos e sofreu aquilo que nem para o diabo se quer:
a. com um percurso conturbado da sua própria vida e do isolamento que sentia;
b. com um combate permanente para o exercício normal dos poderes parentais;
c. com decisões intermédias de tribunais, que lhe retiravam razão e lhe aumentavam a dor;
d. com o quase bater no fundo que a saída prematura da ribalta provoca, habitualmente;
e. com o propagar da realidade distorcida que C. difundia maliciosamente, usando a sua influência…
Mantendo-se hoje, todavia -pelo que se vê- à tona da água e sendo hoje -em que dúvidas não subsistem sobre o seu calvário- como que um exemplo de tenacidade, de firmeza e de força no combate a estas situações hediondas da violência doméstica.
Ele, C., vai constituir exemplo de que, mais tarde ou mais cedo, a tal Justiça que não se vê, actuará e a prisão estará ali ao lado, esperemos que não com direito a “suite” especial.
Não teve respeito nenhum pela Mãe dos seus filhos e do género dela e isso é absolutamente intolerável, passadista. Próximo daquelas civilizações que espezinham o Feminino por doutrina, como seguimos atónitos pela Televisão.
Só resta saber, afinal, se este exemplo (mau, de homem desbragado, com capa de culto e importante) que tem desfecho tão retardado no tempo, terá efeito negativo ou positivo na nossa Sociedade em degradação?
… eu sou a favor da celeridade da Justiça e tenho-o dito alto, com propriedade, porque só ela afronta a possibilidade da extensão -até imitação- de exemplos nefastos, como este!
… eu sou a favor da igualdade integral entre a Mulher e o Homem, o Feminino e o Masculino, inclusive em termos de direitos e obrigações; seja em que parte for do Mundo!
E se o nosso Mundo não souber assumir este meu sentir (que é comum a muita gente, mas não à suficiente para provocar a alteração do paradigma) infelizmente, caminhará para o abismo, também civilizacional!
Respeito pelas Mulheres, sempre!
Luís Pais Amante






Luís Amante, luz que brilha neste mundo em que não falta o obscurantismo, o desrespeito ao próximo e principalmente às mulheres. Precisamos de instituições sólidas e ativas que desestimulem a violência contra o feminino. Precisamos que esse tema seja sempre parte do processo educativo dentro da nossa sociedade. Como vc diz, respeito pelas Mulheres, sempre.
Quem não respeita o próximo e principalmente se for quem nós está mais próximo, só tenho duas palavras para descrever, vergonha e tristeza.
Sou do tempo em que a violência sobre a Mulher estava interiorizada na sociedade.
Mas os tempos mudaram muito e, ainda assim, subsiste demasiada frequência deste flagelo.
Parabéns Amigo Dr. Luís.
Violência doméstica é um drama que se espalha pelos cinco continentes, mais nuns do que noutros, atingindo mesmo uma expressão cultural em certas geografias. Na que me toca atinge uma dimensão assustadora, em mulheres e crianças, perfeitamente interiorizada pela sociedade não obstante algumas ações que não conseguem uma mudança de atitudes. Muito trabalho de educação dos agressores e principalmente das vítimas que face às condições sociais se encontram totalmente desamparadas.
Um tema da maior importância, porque a violência acontece sobre as mulheres, mas também sobre os homensos, os idosos, os adultos vulneráveis e dependentes. Os agressores não são facilmente identificáveis, porque são muitas vezes sujeitos com características de personalidade que os tornam insuspeitos. As vítimas vivem com medo e receio da humilhação social. E que dizer do sofrimento dos filhos que crescem a presenciar violência entre os seus adultos de referência? As cicatrizes que ficam para a vida. Pensando não só nos adultos envolvidos, mas sobretudo nas crianças é urgente que estes processos sejam concluídos de forma célere.
Um tema muito interessante pois a violência doméstica é um acontecimento muito antigo, que muitos vivemos nas nossas famílias, cresce vendo os meus pais brigando a minha mãe se defendendo parecia um ambiente normal, hoje sei é crime muitas mulheres e até homens perderam suas vidas por causa disso. Hoje existem leis que nos protegem contra isso. Não a violência.