Luís Pais Amante

Não quero deixar que me tapem os olhos; quero “filtrar” uma novela cara, sem expressar opinião entre os hipotéticos benefícios da empresa privada, pública ou a de capitais mistos.
Isso fica ao serviço das consciências…

Vejamos,

Se, porventura, os Leitores do Penacova Actual [e há muitos, muitos, que o fizeram] tiverem lido tudo quanto escrevi sobre a TAP, bem como a argumentação que fui chamando à colação sobre a concreta situação daquele Grupo e do seu funcionamento, perceberão que, infelizmente, para todos nós, aquela “embirração” anormal do Primeiro Ministro de Portugal com a privatização da Empresa, constituiu um erro gigantesco digno de um homem quase ingénuo, que não é. Com a estratégia das “Caravelas”, tipo brincadeira, recordam-se?

Gigantesco em si próprio; gigantesco sobre a visão com que ficamos acerca dos políticos e o valor da sua palavra; gigantesco para um partido político que encaixou a decisão quase acriticamente, mas que começa, agora, a questionar-se internamente sobre muita coisa..

Mais gigante do que o dinheiro que o Estado (dinheiro nosso) lá foi enterrando…que ninguém sabe bem, ainda hoje, em quanto se cifrou.

Foram milhões grandes de milhões de euros que já foram à vida (com mais 447 milhões de bónus em impostos diferidos, que viram a luz do dia, entretanto) num País carente, com Povo aflito para sobreviver; milhões de pessoas que nem sabem o que é a TAP, nem nunca voaram nela, nem nada contribuíram para que aquele “saco sem fundo”, cioso de esbanjamento, voltasse ao “reino público”, que não se sabe bem porque foi tão atractivo, então.

Sim, por vezes parece que estamos em monarquia, onde o monarca decide e os súbditos fazem vénia e aplaudem!

Quando chegou ao governo -sem ter ganho as eleições, lembremo-nos- o Primeiro vinha cheio de pressa para “estatizar”, “nacionalizar” aquele Grupo, que estava bem arrumado do ponto de vista do risco;… e foi aduzindo os argumentos que lhe davam os seus conselheiros (um deles, amigo, amigo, amigo do peito), não convencendo sobre a razão, a oportunidade e a estratégia subjacente, a não ser querer mostrar-se por reverter uma ação do governo anterior, afinal a sua obra visível.

Aliás, esse “fado” do fazer e desfazer e desfazer e fazer é um vício dos chamados “fazedores” que têm feito asneiras de mais, que todos vamos pagando e continuam alegres.

Foi chamado à atenção por meio mundo, mas não, não recuou. E a TAP não tinha outra alternativa, nem outro desiderato, a não ser ser pertença do governo de sua magestade, até para poder dar emprego e tirocínio aos seus.

Não havia outra hipótese, nem meios termos…

!… E lá veio aquela enorme confusão parar aos nossos bolsos; lá foram sendo integrados no nosso orçamento pobre, os vícios todos dos nossos ricos ou candidatos a tal…!

A novela foi-se desenrolando; pelo caminho foi trucidando políticos concorrentes e gestores principiantes; e o dinheirinho foi saindo do ministério das finanças, muitas vezes sem compreensão plausível, se calhar sem razão, sem explicação segura até em termos de legalidade estrita.

Também foi beneficiando outros, alguns estrangeiros, mas espertos.

Mas só o “reino público” poderia ter e manter uma jóia de tal modo atractiva, que só absorvia e nunca nada daria a ninguém; nem brilho!

A palavra do António estava a ser cumprida e pronto. Porque era uma palavra confiável…

Só que,
Entretanto, alguém terá alertado para o facto daquilo tudo ser incomportável com a pequenez do nosso País pobre (em vésperas de Eleições)…com gente a morrer nas filas dos hospitais; com milhões sem médicos de família; com tribunais parados, com falta de gente e de papel nas fotocopiadoras; com professores fartos das embirrações sucessivas; com jovens a viver em tendas (como bem satiriza Bordalo in “desalojamento local”); com idosos a procurar alimentos nos caixotes do lixo, etc, etc.

E o governo, liderado pela mesma pessoa, lá foi ultrapassando tudo, contando umas balelas, até começar a preparar a alteração radical ao seu pensamento condutor, sem perceber bem -nem querer saber- do impacto que lhe cairia em cima quando a caravela afundasse, como era bem previsível após a vergonha dos conheço levados à Comissão de Inquérito.

E vai daí, do dia pra noite, a palavra de ordem passou a ser: a TAP continua a ser boa, mas privatizada…
É preciso (re)privatizá-la já!
!Existe uma estratégia!

Tomando-se essa decisão (de privatização a correr, mal preparada) em reunião recente do conselho de ministros, com decreto já aprovado, mas aparentemente sem caderno de encargos, sem definição de preço, sem agregar responsabilidades futuras bem possíveis, sem termos do recebimento, sem garantias a garantir, antecipando a saída do Livro “os patos desalinhados não voam”, que pode, efectivamente, “borrar a pintura”.

Não tendo sido o ainda Secretário-Geral do PS a transmitir o como, o porquê e o para quê, por estar de conveniente visita ao Vaticano (sendo laico), e não querendo falar disso no estrangeiro (muleta que contradiz sempre que lhe interessa).

A pergunta é: porquê um comportamento tão do tipo zigue zague; tão falso?

E, por que é que ninguém explicou, ainda:

1. Sobre o porquê do Primeiro Ministro ter mudado de opinião e deixado a embirração?
2. Sobre o saber se esta decisão não é, em tudo, contrária à sua lenga, lenga anterior?
3. Sobre como encarar um político assim, tão explicitamente sem palavra?

Agora parece querer pôr contra si os Trabalhadores, os Sindicatos, tudo, tudo!

PS:
Já agora:
Alguém já sabe quem “vendeu” aqueles Pareceres estapafúrdios sobre a confusão com Alexandra Reis e por quanto? Nomes? Sociedades?
E já alguém invocou a responsabilidade inerente à preparação da mentira enviada à CMVM?
Estará tudo devidamente accionada -nos Tribunais- ou será para esquecer e nem valerá a pena tratar disso?
Falamos de gente importante, ligada a nomes sonantes?

Luís Pais Amante

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5 COMENTÁRIOS

  1. Quem está longe ligava-se a Portugal pela TAP.
    Era a nossa Bandeira!
    Hoje não é nada disso que se passa. Somos maltratados, o serviço é o fim do mundo.
    Já não é a TAP que nos leva.
    Os preços são incomportáveis…

  2. O que se passa na TAP, é exatamente o que se passa na TAAG linhas áreas de Angola, companhia nacional que atualmente ninguém sabe o que ainda é. Mas com certeza tem gente a enriquecer por trás de tudo isso é pena.

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