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Programa evocativo inclui conferência, exposição, recriação teatral e inauguração de um mural dedicado a um dos episódios mais marcantes da história do concelho de Penacova.

Ilustração disponibilizada por Óscar Trindade

A aldeia do Roxo, na freguesia de Lorvão, concelho de Penacova, vai assinalar no próximo dia 25 de março o centenário da Revolta do Azeite, através de um programa comemorativo que pretende recordar um dos acontecimentos mais marcantes da história local. As iniciativas incluem uma missa em memória das vítimas, uma conferência histórica, uma recriação teatral dos acontecimentos de 1921, uma exposição documental e a inauguração de um mural evocativo.

Um século depois, a memória permanece viva

Passados cem anos sobre a Revolta do Azeite, a população do Roxo pretende prestar homenagem às vítimas e preservar a memória de um episódio que marcou profundamente a identidade da aldeia e do concelho de Penacova.

Promovida pela associação ECOS – Encontros Culturais e Obras Sociais, com o apoio do Município de Penacova, da União das Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio de Mondego, da Junta de Freguesia de Lorvão e de diversas entidades locais, a iniciativa pretende aproximar a comunidade da sua história, valorizando um acontecimento que permanece vivo na memória coletiva.

O que aconteceu em 1921?

A Revolta do Azeite teve origem na manhã de 25 de março de 1921, uma Sexta-Feira Santa, quando elementos da Guarda Fiscal intercetaram habitantes da aldeia que transportavam azeite destinado à venda em Coimbra, numa época em que vigoravam fortes restrições ao comércio daquele produto.

A intervenção das autoridades desencadeou uma reação espontânea da população, alertada pelo toque do sino da igreja. O protesto rapidamente ganhou dimensão, culminando num confronto armado que provocou a morte de três habitantes do Roxo, vários feridos e dezenas de detenções.

Mais do que um conflito isolado, a Revolta do Azeite tornou-se um símbolo das dificuldades económicas vividas pelas populações rurais no início do século XX e da resistência perante medidas consideradas injustas.

Programa das comemorações

As comemorações têm início às 15h30, com uma missa em memória das vítimas.

Às 16h30 será inaugurada uma exposição documental, reunindo fotografias, documentos e outros testemunhos relacionados com a revolta.

Pelas 17h00, o programa prossegue com uma conferência histórica, proferida pelo professor doutor Reis Torgal, professor jubilado da Universidade de Coimbra, acompanhada por uma intervenção da professora Maria da Luz Rosa. Segue-se uma recriação teatral da Revolta do Azeite, procurando transportar os participantes para os acontecimentos vividos na aldeia há precisamente um século.

As comemorações terminam às 18h00 com a inauguração de um mural evocativo, concebido para perpetuar a memória da revolta e das suas vítimas, seguindo-se um lanche convívio aberto à comunidade.

Preservar a identidade local

A iniciativa pretende não apenas recordar os acontecimentos de 1921, mas também reforçar a importância da preservação da memória histórica das comunidades rurais.

Ao assinalar o centenário da Revolta do Azeite, o Roxo presta homenagem às gerações que viveram um dos episódios mais dramáticos da história do concelho, contribuindo para que este património histórico continue a ser conhecido pelas novas gerações.

Os recortes da imprensa da época que noticiaram o fatídico acontecimento

 

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