Luís Pais Amante

Que belo que tu és, meu céu radiante
Que estás aqui perto, por cima de mim
Na vista que m’envolve, qual querubim
Estrelado demais nas noites claras sem fim
Azulado em vários tons sinceros no capricho, de cetim
Permitindo o sonho todo até ao nosso infinito frenesim
Sejas celeste, bebé, cobalto, marinho, pacífico ou violeta
Muitas vezes até doirado, misturado com o sol
Raiado, em pirueta
Ou alaranjado, quando entrelaçado na Lua
Que continua a ser só tua
Tu meu céu do Vale do Mondego
Vives em constante desassossego
Mudas mesmo, quase a toda a hora
Faça sol, chuva, trovoada ou nevoeiro
Sonhas, cantas, corres, saltas, até encantas
Seguindo um natural sentido Bíblico do tempo
… Que virá
Por vezes dou por ti a chamar por mim
Como que a acenar-me ao fim da tarde
E a dizer-me:
– anda lá, tira uma foto agora! Sem demora
Porque vou mudar de padrão ou zarpar pra outra região
E, na verdade, as minhas retinas, finas
Por mais expeditas que sejam
Só podem captar um momento
De cada vez
Por isso mesmo é que eu digo
E é que eu penso
Que o meu céu se muda de local, de côr
… Até de humor, rapidamente
Embora se mantenha diligente
Esperançoso, crente
Um espaço imaterial sempre em movimento
Sítio apetecível para o descanso inacabado do vento
Para a fixação da saudade no seu enamorado relento
Que eu adoro
E por onde ando refugiado, sem lamento
… Mesmo nos dias em que -por ti, meu céu- ainda choro!
Luís Pais Amante
Casa Azul
A assistir, extasiado, às mudanças súbitas do Céu do Vale do Mondego.













Que beleza Dr. Luís!
A fotografia a partir da vossa Casa Azul e o poema, ficam lindos de mais.
Parabéns.
Que lindo. A sintonia das palavras é deliciante e bastante aprazível.
Um abraço
Como Alberto Caeiro o meu caro amigo está um verdadeiro poeta da natureza que aí e muito bela.
Abraço.
É um poema belíssimo que em alguns momentos o poeta e o céu se misturam, embalados pelas transformações e nos fazem sentir de como pode ser belo o instante de nossa vida ao ouvirmos o que o céu grandioso tem a nos dizer. Basta olharmos.
É preciso neurónios para tanta imaginação e criatividade, de olhar fito, lindo poema. Um abraço companheiro.