Luís Pais Amante
“O padrão de litoralização do país e de concentração da população junto da capital foi reforçado na última década. Cerca de 20% da população do país concentra-se nos sete municípios mais populosos, que abrange uma área de apenas 1,1% do território. No outro extremo, representando cerca de 20% da população, temos 208 municípios menos povoados e que ocupam 65,8% da área do país”!
!“… Penacova lidera a tabela dos concelhos do distrito que mais população perdeu na última década (14%) …”!
É triste, muito triste, mas é o que resulta -friamente- da análise do INE, aos Censos de 2021.
… e nem era necessário que os Censos o viessem dizer, na justa medida em que a desertificação é bem visível, num Concelho em que [fora dos dias de Festa -que fazem bem à pessoa, selam a nossa identidade, mas não resolvem tudo-] não se vê vivalma na rua, literalmente.
Ora, aqui chegados,
Eu convidava os meus conterrâneos a lerem o que tenho escrito ao longo do tempo, no PenacovaActual, sobre as questões explicativas deste desastre, que é absolutamente impiedoso e se vem agravando desde o 25 de Abril, nomeadamente quando “teorizei” sobre os efeitos nefastos da dita “regionalização” em curso e cheguei a dizer que não seriam, nunca, ex-ministros do poder central -glutão- que agora iriam contribuir para reparar as asneiras que fizeram nos governos em que participaram.
Lembram-se?
Também tenho dito que estamos inseridos num distrito (o de Coimbra) que é centralizado propositadamente, em termos algo anormais, pela cátedra cheia de teóricos, que por ali giram, mas sem nenhuma experiência no “fazer, fazer”… sempre dependentes das migalhas do poder central, a que vão fazendo vénias. A Universidade de Coimbra e as empresas e o emprego, nunca casaram e continuam a não casar…acantonando-se na cauda da ligação universidade/empresa.
Certo
É que Coimbra também perdeu 1,8% da sua população e é para lá que têm ido os serviços fruto das experimentações do estado central: “tira, põe; muda, põe, tira, retira…”.
Só que,
Ao que se evidencia, os nossos conterrâneos jovens preferem outras paragens e estão, pura e simplesmente, fartos de Doutores; … tratam-se pelos nomes, olhos nos olhos e pronto, vão em frente.
Portanto, a primeira conclusão, simples a retirar desta realidade, será a de que Penacova (Concelho) não criou atractividade para cá reter os seus jovens e estes, essencialmente, vão à procura de vidas melhores, para lá do seu distrito de naturalidade, o que é absolutamente legítimo e já aconteceu muitas e muitas vezes ao longo dos século com as “levas” da emigração para França, Brasil, EUA, Venezuela, Reino Unido, a que agora se acrescentam Espanha e as arábias.
E eu acrescento: são muitos, mesmo muitos -independentemente das suas profissões e dos locais para onde vão- com um êxito brutal e com reconhecimento efectivo do trabalho que desenvolvem, o que, por cá, se constitui impossível!
Numa óptica de desenvolvimento regional, parece terem falhado, estrondosamente, os factores de desenvolvimento adoptados pelos nossos políticos, sendo certo que eu próprio me enganei quando há anos apontei O Rio e o IP3, como hipóteses de ajudar no alcançar desse desiderato primeiro: reter a nossa Juventude!
Tratava-se, na minha análise de então, de admitir que o IP3 poderia captar investimento capaz de gerar criação de emprego e isso não aconteceu; aliás, sem ser retrógrado, até concluo que faz mas é passar mais rápido o capital gerador desse investimento paras os concelhos vizinhos, como o de Mortágua e o da Mealhada.
E O Rio -o nosso belo Rio Mondego- não tem, efectivamente, sido capaz só por si, de captar vontades direcionadas para esse objectivo: reter a nossa Juventude, repito.
O que, na minha modesta opinião, será o nosso único capital para o êxito: podemos nascer todos diferentes em “posses”, mas a massa cinzenta não consta que seja diferente entre ricos, remediados ou pobres!…os que nasceram mais abastados podem ser mais espertos, mais habilidosos, mas não são mais inteligentes…embora muitas vezes o pensem.
Bronzini e Piseli; Shapiro; Rutten e Boekema e Jackson e Murphi, entre outros, identificaram (também neste século) que o desenvolvimento regional é determinado, fundamentalmente, pelos factores: inovação, competitividade, tecnologia, infra-estruturas e equipamentos, turismo e capital humano.
Assim sendo,
Há que dizer -numa lógica construtiva que eu espero que os meus conterrâneos percebam- independentemente das suas responsabilidades (naturalmente diferentes entre os que vivem dos cargos e os que os pagam) que:
1. Sem se capacitarem os Jovens, nada feito;
2. sem se conseguir a retenção da capacidade que os recursos humanos possuem ou possam vir a possuir, não se beneficiará nunca da exploração das oportunidades de investimento que se apresentem ou possam vir a apresentar;
3. sem se conseguirem criar/captar organizações empresariais de sucesso (inovação e tecnologia) e massa crítica, não se responderá, nunca, às necessidades actuais da nossa sociedade local;
4. como a fixação de investimento -para além do capital humano- necessita de factores de competitividade regional é essencial dar-lhes essa possibilidade, o que constitui criação de atractividade territorial e isso é trabalho nosso;
5. as vantagens competitivas são condicionadas, inexoravelmente, pela evolução sócio-cultural e pela existência de políticas administrativas e económicas amigas.
!… Mas não é dos CIM’s, é dos Municípios …!
!… Os CIM’s só têm posto mais diferenciação em cima da diferença …!
Como é que se percebe os Municípios andarem a delegar competências para que estão vocacionados, nos CIM’s e, concomitantemente, a receberem outras cuja gestão desconhecem, do Governo?
Quase todos sabemos que a União Europeia tem instrumentos financeiros para as suas Políticas de Coesão; e que o FEDER (um dos seus principais instrumentos, conjuntamente com o Fundo de Coesão) tem por objectivo contribuir para a redução dos desequilíbrios entre níveis de desenvolvimento das regiões e para a melhoria do nível de vida das menos favorecidas.
E a pergunta é:
– como é que o Município de Penacova tem respondido a tudo isto (nomeadamente à captação desses apoios) ao longo do tempo e como tem, está e vai responder?
Tenho a opinião de que o momento que vivemos é crítico de mais e não vale muito a pena -nem é aconselhável- continuar na velha discussão do passa culpas, que só afasta as Pessoas e tira vontade aos que trabalharam e aos que estão a trabalhar.
!… Somos mesmo todos culpados; nós os Penacovenses que amamos a nossa terra, que nascemos, que votamos e que pagamos, cá, os nossos impostos …!
E aos poderes em funções -que foram eleitos, uns para o exercício e outros para a oposição- o que se exige é que se unam para tentar resolver este imbróglio.
Deixem descansar um pouco o partidarismo puro e duro, que consome imensas energias e dediquem-se a esta nobre tarefa (retenção da Juventude) porque sem isso, nada feito!
Alcançámos a Liberdade e a Democracia em Abril; alguns trabalhámos para isso; falta cada vez mais criar qualidade na alternância, com manutenção de espírito construtivo e de aliança no resolução das questões críticas, pelo menos.
Até porque, qualquer dia, o Orçamento Municipal só vai dar para cumprir as obrigações para com os trabalhadores municipais e para acudir às necessidades -exponencialmente em crescimento- de índole social.
A questão é grave de mais para se perder tempo em discussões estéreis.
Resolvidos os problemas da natureza acima perspectivados, eu tenho a certeza de que a nossa JUVENTUDE não vai dizer não à terra que continua a amar…
Nota 1: Não falei do turismo, propositadamente; Afinal, não vale a pena “agoirar” o que nos dizem estar em marcha. Esperemos, portanto…até por respeito;
Nota 2: No Sábado vou comer “Sopas”, com a Família!



É um facto que está aqui muita Juventude nossa-e minha-no Reino Unido.
As oportunidades são mesmo muitas, em todas as profissões.
Eu sou um jovem e muitas vezes em conversa com alguns colegas, reparo que quase todos querem emigrar para outro país por considerarem que o nosso não dá oportunidades suficientes nem valor aos jovens portugueses, tanto da parte do estado como de alguma faxa etária mais velha que nos tratam como crianças e esperam que reajamos como adultos (coisa que ao ler este artigo não noto podendo dizer que é uma exceção).
Muitos parabéns ao Sr Luís por nos valorizar e muito obrigado.
É uma questão que se vem falando, falando há muito tempo sem resultados visíveis ou seja vão se vendo sempre no sentido contrário ao que se pretende. Porquê? Será que podemos encontrar algumas respostas no texto.
Todo o interior do nosso país, está abandonado. Não há medidas sérias de incentivo às famílias jovens, para se fixarem longe dos grandes Centros.
Uma excelente análise sobre um tema que você bem conhece. Gostei de ler e solidarizo-me com as suas preocupações vão para além da escala concelhia. Abraço, Carlos das Neves
2022.12.05
Caro Amigo Dr. Luís
Não tenho palavras que não devam ser de apoio à sua reflexão. É hoje tão oportuna como o teria sido se tivesse acontecido em tempos passados, até mesmo desde o início de todo tempo em que me conheço.
Não ganhamos muito em gastar energia com passado inerente a tão fulcral assunto, a não ser para fazer a análise do desse percurso na perspectiva de tentar compreendê-lo, entender as suas causas, e procurar agir em conformidade.
As ajudas externas e de direito colectivo não podem deixar de ser exigidas mas, como sempre acontece “, quem bem fizer a sua cama nela se poderá deitar em tranquilidade, quem esperar que lha façam ou se deitará ou não”!
A dimensão territorial do nosso Município não é muito elevada mas, qualquer que ela fosse a sua dimensão, sempre deveria assumir ao máximo possível das suas reais potencialidades, dentro do quadro das respectivas competências. Há imposições formais e outras não condicionadas, apenas impostas pelo bom senso em clima de acção concertada. Há riquezas naturais que, em certa medida, poderão funcionar como uma dádiva para quem pretenda brilhar no seu desempenho formal.
A massa humana é a mais preciosa de todas as riquezas, desde que formatada em conformidade com perspectivas de desenvolvimento mais ajustadas e tendencialmente mais promissoras e perenes. Como refere, eles emigraram, nós emigrámos, e os outros irão emigrando! Para minimizar esta realidade será necessário valorizar a massa humana existente e a vindoura, procurando aproveitar integralmente todos os outros recursos naturais existentes e disponíveis à nossa mão! Estamos no tempo em que se pode fazer quase tudo com o recurso a quase nada! E temos tanta coisa para criar, recriar ou valorizar, que se torna um crime não responder depressa e bem com o recurso a todos os bens e meios disponibilizáveis!
Estamos em democracia! Há uma “verdade universal”. A democracia vai sendo o melhor de todos os ambientes vivenciais! O problema que se nos apresenta é o da reduzida existência e percentagem de democratas… Real democrata não é todo aquele que se intitula detentor dessa característica! Sê-lo-á apenas quem pratica actos democráticos em todas as suas acções; é quem age democraticamente e em permanência, querendo também para todos os outros o que deseja para si. É muito difícil nós sermos democratas e já seria uma glória se conseguíssemos ter um verdadeiro espirito democrático!
Infelizmente torna-se muito fácil e triste dispor de maus referenciais e observá-los a todos os momentos e em qualquer lado. Ei-los quando se enfrentam em qualquer confronto eleitoral, mesmo sendo pertença da mesma confraria, usam e abusam do insulto da injúria e da mentira. Quando vencem a contenda, vulgarmente, não se coíbem de usar de uma postura de sentido autoritário perante os vencidos, argumentando tudo e mais alguma coisa, ao invés de praticarem uma autoridade racional e integradora. Se perdem, em geral, fazem todos os possíveis para que os objectivos visados pelos ganhadores e sancionados pelas maioria dos eleitores, por certo de interesses mais abrangentes, corram de um modo “quanto pior, melhor”! Entretanto, intitulam-se de “ bons democratas” e defensores do interesse comum! …
Felizmente há muitas excepções! E também, uma imensidão de quase democratas!
Como seria bom que houvesse um clima de disputas para encontrar cidadãos disponíveis e para o confronto de ideias e objectivos onde, após a decisão mais consensual os ganhadores fizessem questão de enquadrar positivamente os perdedores para que estes não se sentissem ou tornassem inúteis e colaborassem trilhando os mesmos caminhos e as apoiando todas as melhores decisões e concretizações. Uns e outros, remando no mesmo sentido da corrente, ganhariam a confiança da generalidade dos apoiantes de uns e outros. Todos beneficiariam do reconhecimento das realizações conseguidas e em curso, as quais gerariam proveitos que proporcionariam ganhos para a globalidade dos beneficiários do Sistema.
O nosso atraso no contexto das Nações deve-se um tanto à falta de recursos e competências como à incoerência reinante. Quanto custam as perdas provocadas pela interrupção de intempestiva de projectos em curso de realização, decididos ou em ciclos de preparação?
Imagine-se o nível de fiabilidade de um sistema onde os comportamentos dos contendores quando ganhadores procuram demonstrar imagem de Virgens impolutas e ao tomarem a posição inversa se comportam como arruaceiros profissionais!… Para termos uma verdadeira democracia precisamos que cada um dos cidadãos funcione como um firme democrata! A democracia, como qualquer outro produto confiável, requer matéria-prima adequada, ou seja, “democratas” e é possível cultivá-los! No mínimo, com o fomento de uma acção de actuação pedagógica permanente.
Obrigado Amigo, por se preocupar em permanência com os problemas de interesse significativo e geral. Que não se lhe desvaneça a coragem!
Um grande abraço
Caros Conterrâneos, Penacovenses e Leitores do PenacovaActual
Tenho lido e relido o que escreveu o Meu Amigo Eng. Amândio Seco da Costa, do Casal de Santo Amaro.
É uma Pessoa com quem converso algumas vezes, Professor do pensamento…
A sua idade -e a sua experiência de vida- lisonjeiam muito o que eu escrevi sobre a nossa Terra.
E, se repararem bem, dá-nos uma bela lição sobre Democracia.
Assim todos o saibamos ler.
Muito obrigado Senhor Engenheiro
Penacova. Tive o privilégio de conhecer e trabalhar nesta localidade. Conheci e tive o privilégio de interagir com muita gente, como a malta da fábrica de palitos Simões, pessoal de Lorvão e outros. Há de facto muito absentismo de jovens e infraestruturas locais de retenção de pessoal, comércio e outros serviços. Cabe aos organismos competentes criar e não só, um ambiente de intercâmbio cultural e políticas de atracção turísticas e emprego a fim de dinamizar essa localidade.
Penacova conheço pouco, mas gostei, acredito que falta incentivo para a malta jovem, a falta de oportunidade e o pouco desenvolvimento faz que os mas jovens procurem fora da zona onde nasceram, acabando por ficar só os mas velhos que por conta da idade não conseguem dar mas vida a vila.
Pode conhecer e saber mas um pouco de zonas como carvoeira e ronqueira, onde meu marido por questões de trabalho passou e notou o absentismo dos jovens e actratividades locais.