David Almeida

“Um percurso da sombra à luz – Maurício Vieira de Brito (1919-1975) – Empresário e Benemérito, Presidente do Benfica” é o título da obra biográfica que foi apresentada ontem, 19 de Novembro, na Casa do Povo de S. Pedro de Alva.
A sessão de lançamento contou com a presença da filha e neto do biografado, Margarida Vieira de Brito Salter Cid e Sebastião Vieira de Brito Salter Cid. Na mesa de honra, além destes, estiveram também Álvaro Coimbra, Presidente da Câmara Municipal de Penacova, Vítor Cordeiro, Presidente da União de Freguesias de S. Pedro de Alva e S. Paio de Mondego, Ernesto Coelho, Presidente do Órgão Executivo da Fundação Mário da Cunha Brito, e o autor do livro, João Bernardo Galvão-Teles.
Nas diversas intervenções foram salientadas as qualidades humanas e sociais desta “figura ímpar” que marcou não só o Alto Concelho de Penacova, instituindo a Fundação idealizada por seu pai, Mário da Cunha Brito, mas também a vida nacional, principalmente enquanto presidente do “Sport Lisboa e Benfica”.
“Cabe-me agora a mim – escreve Margarida Vieira de Brito, no Prefácio – sua filha, admiradora e Presidente da Fundação Mário da Cunha Brito, por ele criada honrando a memória do meu avô, dar a conhecer a sua vida e obra, através da pena inspirada de quem escreveu sobre ele com a devida isenção.” Por sua vez, na curta intervenção que fez na cerimónia de apresentação da biografia, salientou as qualidades humanas de Maurício Vieira de Brito na atenção às necessidades das pessoas e instituições, que tanto ajudou.
João Bernardo Galvão-Teles, nascido em Lisboa em 1972, autor de diversos livros e artigos sobre História e Património, definiu o biografado como uma pessoa “analítica, pragmática e consequente no dizer-fazer” e salientou “o carácter pioneiro” e “transversal” da Fundação Mário da Cunha Brito. Esta personalidade, cuja vida é “inspiradora” para todos nós e que “trilhou o caminho da luz com grande sucesso“, não esqueceu São Pedro de Alva e a sua região, apesar de ter nascido em Angola ” – acentuou.
Vítor Cordeiro destacou algumas das obras realizadas no Alto Concelho como foram o restauro da capela de Santo António, a construção dos muros da Igreja, o restauro do altar da mesma, o calcetamento da praça, a comparticipação avultada na rede de abastecimento de água ao Alto Concelho e a obra maior, pelo seu alcance social e cultural, a Fundação Mário da Cunha Brito.
Por tudo isso se justifica “a gratidão que perdura” destas gentes e que no dia da inauguração do Hospital da Fundação, em 1959, fez festa e esteve presente – lembrou Ernesto Coelho – que evocou a ocasião em que, anos antes, Mário da Cunha Brito viera à sua terra natal para contactar com o Padre David Marques e com o Dr. Viegas Pimentel com o intuito de se inteirar das dificuldades com que viviam as populações, tendo logo aí manifestado o desejo de tornar realidade um posto médico e outros melhoramentos. Falecendo prematuramente não concretizou esse seu desejo. Coube depois ao filho dar corpo à Fundação. Por tudo isso, para Ernesto Fonseca, temos o dever “de preservar a sua memória”, as memórias de pai e filho.
Encerrou a sessão Álvaro Coimbra, Presidente da Câmara, que enalteceu “o percurso de vida” deste “português extraordinário” que além da sua acção no concelho de Penacova, deixou uma marca fortíssima no Benfica, com a conquista da Taça dos Campeões Europeus, com a iluminação do Estádio da Luz e com a construção do “terceiro anel” naquele recinto desportivo.
“Nem por um momento deixou de retribuir o seus privilégios com a atenção incansável às necessidades dos menos favorecidos “, podemos ler no Prefácio, assinado por sua filha, onde afirma também que “ao mesmo tempo, como se não bastasse, mudou literalmente o desporto em Portugal.”
“Um homem que viveu de forma intensa uma vida que correu depressa e lhe fugiu cedo, mas que ele soube rechear de projectos e realizações que deixaram marca no percurso de tantos que com ele ou com as suas obras se cruzaram” – sintetiza assim o autor deste excelente livro, no seu conteúdo e no seu grafismo, editado pela Scribe-Edições Culturais e pela Fundação Mário da Cunha Brito.












