Luís Pais Amante

Hoje está um dia soalheiro na minha terra do coração
Estou no meu Fundo da Vila do desejo
Dia de ficar na cama, presenteiro, a gozar o tempo
O Sol vai e vem, timidamente
Risca o céu e esconde-se, sorrateiramente
Está frio, sim
Mas gelado, não
Recuado na época da minha meninice
Ao Sol a jogar às escondidas, cá fora
Correspondia a lareira acesa, lá dentro
Das casas que tínhamos, então
Cheias de amor e de carinhos
Coroadas de vidas com espinhos
! Mas alegres !
! E com camaradagem sã !
A Ti Palmira enxotava as filhas pra rua
O namorico tinha-as atrasado no sono que andava na lua
A Ti América guardava as suas, marotas
Pra não se exporem aos rapazes, pipocas
A Tia Armanda tratava do seu “molofode”
E repartia-o por todos, como quem acode
E os outros, rapazitos e rapariguitas
(Que eram mesmo muitas e muitos)
Brincavam a tudo, até aos namorados
Com filhos e tudo
Umas vezes namorava-se com esta
Outras com aquele
E assim, sucessivamente com o respeito das crianças
Partia-se de tudo: braços, pernas, cabeças
Rasgava-se tudo: tshirt, camisa, alças dos calções
E o bom do Sol ia e vinha contemplar as tropelias
Dava calor e emprestava luz
Como felicidade pra vida
… Neste nosso lugar, que mantém o feitiço!

Luís Pais Amante
Casa Azul

Absorvendo a nostalgia do tempo.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Na verdade Dr.Luís a minha meninice não foi em Penacova.
    Mas não há lá na minha terra um Poeta assim!

  2. Tempo em que as crianças aprendiam a vida, a rasgar calções, ao ar livre, a sentir o sol no rosto. Vivências tão especiais, que nós de outras gerações tivemos a sorte de ter. Coitados dos miúdos, hoje são de um pálido esverdeado, mal vêm o sol, mas sabem muito sobre “navegar” na internet.

  3. Um verdadeiro descanso da alma do poeta Luís que se entrega ao balanço das recordações que caem como flores arremessadas pela mãos da Mãe Penacova que sorri para seus filhos amados.
    Lindas suas palavras, Luís.

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