Luís Pais Amante
Já escrevi que as intervenções na TAP, pensadas para execução de Pedro Nuno Santos, foram um erro e ele próprio me dará razão um dia mais tarde.
Não é que eu não respeite o candidato mais provável à sucessão de Costa, na liderança no PS; é porque eu penso -contrariamente a amigos comuns respeitáveis- que a nossa TAP mais não é do que um capricho cuja manutenção nos vai levando à ruína…há tempo de mais, porque constitui um osso fixe para muitos beneficiários duvidosos, muitos amigos de estimação dos poderosos, do tipo dos Lacerdas que empregam os Miguéis.
E eu até sei um pouco sobre esta empresa e sobre o modo como tem sido (mal) gerida e já o escrevi quando a comparei em dimensão da desgraça ao PRR!
Alguém nos veio dizer qual será o rombo provocado pela decisão recente da Justiça Americana sobre as obrigações do reembolso dos dinheiros recebidos indevidamente na venda de voos inexistentes?
Alguém nos diz, correctamente, quanto é que, nos últimos 25 anos, já foi retirado do erário público (que está suportado em dívida, não esqueçamos) para sustentar este brinquedo?
Alguém já nos falou, seriamente, sobre o seu desempenho post intervenção?
E quanto têm sido aumentados os seus colaboradores e os titulares dos cargos de conforto?
E como é que isso compara com os rendimentos dos portugueses em geral?
…Ainda não nos disseram, nem nos vão falar disso…
Então sabemos o quê, em concreto?
– sabemos que constituiu um óptimo negócio para determinados grupos privados, que gerindo para se safarem, no tempo das vacas gordas, não tiveram que colocar capital nos tempos das vacas mais magras, contando com o Estado amigo;
– sabemos que foram forçadas saídas de pessoal (vulgo despedimentos) em condições financeiras muito, mas muito acima do que se paga no mercado;
– sabemos que essa intervenção foi feita à pressa, quem sabe se sem técnica ou segurança jurídica suficiente e que, provavelmente, ainda tem custos futuros agora ocultos;
– sabemos que as trapalhadas da TAP e da ANA andam misturadas, e que o romance do novo aeroporto (tão velho que já viu morrer pessoas que a ele se dedicaram toda a vida) se está a transformar numa paranóia colectiva, que esquece a existência real e efectiva de um aeroporto novo em folha feito de raíz por outro Governo em que o Primeiro já era figura de proa, ali prós lados de Beja, onde um dia destes se vão plantar couves;
– sabemos que o Ministro, voluntarista, se tem colocado ao jeito do Primeiro Ministro, em dossier’s difíceis, mas que não é a ele que aquele quer no seguimento dinástico da sua política.
!… E, por isso mesmo, eu aconselharia o Pedro Nuno a reflectir e a pensar bem se lhe não virá a acontecer como aconteceu ao António José Seguro, pessoa que teria alterado, na minha modesta opinião, o paradigma da governação e da corrupção …!
Dedicação, lealdade a mais; trabalho árduo, tentativas de agradar e pontapé no rabo, é o que eu antevejo…
Agora, voltando à TAP e aos aviões que não voam (por isto ou por aquilo e ocupam espaço aeroportuário) enchamo-nos de fantasia e olhemos para a cena dos mesmos com as suas asas enormes a passear em Lisboa (na 2ª. Circular que o Medina e o seu partner Salgado não tiveram tempo de transformar nos jardins suspensos) em cima de uns (muitos) BMW potentes que uma empresa que nos tem sugado até ao tutano decidiu comprar, para dar lustro às carreiras de alguns…que não podem andar de peugeot’s…
Pura chapada na cara de quem ainda os mantém a todos, muito provavelmente, agora, já a contra-gosto.
Já que ninguém diz nada em concreto sobre o tema específico da frota automóvel (a não ser dar explicações ridículas) o que se pede ao Senhor Ministro é que venha explicar se alguém lhe pediu conselho para tal desaforo, o que não equaciono, sinceramente, sequer, como razoável.
…porque eu acho que isso foi uma decisão de (má) gestão pelo menos de índole social, caricata e com falta de tino, decisão essa que vem na linha das diatribes que vêem sendo montadas, cirurgicamente, para o lixar, a ele Pedro Nuno, como a de lhe não lembrarem de vender o ridículo de 1 por cento do capital de uma empresa da sua família, nem ter sido aconselhado a fazê-lo, como aconteceu noutros casos.
E para vir a ser substituído por uma qualquer solução mais alinhada, mais domesticável.
Tome cautela, Pedro…
Assim, criando tantos anticorpos vai mesmo colocar-se de fora da corrida, que é o que querem os que lhe estão a fazer a cama, com requintes de malvadez.
… Olha, que engraçado!
Não é que, enquanto preparava a crónica, os tais BMW saíram de cena, os argumentos deixaram de ser pertinentes e os aviões já não irão passear aqui por baixo da minha casa e a Presidenta arranjou um cargo bué de bem pago para uma amiga.
Andam mesmo a brincar connosco, não é?


A nossa TAP!
como nós, os emigrantes, passámos a ser só números.
É mesmo muito triste.
Tudo certo. Tudo quase na fronteira da “opinião popularucha” mas, na hora de se poder mudar, votando, não.
Vota-se no PS.
Queixam-se de quê?
Muito bem!
Penso que já era tempo de ver mudanças na gestão da TAP.
Não creio que haja neste país organização política que seja capaz de fazer melhor que o PS. Com muitas críticas é verdade.
A mera sugestão de privatizar faz-me eriçar até os pelos do bigode, quando penso na PT, na EDP que desapareceram do meu campo de visão ou vivem à sombra do gigante chinês que faz o que quer com preços e sobra-lhe tempo. Quando privatizadas estas empresas passam a dar lucros aos milhões (e em cada ano o lucro tem de ser superior ao do ano anterior) que aproveitam a quem? Vocês sabem, não precisam de resposta.
A TAP só precisa de gestão séria e profissional. A TAP tem rotas com prejuízo? Julgo que não. Então precisa de dar (a sério) mais atenção ao cliente. É ele que paga!!! Em vez de lhe cobrar preços absurdos que o que paga faz-lhe um manguito e manda-a bugiar. Face ao panorama fogem para as Ryaneres e Yseajetes que sem concorrência ou autoridades de controlo se dão ao luxo de tratar o cliente como mercadoria para transporte .
Abrs
Caro Dr. Luís Amante, os seus artigos são pedradas no charco, que muito me aprazem ler!
Respondendo à sua pergunta: Andam sim, andam a brincar (muito e há muito tempo) connosco. E porque não? Nada acontece, o português está amorfo, subjugado ao poder político e económico, afundado em dívidas, impostos e trabalho, trabalho, trabalho para pagar uns e outros, que por sua vez sustentam um Estado gordo, ENORME, balofo, amorfo, incapaz, inútil e desgovernado.
A situação atual faz lembrar aquele famoso diálogo entre Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV “O ATAQUE À CLASSE MÉDIA” in Le Diable Rouge, de Antoine Rault:
Para o Estado encontrar dinheiro, quando já não é possível enganar e está endividado até ao pescoço, como o Estado não pode ser preso, continua a endividar-se. Para pagar aos credores, cobra impostos. Para além dos impostos que existem, cria novos impostos e inventa novos ainda. Cria necessidades que têm de ser cobertas por mais impostos e assim sucessivamente. Como os pobres não pagam impostos e os ricos fazem viver centenas de pobres, há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres que, trabalhando, sonham vir a enriquecer e, acima de tudo, temem perder as suas conquistas e regressar à pobreza. É a esses que devem ser lançados impostos e mais e mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos, mais trabalharão para compensarem o que o Estado lhes tira. São um reservatório inesgotável! É um esquema, um pensamento maquiavélico, mas atualíssimo. É doutrina e prática atual. Ninguém se opõe. O particular nada pode contra o Estado, o Estado beneficia.
Não temos sociedade civil, empresários, associação ou imprensa independente à altura, altruísta e capaz de dar a volta a este estado de coisas. Os que existem, estão mancomunados. Dependentes do Estado. Não temos políticos à altura, no ativo. Os que poderiam entrar, fora do sistema, como Passos Coelho e outros, muitos outros, capazes e competentes, não o fazem. Não querem entrar na política, salvo uma ou outra exceção, como Moedas, porque não quererem perder tempo com anormalidades, não querem ser enxovalhados por políticos inúteis, medíocres, “Big Brothers” da política, que só se importam e suscitam com casos e casinhos, políticas do género e casos absurdos, como o incitamento à violência nas forças de segurança, – que chamando a atenção e focando o pormenor, uma minoria, o acessório, tem como objetivo desviar a atenção do principal, “da floresta” – que é a incompetencia, a irresponsabilidade, o buraco, o abismo em que estão as contas públicas e a falta de independência das instituições de equilíbrio de poderes e controlo democráticas.
Estamos todos num “TITANIC”: A meter água a jorros e a afundar, mas a orquestra continua a tocar, o comandante na mesa principal, a dizer que está tudo bem, e toda a gente a jantar e a divertir-se…
Quem nos virá salvar?
No folhetim da TAP, que qualquer português acompanhará a contragosto, surgiu agora o episódio da substituição dos automóveis de serviço, que o Luís Amante, oportunamente, nos traz. E, para escândalo e comoção gerais, descobriu-se que os quadros da empresa iriam passar a dispor de veículos da marca BMW, em substituição dos presumivelmente desgastados e de onerosa manutenção PEUGEOT que utilizavam.
Porventura a senhora gestora da companhia até teria razão ao afirmar que a nova frota automóvel iria proporcionar significativas poupanças nos custos anuais de manutenção, em cerca de meio milhão de euros, valor que, compreende-se, não seria despiciendo para ajudar a compor o ramalhete em certas verbas da contabilidade da companhia. Critério de gestão louvável, sem dúvida, tanto mais que já começa a apresentar resultados de exploração positivos. Mas…
O “mas” está no facto de que, estando a companhia ainda a sugar regularmente avultados recursos do erário público – que é como quem diz, de todos nós – as pessoas foram impactadas pela suposta elevação de estatuto social que significa deixar de andar de PEUGEOT para andar de BMW, ainda para mais às custas de todos nós.
Uma elementar dose de bom senso – e de decoro – deveria ter imposto que tal solução nunca tivesse sido equacionada, quanto mais concretizada. Ou, então, deveria ter havido mais cautelas nas opções a seleccionar e na divulgação do facto, para que não tivesse acontecido esta comoção pública de que resultou o já anunciado abandono do negócio, de forma precipitada e com eventuais custos financeiros para a companhia.
Além de que isto foi mais um pretexto para os que pretendem acabar definitivamente com a TAP, proposta em que, sinceramente, não me revejo.
Repare-se, por favor, que Portugal é um país que – porventura não muito bem, mas isso não vem para esta temática… – apostou decididamente no turismo, recebendo anualmente multidões de visitantes de todas as partes do Mundo. Por isso, no meu singelo entender, deve ter uma companhia aérea que possa servir o maior número de todo esse fluxo de viajantes, obviamente retirando dessa actividade os adequados lucros, mas que, pela qualidade do serviço que presta, também seja, desde logo, o primeiro anfitrião de quem nos visita.
É essa a TAP que defendo e prefiro: uma companhia aérea sem atrasos, sem cancelamentos, sem mau serviço, bem gerida e sem a crónica dependência do erário público! Será assim tão difícil, tão utópico?
Mas já que estamos a falar de automóveis de determinadas marcas, não posso deixar de lembrar aqui uma coisa que, curiosamente, nem por isso suscitou comoção pública.
De há uns tempos a esta parte, tenho visto, nas reportagens efectuadas a propósito de diversas ocorrências, pelo país fora, a presença de veículos da marca BMW, de aspecto recente, ao serviço das forças de segurança, PSP e GNR. Alguns deles até são modelos algo sofisticados, jeep´s luxuosos.
Nada contra o facto de os militares destas forças também merecerem andar de BMW, esclareça-se.
Mas, em instituições também elas sustentadas pelo erário público, que têm gritantes carências de meios humanos. para mais em sobrecarga de serviço e mal remunerados, e com instalações para estes que, muitas das vezes, pouco mais são do que pardieiros sem as mínimas condições de conforto, não será algo muito inadequado que o respectivo parque auto inclua veículos destes?
Usando o mesmo critério de escândalo usado para a TAP, a resposta parece-me óbvia.
Isto da marca dos automóveis tem muita importância. Às vezes, até demais…
Trata se de uma doença crônica, no entra e sai de administrações está sempre associada uma frota de carrinhos topo de gama, porque será?