Marília Alves

A notícia foi avançada, na terça-feira passada, na comunicação social: a TAP tinha encomendado, para os seus administradores executivos e directores de topo, 50 carros BMW. Essas viaturas, com valores de mercado a partir de 52 e dos 65 mil euros, iriam substituir a frota automóvel da companhia aérea que é composta, maioritariamente, por Peugeot`s, do ano de 2017, portanto, apenas com 5 anos de uso.

Uma nota interna da TAP afirmou que os carros BMW permitiriam poupar 630 mil euros ao ano, e justificou a opção pelo fim dos anteriores contractos de renting e necessidade de mandar embora a frota, optando por viaturas híbridas plug-in, em vez do actual diesel, por motivos ambientais, mas também pelos benefícios fiscais associados a estas viaturas, aparentemente menos poluentes.

Ora isto tudo é gozar com os portugueses: uma empresa que apresenta prejuízos, está há mais de dez anos em situação de falência técnica e sobrevive por conta dos dinheiros públicos, decide comprar carros de luxo mais apetecíveis comparativamente aqueles de que dispõe e que, a avaliar pelo tempo de uso, terão ainda muita serventia.

Afinal, e perante a indignação dos portugueses, arrepiaram caminho, decidindo manter os Peugeot´s durante, pelo menos, mais um ano. Através de comunicado, na quinta-feira passada, a empresa disse que compreendia “o sentimento geral dos portugueses”. Nesse sentido, apesar de acreditar que a decisão seria a “menos onerosa para a companhia nas actuais condições de mercado”, irá manter os carros que já existem.

Nesta sequência, o Correio da Manhã avança que a TAP se arrisca a pagar uma indemnização no valor de meio milhão de euros pela marcha-atrás no contracto de “renting” dos 50 automóveis BMW.

Este caso tem o mesmo cheiro nauseabundo de sempre! E porque será que só os carros da TAP cheiram mal? Quando o mesmo acontece em qualquer empresa pública e desde que começou a haver dinheiro da União Europeia, na altura CEE, só que este caso chegou a público porque alguém perdeu dinheiro com isso.

E mais malcheiroso – do que a aquisição de uma frota de carros de luxo – é uma empresa sanguessuga dos nossos impostos, como é a TAP, ter distribuído prémios aos administradores, com um calote de 3,2 milhões para os contribuintes portugueses, que carregam às costas estes santos no andor.

Marcelo Rebelo de Sousa falou em “problema de bom senso”. O Ministro das Finanças ainda ninguém o ouviu falar, nem vai ouvir, a mulher, que chefiou o gabinete jurídico da companhia área, até há pouco mais de um ano, levou para casa um prémio de 17 800 euros em junho de 2019, para além do salário principesco que é habitual nesses cargos pagos com o dinheiro dos contribuintes.

Ora, não há aqui falta de bom senso, há é falta de vergonha e de respeito e uso abusivo do dinheiro dos portugueses, muitos dos quais não têm como encher um carrinho de compras no supermercado, quanto mais para andar de avião, contudo, têm que pagar as despesas voluptuárias de uma elite que não produz e usufrui de mordomias e benesses perfeitamente injustificáveis, tendo em conta o nível de vida do nosso País.

Na verdade, tudo isto acontece na maior parte das empresas públicas ou detidas pela Estado, em que as frotas automóveis são em tudo idênticas à que a TAP vai adquirir quando a poeira assentar. E tudo isto tem a ver com um sistema instituído em que há portugueses de primeira e portugueses de segunda. Os de primeira, são os que fazem parte de uma elite palaciana, que é nomeada para cargos pelo seu apelido, cartão partidário, ou por ter, de uma forma ou de outra, familiaridade com os partidos políticos, quanto mais não seja por serem filhos deste, mulheres/marido daquele ou daquela, ou familiares/amigos/as do outro/a.

O sistema está há muito implantado e continuará se não indignarmos e tivermos outra atitude capaz de afastar estes santos no andor que os portugueses carregam nas costas.

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