O aquecimento global tem impacto nas principais espécies de arbustos existentes na Serra da Estrela e no crescimento das pastagens da região, indicam os primeiros resultados do projeto de investigação ESTRELA, liderado por uma equipa da Universidade de Coimbra

«anéis de crescimento do zimbro (Juniperus communis ssp alpina), e do piorno (Cytisus oromediterraneus), espécies típicas da alta cristina.pinto@uc.pt (+351) 239 700636 P. 2 / 3 montanha na Península Ibérica e que em Portugal aparecem quase exclusivamente na Serra da Estrela».

O aquecimento global tem impacto nas principais espécies de arbustos existentes na Serra da Estrela e no crescimento das pastagens da região, indicam os primeiros resultados do projeto de investigação ESTRELA, liderado por uma equipa da Universidade de Coimbra (UC).

O projeto “ESTRELA – Efeito do aquecimento global na diversidade e funcionamento dos ecossistemas alpinos da Serra da Estrela” é coordenado por Susana Rodríguez Echeverría, Cristina Nabais e Marta Correia, do Centro de Ecologia Funcional do Departamento de Ciências da Vida, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e tem como parceiro o Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) da Câmara Municipal de Seia. Conta ainda com o apoio do Geoparque Estrela e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O objetivo é estudar o efeito do aquecimento global, um fator primário das alterações climáticas, no funcionamento e diversidade dos ecossistemas do planalto superior da Serra da Estrela, especialmente nas comunidades de arbustos e nos cervunais (pastagens onde predomina o cervum, uma planta da família das gramíneas que nasce de forma espontânea na Serra da Estrela).

As coordenadoras do projeto, iniciado em 2020, explicam que o seu trabalho se tem
focado no estudo dos «anéis de crescimento do zimbro (Juniperus communis
ssp alpina), e do piorno (Cytisus oromediterraneus), espécies típicas da alta montanha na Península Ibérica e que em Portugal aparecem quase exclusivamente na Serra da Estrela».

Os resultados obtidos até agora indicam «um maior crescimento destes arbustos (zimbro e piorno) nos últimos anos devido ao aumento de temperatura mínima na primavera e no outono, que resulta numa estação de crescimento mais longa», relata Susana Rodríguez Echeverría, esclarecendo que, ainda assim, «existem diferenças entre as espécies. O zimbro começa a crescer antes devido ao aumento de temperatura na primavera, enquanto o piorno não responde à temperatura da primavera, mas atrasa o fim do crescimento pelo
aumento de temperatura no outono. Já o aumento da temperatura mínima no verão e a diminuição da precipitação no inverno têm um efeito negativo apenas no crescimento do zimbro».

Isto significa, acrescenta a investigadora do Centro de Ecologia Funcional da FCTUC, que «é preciso ter em conta o padrão sazonal das alterações climáticas para entender os efeitos na diversidade e funcionamento dos ecossistemas».

A equipa está também a realizar um estudo experimental de manipulação da temperatura em cinco cervunais, tendo já comprovado que «o aumento de temperatura leva a um maior crescimento das pastagens, mas que depende da disponibilidade de água e das condições do solo. Ainda está em estudo se este rápido crescimento, em resposta a temperaturas mais altas, afeta a qualidade nutritiva destas pastagens», revela Susana Rodríguez Echeverría.

A investigadora refere ainda que, além da rápida resposta destas espécies vegetais ao aquecimento, a equipa tem observado «a necessidade de realizar a monitorização das condições climáticas a pequena escala em paralelo a estudos ecológicos que permitam uma melhor inferência das respostas dos ecossistemas ao clima», salientando que «há poucos estudos ecológicos e funcionais na Serra da Estrela, e os dados fornecidos pelo  observatório das Penhas Douradas ou pelos modelos climáticos atuais não conseguem recolher a diversidade de topoclimas e microclimas na Estrela».

O projeto ESTRELA é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do programa Portugal 2020, no âmbito do Programa Operacional Regional do Centro, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através de fundos nacionais (PIDDAC).

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